
Situação 1: Em um elevador, duas pessoas, uma olhando para o alto, a outra olhando para o chão. Em seguida, a que estava olhando para o alto põe-se a admirar-se no espelho. Permanecem assim por um certo tempo. O elevador então chega no destino do primeiro. A pessoa sai, portanto, do elevador, sem dizer palavra alguma.
Situação 2: Na avenida dos Bandeirantes, estou como passageiro de um carro. De repente, na ponte que há na entrada para a 23 de maio, um grande caminhão sofre um acidente. Ele estava carregando uma espécie de objeto envidrado, porém, quando foi passar pela ponte, a altura não foi o suficiente e o objeto trincou. O caminhão então permaneceu ali, parado, nem indo adiante, nem retornando. E os carros começaram a buzinar. A motorista do meu carro começou a xingar o motorista do caminhão de burro. “Como ele não viu que não dava para passar!! Agora vou me atrasar para o trabalho!!” As buzinas só aumentavam!! E eu olhando para o caminhão, pensei no quão caro devia ser o objeto que foi trincado, e como o pobre motorista devia estar se sentindo!! Será que jogariam a culpa nele? Será que havia algum seguro que poderia cobrir isso? O que aconteceria com o emprego deste homem? Será que ele tinha família? Mas as pessoas apenas buzinavam, impacientes e irritadas, enquanto passavam com maior lentidão pelo local do acidente.
Situação 3: Quando era mais jovem, estava passando de carro ao lado de uma favela que ficava na lateral de uma grande avenida. Ao fitar a favela, vi que havia uma criança observando a avenida, estática, com o olhar perdido. Fiquei pensando o que esta criança buscava no passar dos carros, o que ela sentia naqueles momentos. Sonhos? Tristeza pela sua vida? Desejo de uma vida melhor? Por que ela, uma criança, ao invés de brincar, estava ali, na janela, contemplando o fluxo interminável da avenida? E, quando o carro voltou a andar, para o meu espanto, vi que havia mais outras duas crianças olhando a avenida, em outras duas casas de alvenaria sem pintura.
Situação 4: Um dia eu estava no ônibus e apareceu um homem. Um homem bem velho. Ele não estava pedindo dinheiro, nem nada. Apenas entrou e começou a falar sobre a Bíblia, sobre a importância de amarmos uns aos outros, de prestarmos atenção naquilo que nos rodeia, de vivermos com responsabilidade. As pessoas, como quase sempre fazem, sequer o olharam. Se incomodaram com a fala daquele homem, como se no fundo tivéssemos muito mais a fazer em um ônibus lotado e apertado - e não pudéssemos prestar atenção em alguém por alguns poucos minutos.
Pergunto-me às vezes: - Será que a vida deles é tão fantástica e envolvente assim?
Quando o homem desceu do ônibus, ele agradeceu aqueles que o ouviram, e ao motorista, por não ter lhe mandado calar a boca. Ele era um homem velho, de roupas gastas, terno surrado, faces vincadas e enrugadas. Mas quando o fitei, disse a mim mesmo: - "Eis um homem belo!" Foi aquele homem que atraiu o meu coração e os meus olhos. Pois há poucas coisas mais asquerosas neste mundo do que a indiferença e o desprezo... E é isto o que mais existe neste mundo. No entanto, o esforço daquele homem fez com que eu voltasse a mim - e deixasse de assistir passivamente o mundo por aquela caixinha motorizada chamada ônibus. Quiçá nós possamos manter tal beleza acesa dentro de nós mesmos, encontrando oportunidades que nos façam pensar, sentir e fascinar-se, saindo de um mundo vazio para vê-lo em toda sua beleza, profundidade e verdade – ou, pelo menos, no máximo que nos é possível.
Situação 5: No metrô, as pessoas, muito próximas umas das outras, sequer se olhavam. Permaneciam em seus mundos particulares. Algumas liam. Outras tentavam dormir. Outras olhavam para frente, mergulhadas em algum lugar indecifrável. De repente, um bebê que estava no colo de uma mulher sentada no banco cinza, começa a sorrir para a mulher ao lado. Ela então começa a brincar e interagir com o bebê. Logo em seguida, outras duas mulheres entram na brincadeira, elogiando a mãe pelo lindo sorriso do bebê. As quatro mulheres começam a conversar, motivadas pelo sorriso do bebê.
Situação 6: Ainda no metrô, mas em outro dia, a porta se abre na estação do Paraíso. Após todo o fluxo de gente que saiu e entrou pela porta, uma mulher com um carrinho de bebê tenta entrar no metrô. No entanto, a roda do carrinho se prende no vão entre o vagão e a plataforma. Ela tentar, desesperadamente, tirar o carrinho e fazê-lo adentrar o vagão. Sem saber o que fazer, começa a gritar: “Ei!! Me ajudem, pelo amor de Deus!” Mas consegue logo em seguida fazê-lo entrar. A mulher, exasperada, após sentar-se, começa a reclamar com todos os que estão a sua volta, reclamando da passividade absurda das pessoas, que o coração dela estava a mil, que o bebê dela podia até morrer! E uma mulher disse: - “É assim mesmo! O mundo está perdido. As pessoas não olham para as outras!” Então a mãe fala que esta educação foi o que sua mãe lhe ensinou, e algo que ela procurará ensinar para seu filho. E que achava o cúmulo ninguém tê-la ajudado!! A mãe repetia a mesma conversa com todas as mulheres que entravam. E todas concordavam que era um grande absurdo tudo isso. “Como as pessoas podiam ser assim?” – diziam elas, indignadas.
Situação 7: Outro dia, estava no MAC (Museu de Arte Contemporânea) para fazer um trabalho para a faculdade. Era um trabalho sobre a fenomenologia da arte. Tinha de anotar e registrar todos os detalhes de alguma obra em especial e tudo o que eu sentia e passava pela minha cabeça durante este passeio. Quando estava fazendo a descrição do quadro escolhido (um do Alfredo Volpi chamado Reunião à Mesa, um quadro onde 12 pessoas estão em torno de uma grande mesa, cada uma entretida com seu grupo particular ou mesmo imersas em si mesmas – enquanto a figura principal permanece atônita, no centro do quadro, olhando em nossa direção), percebia atrás de mim um grupo de pessoas que passavam rapidamente por cada obra, sendo conduzidas por um monitor, que fazia a descrição, expunha os elementos principais e o signficado da obra. Tudo muito rápido, a fim de passar por todo o acervo no período estipulado. Então, algo surpreendente aconteceu: o segurança, de terno e gravata, chegou ao meu lado, afirmando que gostava bastante do quadro que estava vendo, que era um dos seus prediletos. Começamos a conversar e ele me disse que “gostava bastante de arte, pois a arte fazia com que as pessoas tivessem uma opinião”. E ele apreciava ficar admirando também por um bom tempo os quadros que gostava (pois eu, devido ao trabalho, estava a mais de uma hora e meia diante deste quadro). A opinião do segurança, diante do grupo conduzido pelo monitor, pareceu-me tão interessante que fiz questão de abrir uma sessão no trabalho de fenomenologia da arte para falar do ocorrido.
Situação 8: Uma mulher chega berrando no balcão antes de uma palestra de Fritjof Capra na Livraria Cultura. A moça do balcão disse que não sabia nada a respeito do que a mulher estava falando. A mulher, irritada, retruca dizendo que sabia sim, pois foi ela mesma que a atendeu há algumas horas. Então a moça diz: - “Senhora, eu sou a tradutora e acabei de chegar aqui! Por favor, tenha calma!”
Situação 9: Em um hospital psiquiátrico, conduzem os psicóticos para o jardim, a fim de que eles tomem sol. Entretanto, um deles foge, pulando o muro. Fazem uma busca dele, mas não o acham nas redondezas. Após uma semana, o homem retorna e é rapidamente preso. E ele diz: - “Vocês não podem mais me prender!! Eu já fugi. Só vim buscar minhas coisas!”
Situação 10: Na praça João Mendes, as pessoas passavam apressadas, algumas descendo em direção à Igreja da Sé, outros subindo de lá, alguns entrando nos sebos ou mesmo em outros locais. Um homem de terno, apressado, passa a frente de uma prostituta que estava parada. Ela então faz algum tipo de provocação ou proposta, e o homem passa rápido. Uma senhora que estava diante de mim, balança a cabeça como se não concordasse. A prostituta então faz algum tipo de comentário, rindo. E a mulher sai escandalizada.
Situação 11: Diante do Shopping Paulista, as pessoas saem com sacolas e mais sacolas de dentro do ambiente iluminado e colorido do Shopping. E no chão, misturada com as sombras da noite fria, uma mulher tem uma criança ao colo que chora. Lá dentro em algum lugar está o Papai Noel.

13 comentários:
Marcel,
Não sei o qto do que vc escreveu são situações pessoais e o que é ficção, mas vc conseguiu me transportar há 15 anos atrás, pois esse era o mundo em que eu vivia!
Eu trabalhava numa agência de Publicidade na Gal. Jardim e meu cotidiano era andar de metrô Sé, ônibus Luz ou então enfrentar o trânsito caótico de Sampa, a bordo do meu carrinho, saindo de São Caetano e demorando mais de uma hora até chegar ao meu destino!
Eu observava as pessoas por esse prisma e imaginava como nós, seres humanos poderíamos estar convivendo com tantos iguais, sem ao menos nos olharmos nos olhos, sem expressar um sorriso?
Por que tanta indiferença, pensava eu?
Pq tantas diferenças?
Para quê tanta aversão e desconfiança??
De onde surgiu tanto medo?
Hoje, passados os 15 anos, estou numa cidadezinha do interior, aonde todos se conhecem, todos se cumprimentam, todos cuidam da minha vida (no bom e mal sentido...rs)e eu ainda me pego observando as pessoas e imaginando o que se passa na mente e coração delas que justifiquem suas atitudes.
Vejo um, entre os vários vendedores de sorvete, um velhinho mais que sexagenário que empurra o carrinho debaixo do sol escaldante do meio-dia a me perguntar se vou querer um desses.
Me lembro imediatamente do meu falecido pai; poderia ser meu pai empurrando o carrinho, ou meu avô, se tivesse conhecido um deles.
Penso eu que, um senhor desta idade deveria estar descansando de sua longa vida de sofrimento e trabalho, mas ele ainda precisa fazer esses "bicos" para complementar sua pouca renda.
Claro que compro um sorvete, e certamente sempre que ele passar, eu comprarei, mesmo porque, eu nem gosto tanto assim de sorvete...rs
Um grande beijo em seu coração e um ótimo final de semana =)
Olá querida Regina!!
Acredite, todas essas cenas são reais!! É incrível como muitas pessoas se deixam hipnotizar por este vai-e-vem de São Paulo (das cidades grandes), por esse fluxo interminável. É raro ver alguém que está de espírito presente no local onde está. É claro que bem ou mal todos nós ficamos mergulhados em nosso mundo, com os nossos livros ou músicas ou pensamentos. Porém, uma coisa é uma pessoa (presente) lendo um livro, outra coisa é uma pessoa (ausente) escondida atrás do livro. E assim pode acontecer "Deus e o Diabo" no trajeto que é como se não tivesse nada a ver com a pessoa em questão - pois ela abstrai todo o caminho que ela faz. As pessoas ficam presas numa espécie de funcionalismo restrito. E se alguém tiver um problema com a catraca do metrô, as pessoas já começam a ficar impacientes, irritadas, etc.
O triste disso é que as pessoas se alienam do que elas sentem. Elas poderiam ver o quanto tudo isso é estressante e resolver criar algo para modificar essa situação. E alguns até tentam!! Mas, a grande maioria se defende disso criando uma armadura, fechando-se numa bolha, levantando muros de indiferença.
E assim vão todos irritados para o trabalho. E quando aparece um velhinho na frente, bem lento - as pessoas já se impacientam, e jogam sua frustração sobre o pobre homem.
Acho tão bonito isso: "e eu ainda me pego observando as pessoas e imaginando o que se passa na mente e coração delas que justifiquem suas atitudes."
Fico feliz por você viver num lugar onde todos "cuidam da sua vida" (risos), mesmo que algumas vezes no mau sentido!! (risos) Acho que isso suaviza a vida, não é? As pessoas na cidade grande são muito solitárias. Não porque ninguém olha para fora, mas porque muitas delas não conseguem olhar o outro, a paisagem, um pássaro. Às vezes a pessoa até tem um momento que ela dedica para ajudar alguma instituição - mas fica como se ela concentrasse sua generosidade e abertura para este momento (sexta à noite, por exemplo), sendo que durante todo o resto do tempo, ela passa sozinha, porque não olha direito para ninguém.
Bem... vamos continuar a "comprar sorvetes" então, né Regina?! (risos) Sempre que a gente puder!
Um grande beijo no seu coração também e um ótimo fim de semana!! :-)
Pois é Marcel,
Essa interação social na qual somos "obrigados" a viver é extremamente complicada qdo a gente observa que poderia ser diferente, mas aí percebe o quanto a maioria das pessoas estão robotizadas e resitem à uma aproximação mais calorosa.
Claro que tudo isso é fruto do caos do mundo capitalista em que vivemos, e por sua vez, da violência que nos rodeia.
O TER prioriza o SER em todas as circunstâncias, e acarreta todos esses males num efeito dominó gigantesco, mas mesmo assim eu acredito que podemos fazer a diferença sim.
Não é fácil, pois muitas vezes me pego sendo enganada por pessoas
inescrupulosas, que conseguiram me arrancar dinheiro com aquelas histórias comoventes de doenças incuráveis e tratamentos de alto custo, mas enfim, hj percebo que há "maneiras" e maneiras de ajudar as pessoas, sem aquela idéia utópica de transformar o mundo de um dia para outro!..rs
E é exatamente dando "atenção à esse pequenos fragmentos" em nosso dia-a-dia, pois, ao mesmo tempo em que percebemos a reação das pessoas, primeiramente surpresas e desconfiadas, aos poucos vc observa que a insistência vai dissolvendo essa armadura na qual estas pessoas se "protegem", ou melhor seria, se escondem!
E o resultado, (embora demorado) dessas pequenas ações é tão gratificante em nosso interior, que nos dá mais ânimo e coragem para continuar e continuar e continuar...
´Sei que para vc, morando aí na grande Metrópole é´mais difícil de agir, sem colocar em risco sua própria segurança, mas aqui no interior, muitas vezes me pego dando carona para pessoas desconhecidas, geralmente senhores e senhoras de idade, ou mães com crianças pequenas, e é interessante notar suas reações de admiração, do tipo:
- Nossa, ela nem me conhece e quer me ajudar, fazer uma gentileza!...rs Quais serão suas verdadeiras intenções??? ...rs
Em outras situações, eu caminho pelas ruas, olho para as pessoas que me cruzam, dou um bom dia com um sorriso estampado no rosto que desarma qualquer pessoa mais carrancuda e ranzinza. Pra ser sincera, essas situações muitas vezes se tornam divertidas, é como se fôsse um jogo de inversões, aonde ao invés da irritação, reagimos com serenidade e compreensão.
Claro que tudo isso exige muita conscientização, observação de si-mesmo, como aquela meditação atenciosa que o Dalai Lama fala, afinal, os nossos sentimentos interiores são muito egoístas e traiçoeiros, vivem querendo nos dar uma rasteira...rs Qdo estou na TPM é praticamente impossível eu agir com tanta serenidade e paciência...kkkk Mas eu não sou perfeita, né? E tb não quero ser hipócrita =P
Meu marido tem uma história muito legal, de um amigo nosso, jovem ainda, mas parecendo um velho ranzinza, arrogante e desconfiado de tudo e de todos.
Esse cara (antes de ser nosso amigo) simplesmente NÃO gostava de contato físico, e meu marido num desses trabalhos espirituais que ele faz, ao término, tentou abraçá-lo fraternalmente e o cara reagiu ofensivamente.
Eles não se davam bem no começo, tipo, o santo deles não combinava e eu explicava pro meu marido que o cara deveria ter tido algum problema na criação, talvez falta de amor e atenção dos pais e tal.(e realmente os pais são separados, cada um na sua e ele sempre viveu entre lá e cá, sem rumo)
Depois de uns 2 anos, novamente ele tentou e finalmente conseguiu o tal abraço fraterno...rs
Esse cara ainda mantém um certo ar de dureza e resistência, mas acredito que esteja mais ligado à própria imagem que ele criou ao longo da vida e acha que precisa preservá-la para não perder a identidade...kkkk
Enfim, são coisinhas que vão acontecendo ao nosso redor e percebemos que estamos mudando aos pouquinhos e cultivando sementes para brotarem lá na frente, talvez eu nem esteja mais aqui, mas meus filhos talvez estejam e possam ajudar na transformção e usufruir dos resultados.
Beijos e uma iluminada semana pra vc =)
Querida Regina!!
Achei perfeito e irretocável o seu comentário!! Acho que complementou maravilhosamente o meu - que ficou meio pessimista!! (risos)
É interessante isso - porque assim como este seu amigo que talvez tenha se apegado a uma "imagem corporal" para preservar a sua identidade, nós também corremos o risco de nos apegar a uma "imagem teórica" que explica e limita a nossa visão da realidade, né?
É como se toda teoria desse uma visão do todo, mas sempre é um todo com t minúsculo - não o Todo, que é infinito, um conjunto infinito de infinitos fragmentos!!
Às vezes até penso que quanto mais a teoria nos permite e dirige o nosso olhar para o presente, para o momento - para este "abraço com o instante" -, mais ela é uma boa teoria!! Senão a teoria fica como uma "resistência ao abraço", né? Devido aos nossos medos, traumas, e outras coisas mais.
De certa forma, parece que todos os grandes ensinamentos espirituais nos encaminham e nos desenvolvem para que possamos viver o máximo possível em nosso presente - a fim de que possamos fazer algo positivo e benéfico para nós e para os outros - para todos!!
E como você bem disse, querida Regina, isso se faz com "atenção aos fragmentos" e com "persitência e amor". Podemos até chamar a isso de um caloroso Abraço à Vida!! :-)
É isso aí!! :-)
Uma marivilhosa semana para você!! :-)
E um "Grande Abraço", né?? (risos)
Sim Marcel,
se as pessoas começassem a se ater mais ao presente, não desperdiçariam seu tempo com preocupações do futuro, ou remoendo mágoas do passado.
Mas tudo isso é um conjunto de causas e efeitos gigantesco, aonde nem se sabe mais a origem e muito menos o destino dessa roda, justamente pela falta de auto-conhecimento.
As pessoas estão à deriva, se deixando hipnotizar, ou melhor ainda, se anestesiar pela ilusão do desejo, acreditando que a concretização desses desejos preencherão as lacunas do seu interior desconhecido e renegado.
Elas não querem se olhar no espelho, o que dirá, olharem para dentro de si-mesmas?
Acredito eu que o todo com "T" maiúsculo só poderá ser encontrado depois de termos enfrentado a nossa jornada interior, pois o resultado dessa jornada, mudará totalmente a visão limitada e egoísta do indivíduo.
Por isso, muitas vezes a teoria de uma religião ou doutrina, não é suficiente para preencher o (t)odo em que a maioria está buscando e se limitando, e daí, elas se tornam tão ilusórias e alienantes qto qualquer droga a que estamos vulneráveis (mídia, entorpecentes, sexo, excesso de trabalho, consumo exagerado, e por aí vai).
Vejo que muitas pessoas se apegam à uma religião ou filosofia, como um salva-vidas, portanto, continua o processo de egoísmo, por mais que essas teorias propaguem o amor ao próximo, despego, paci~encia e compreensão.
As máscaras devem cair, mas as pessoas se habituaram tanto com elas, que estas já se tornaram parte de sua própria identidade, e é muito difícil o desapego, se não existir algo para substituí-las que preencham o espaço vazio criado.
Nós, seres humanos somos muitíssimos complicados, pois possuímos dentro de nós vários sentimentos distintos, que por sua vez dão origem exponencialmente à vários outros sentimentos e reações muitas vezes inesperadas, que, interagidas com uma segunda pessoa, geram outros tipos de reações e situações...ad infinitum...rs
É muito louco filosofar sobre isso, não é não?
Por isso a minha jornada interior está sendo feita de uma forma bem consciente(até demais pro meu gosto...rs), pois as coisas de Deus como já diziam, é loucura para nós pobres mortais, e eu preciso preservar a minha sanidade mental para poder continuar com os meus papos com vc...kkk
Mas a ironia disso tudo, é que de uns tempos pra cá, tenho recebido insights para que eu me entregue mais, sem medo, que me abra mais para o desconhecido, vamos ver no que vai dar.
De qualquer modo, te manterei informado...rs
Se eu sumir, vc me procura num sanatório...kkkk
Um "Grande abraço" procê tb, amiguinho.
Regina
PS. Realmente, o seu coment anterior estava um tanto pessimista =P
Olá querida Regina!!
Gostei muito do seu comentário!! Foi uma análise precisa e profunda sobre tudo isso que nos cerca, seja em nosso cotidiano, seja nas múltiplias e diversas ideologias e teorias nas quais as pessoas se apegam, se defendem, se escondem!!
Concordo com tudo o que você disse!!
(risos) Mas se entrega sim, querida amiga!! A entrada no mundo espiritual é igual a uma criança que tem medo de saltar de cabeça numa piscina - e fica lá balançando o pezinho, dizendo: "Ah! mas tá muito gelada essa água!!" (risos)
É preciso saltar de cabeça!! E quando assim fazemos (ou quando assim acontece - porque às vezes somos verdadeiramente empurrados, né?? risos), nem sentimos o frio!! E assim podemos ir dando mergulhos cada vez mais profundos e prolongados, pois a cada salto vamos nos tornando cada vez mais íntimos da água!!
Em outras palavras, em cada salto vamos ficando mais "malucos" - e assim, quando nos damos conta, num belo dia já integramos um universo inteiro dentro do nosso coração!! E, ao contrário do que muitos possam pensar: é aí que vamos experimentar a verdadeira leveza, a verdadeira lucidez, a verdadeira Razão - que é a Melodia do Coração!!
Pouco a pouco, em cada salto onde descemos cinco metros num dia, mais cinco no outro, percebemos e sentimos que já estamos no Centro do Mundo, no Centro do Coração, no Centro da Experiência, no Centro de Deus!! (risos)
E assim a "loucura", essa que é a oposta da dita "sociedade racional", vai estar à léguas de distância de você!! (risos)
E assim cada ato seu ressoará cada particularidade da Natureza - que para o "homem racional" se trata de uma loucura - e é por isso, entre outras coisas, que ele sofre absurdamente!! (risos)
Ficou "maluco", não é?? (risos) Mas vou deixar assim mesmo!! (risos) Depois, qualquer coisa eu reescrevo!! (risos) Mas sempre quando se sentir próxima do hospício, venha bater na minha porta!! (risos) A "fria razão" é o pior apego do homem ocidental!! O pior e o mais destrutivo!! O "calor do coração" é a superação mais lógica para isto!! Pois não há nada pior do que uma "razão" que teima em bater de frente todo dia, todo instante, contra um Cosmos inteiro que o nega e o despreza!! Mas o Coração, este conversa com o Mundo do modo mais pleno e amoroso possível!! :-)
Um grande beijo!!
E um ótimo fim de semana!! :-)
"(risos) Mas se entrega sim, querida amiga!! A entrada no mundo espiritual é igual a uma criança que tem medo de saltar de cabeça numa piscina - e fica lá balançando o pezinho, dizendo: "Ah! mas tá muito gelada essa água!!" (risos)
Pois é Marcel, o pior é que eu já entrei na piscina e agora sinto que devo nadar na parte mais funda dela, aonde não dá pé...rs (e o detalhe é que eu sou baixinha e só sei boiar...kkkk)
Vc tem razão, eu preciso me entregar, mas o medo racional ainda resiste e cria uma obstrução inconsciente, que eu não consigo identificar a causa!
Dia 27/12 vai ser o dia "D" para mim e eu te informarei os resultados por email!
Um grande beijo e um ótimo final de semana =)
Oi querida Regina!!
Mas sabe de uma coisa, querida amiga? Essa coisa de mergulho e espiritualidade é uma coisa difícil, complicada mesmo!! É preciso sinceridade e percepção para ver o que nos falta desenvolver, e consciência e coragem para intuir e pensar como iremos nos transformar - e para onde iremos depois. Sabe, eu sempre fui uma pessoa "espiritual" demais...(risos). E às vezes juro para você que fico em dúvida se estou devendo à meu lado mais "terra" - ou se, como afirmam alguns sistemas espirituais, tenho de aproveitar esse estado de coisas e buscar a "iluminação" mesmo. Sei lá... essas coisas são complicadas... Talvez o importante seja ir tentando ouvir os sussurros do coração - mas às vezes é difícil, né? (risos)
Boa sorte lá no seu dia D!! Vou torcer para que dê tudo certo!! E depois venha me contar, claro!! Aí conto uma coisa pelo que passei também!
Um grande beijo!!
E um ótimo fim de semana!! :-)
Querido Marcel,
O dia D está chegando e estou tentando manter a serenidade e equilíbrio para receber os insights necessários ao meu desenvolvimento.
Pode deixar, vc será o primeiro a ler os meu apontamentos...rs
Vc me deixou curiosa, mas vou aguardar com paciência vc me realatar o que lhe aconteceu!
Por hora, só quero lhe desejar meus mais sinceros desejos de que Deus continue iluminando o seu(e o meu..rs) caminho, não só neste Natal, mas em todos os dias de nossas vidas eternas...
Um grande beijo,
de sua amiga Regina.
Olá minha querida amiga Regina!!
Que você também seja muito iluminada por Deus e por todos aqueles que te amam - hoje e sempre!!
E quanto a paz de espírito, procura aquele lugar que você ama estar, aquele lugar onde você gostaria de estar, com quem você gostaria de estar!! Seja no mundão exterior, seja no mundão que há no seu coração - ou nos dois ao mesmo tempo!! Pois a única coisa que nos preenche de verdadeira paz é o Amor, não é? O amar e o sentir-se amado!!
Um grande beijo!!
Feliz Natal!! :-)
E boa sorte lá!!
Um dia você me disse do quanto gostava de estar com o seu filhinho.... Mas, independente disso (ou não), procura sua Criança Interior - ela já está em Paz, Serena e Tranqüila - Sempre!! :-)
Uma música para você:
http://www.youtube.com/watch?v=Hd8sP6QBLxc
Beijão!!
Marcel, te mandei um email. Caso vc não o receba, me avise por aqui.
Beijos
Regina
Olá querida Regina!!
Recebi sim o seu e-mail!! Mas como hoje já está muito tarde, o responderei amanhã, ok?
Beijão!!
Marcel
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