<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253</id><updated>2012-02-11T18:22:11.156-02:00</updated><title type='text'>Comentários Místicos</title><subtitle type='html'>"A civilização não consiste no progresso em si e na destruição descuidada dos velhos valores, mas sim no desenvolvimento e no refinamento dos bens que ganhamos." C. G. Jung</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-4056623731482642228</id><published>2010-01-23T19:27:00.001-02:00</published><updated>2010-01-23T19:27:52.898-02:00</updated><title type='text'>AMOR, AMOR, AMOR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_IES3yQwI6s&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_IES3yQwI6s&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-4056623731482642228?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/4056623731482642228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=4056623731482642228' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/4056623731482642228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/4056623731482642228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2010/01/amor-amor-amor.html' title='AMOR, AMOR, AMOR'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-1470752852116422060</id><published>2009-06-09T18:56:00.004-03:00</published><updated>2009-06-16T09:06:25.919-03:00</updated><title type='text'>Poemas Místico-Filosóficos - o Livro</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/r0jR4WKFFIo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/r0jR4WKFFIo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinopse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mística e transcendente viagem para o âmago da realidade, desde o momento da difícil decisão do indivíduo abatido e solitário, imerso em brumas de ilusão e de sonho, desconectado de si e do mundo, até o seu vôo final, digno e altaneiro, repleto de vida, poesia, amor e devoção. Um verdadeiro abraço às forças cósmicas, tanto às internas contidas no corpo e na alma, como também às externas existentes no mundo e no universo. Pois é do casamento entre todas as dualidades que poderá surgir uma nova humanidade, mais amorosa, mais compreensiva; uma humanidade que acolhe e aceita a todos, independente de suas crenças e valores, intuindo e constatando que a energia, a força anímica que organiza e impele a criação e a manutenção de todas as culturas e mesmo o movimento da humanidade em si, é uma só - e que está contida igualmente em cada corpo humano e em cada espécie animal e vegetal, o que torna tudo sagrado e repleto de sentido e significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante deste novo milênio que se inicia, a humanidade, altamente tecnológica e em crise, nos múltiplos âmbitos da vida e da sociedade, terá de aprender a integrar e a harmonizar seu coração com o mundo que o rodeia. Eis um momento de criação de pontes, de resgate do essencial que anima e vivifica todas as culturas, desde o começo dos tempos. Eis o momento do casamento cada vez mais pleno entre cultura e natureza, a fim de que possamos viver uma vida mais rica, criativa e sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito em um estilo de alta voltagem poética, trata-se de um grito de liberdade, de um mergulho nas recônditas regiões da alma e do cosmos onde sonho e realidade, claro e escuro, vida e morte se buscam e se amalgamam como que tomados de um intenso desejo de um místico abraço, dando origem a uma transcendência real e viva, orgânica e cotidiana, que irrompe do coração para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcel Cervantes, o autor, é escritor e poeta; tem 24 anos e é formado em Psicologia pela USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscar a Deus é buscar a humanidade, a natureza, o universo e além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.biblioteca24x7.com.br/"&gt;http://www.biblioteca24x7.com.br/&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-1470752852116422060?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/1470752852116422060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=1470752852116422060' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1470752852116422060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1470752852116422060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2009/06/poemas-mistico-filosoficos-o-livro.html' title='Poemas Místico-Filosóficos - o Livro'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-3657769763589943053</id><published>2009-01-07T22:34:00.003-02:00</published><updated>2009-01-07T22:39:09.828-02:00</updated><title type='text'>A Arte e a Esperança</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWVKh_s61II/AAAAAAAAAnA/VtC5kiLATmI/s1600-h/Lua+Estrela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288715285312492674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWVKh_s61II/AAAAAAAAAnA/VtC5kiLATmI/s400/Lua+Estrela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Mas, o que o ser humano conquistou até hoje nunca será perdido, pois... pois, essa conquista sempre poderá ser renovada, sempre poderá renascer a cada geração. A raça humana é como um rio: se ela for cuidada como realmente deve ser cuidada, o próprio tempo se encarregará de purificar esse rio e... e toda a poluição se dissolverá no imenso oceano da memória, onde estará apenas como uma triste lembrança... mas ao mesmo tempo rica de experiência do quão infinito pode ser o ser humano. É necessário que sempre haja arte, ela é a prova mais linda do quão profundo podemos ser, da nossa essência mais íntima... É a forma mais completa de nos conhecermos, de nos tornarmos belos e livres. Sim, pois a arte liberta o ser humano. Liberta e modifica. Ela é o alimento de nossa alma; o que não a faz definhar nesse mundo seco e cheio de miséria em que vivemos. Eu sei que o mundo não dá realmente o valor que ela deveria ter... eu sei que esse mundo muitas vezes apenas a usa como forma de descarregar emoções que por algum motivo foram abafadas, apenas para manter..., apenas para manter essa ordem doentia que reina atualmente..., mas..., mas é imprescindível que ela exista senão... senão esqueceremos do nosso lado belo, de nosso lado digno... E aí sim será a maior tragédia para o ser humano, quando esquecermos que o ser humano pode se elevar para lugares infinitamente altos. Afinal, todo ser humano pode ser um herói!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus em "O Mundo como Fantasia"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-3657769763589943053?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/3657769763589943053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=3657769763589943053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3657769763589943053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3657769763589943053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2009/01/arte-e-esperana.html' title='A Arte e a Esperança'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWVKh_s61II/AAAAAAAAAnA/VtC5kiLATmI/s72-c/Lua+Estrela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-7304123046047688413</id><published>2009-01-04T20:22:00.002-02:00</published><updated>2009-01-04T20:37:00.049-02:00</updated><title type='text'>O Mundo como Fantasia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWE253qiBkI/AAAAAAAAAm4/L3kTD9ktdhI/s1600-h/Xamanismo_23.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287567805332457026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 397px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWE253qiBkI/AAAAAAAAAm4/L3kTD9ktdhI/s400/Xamanismo_23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Se há um caminho para o Melhor, &lt;br /&gt;ele exige um olhar demorado sobre o Pior."&lt;br /&gt;Thomas Hardy&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sombra da Humanidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que quem fala aqui é a Sombra – a Sombra da sociedade de nossos tempos, a Sombra de minha alma – com tudo o que ela possui de luz e de trevas, de amor e de ódio, de reto e de torto. Trago-a aqui como veio ao mundo – em sua forma bruta, corrida, não lapidada, grotesca quase. Trata-se aqui de uma explosão da Natureza. Ame, portanto, de todo o seu coração estes personagens, os seus pensamentos e os seus sentimentos – e até o narrador. Não os rejeite a priori; tampouco se submeta a eles. Procure reconhecer o porquê de seu estado de espírito, o porquê do tormento de suas almas. Mas busque apreender também o que deve ser transformado, lapidado, sublimado. Colha os tesouros que encontrar – e os distribua conforme manda o seu coração. Este é o meu desejo. Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mundo como Fantasia &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Escrevi este texto no princípio de meu 18º ano de vida. E ele marca o início de meu “aprofundamento místico”, uma espécie de morte egóica num sacrifício de fogo, a fim de que renascesse um ser maior, de mais luz e compreensão, de mais força e amor. Amar a Luz é simples, fácil, um bem que cada um faz a si próprio. O grande desafio mesmo é amar, acolher, compreender e integrar a Sombra. E, acreditem, quando se consegue tal proeza, quero dizer, quanto mais vamos integrando os aspectos de nossa Sombra, da Sombra dos outros, da Sombra do Mundo, vamos nos tornando mais íntegros, mais plenos, como o herói das antigas histórias que, ao matar o dragão e beber o seu sangue, se vê fortalecido e revigorado em sua espiritualidade maior. A integração da Sombra é de essencial importância não apenas para cada um em particular, como para todos nós enquanto humanidade. Pois é esta Sombra que, quando rejeitada e desprezada, expulsa de Casa à ponta-pés, oculta-se por baixo do véu de nossa existência e retorna para arrebentar, para destruir e matar – seja a nós, seja aos outros. A Sombra é o nosso Filho Pródigo. Deveríamos fazer uma grande festa quando ela retorna ao Lar, com todo o seu conhecimento, com toda sua experiência, independente do que for. Aquele que conseguir amar e integrar sua Sombra torna-se um bem-aventurado, ganha paz de espírito, aproxima-se do santo – pois aprendendo a perdoar a si, aprendendo a converter o que há de mais tenebroso em ouro espiritual, este homem e esta mulher se tornam ricos, adquirem sabedoria e humanidade, se aproximam de Deus. E, consequentemente, aproximam-se de toda a Humanidade e de toda a Vida – em tudo o que possuem de Luz e de Trevas, de Amor e de Ódio, de Ordem e de Caos. E, adquirindo o conhecimento verdadeiro de ambos, ganha soberania sobre eles, vence a dualidade do mundo, transcende as diferenças, aprofunda-se no mistério cósmico, habita o Uno Essencial.&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;"107. Disse Jesus: O Reino é semelhante a um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas se extraviou, e era a maior de todas. Ele deixou as noventa e nove e foi em busca daquela única até achá-la. E, depois de achá-la, lhe disse: eu te amo mais do que as noventa e nove." &lt;br /&gt;Evangelho Apócrifo de São Tomé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://omundocomofantasia.blogspot.com/"&gt;http://omundocomofantasia.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-7304123046047688413?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/7304123046047688413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=7304123046047688413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/7304123046047688413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/7304123046047688413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2009/01/o-mundo-como-fantasia.html' title='O Mundo como Fantasia'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SWE253qiBkI/AAAAAAAAAm4/L3kTD9ktdhI/s72-c/Xamanismo_23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-2713773567831671747</id><published>2008-12-10T18:20:00.003-02:00</published><updated>2008-12-10T23:44:52.614-02:00</updated><title type='text'>A atenção - alguns fragmentos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SUAkkRLndFI/AAAAAAAAAkk/ZaG9ZmhcPYE/s1600-h/paint_infinate-eye.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278258968784237650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 315px; CURSOR: hand; HEIGHT: 315px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SUAkkRLndFI/AAAAAAAAAkk/ZaG9ZmhcPYE/s400/paint_infinate-eye.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Situação 1: Em um elevador, duas pessoas, uma olhando para o alto, a outra olhando para o chão. Em seguida, a que estava olhando para o alto põe-se a admirar-se no espelho. Permanecem assim por um certo tempo. O elevador então chega no destino do primeiro. A pessoa sai, portanto, do elevador, sem dizer palavra alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 2: Na avenida dos Bandeirantes, estou como passageiro de um carro. De repente, na ponte que há na entrada para a 23 de maio, um grande caminhão sofre um acidente. Ele estava carregando uma espécie de objeto envidrado, porém, quando foi passar pela ponte, a altura não foi o suficiente e o objeto trincou. O caminhão então permaneceu ali, parado, nem indo adiante, nem retornando. E os carros começaram a buzinar. A motorista do meu carro começou a xingar o motorista do caminhão de burro. “Como ele não viu que não dava para passar!! Agora vou me atrasar para o trabalho!!” As buzinas só aumentavam!! E eu olhando para o caminhão, pensei no quão caro devia ser o objeto que foi trincado, e como o pobre motorista devia estar se sentindo!! Será que jogariam a culpa nele? Será que havia algum seguro que poderia cobrir isso? O que aconteceria com o emprego deste homem? Será que ele tinha família? Mas as pessoas apenas buzinavam, impacientes e irritadas, enquanto passavam com maior lentidão pelo local do acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 3: Quando era mais jovem, estava passando de carro ao lado de uma favela que ficava na lateral de uma grande avenida. Ao fitar a favela, vi que havia uma criança observando a avenida, estática, com o olhar perdido. Fiquei pensando o que esta criança buscava no passar dos carros, o que ela sentia naqueles momentos. Sonhos? Tristeza pela sua vida? Desejo de uma vida melhor? Por que ela, uma criança, ao invés de brincar, estava ali, na janela, contemplando o fluxo interminável da avenida? E, quando o carro voltou a andar, para o meu espanto, vi que havia mais outras duas crianças olhando a avenida, em outras duas casas de alvenaria sem pintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 4: Um dia eu estava no ônibus e apareceu um homem. Um homem bem velho. Ele não estava pedindo dinheiro, nem nada. Apenas entrou e começou a falar sobre a Bíblia, sobre a importância de amarmos uns aos outros, de prestarmos atenção naquilo que nos rodeia, de vivermos com responsabilidade. As pessoas, como quase sempre fazem, sequer o olharam. Se incomodaram com a fala daquele homem, como se no fundo tivéssemos muito mais a fazer em um ônibus lotado e apertado - e não pudéssemos prestar atenção em alguém por alguns poucos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me às vezes: - Será que a vida deles é tão fantástica e envolvente assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o homem desceu do ônibus, ele agradeceu aqueles que o ouviram, e ao motorista, por não ter lhe mandado calar a boca. Ele era um homem velho, de roupas gastas, terno surrado, faces vincadas e enrugadas. Mas quando o fitei, disse a mim mesmo: - "Eis um homem belo!" Foi aquele homem que atraiu o meu coração e os meus olhos. Pois há poucas coisas mais asquerosas neste mundo do que a indiferença e o desprezo... E é isto o que mais existe neste mundo. No entanto, o esforço daquele homem fez com que eu voltasse a mim - e deixasse de assistir passivamente o mundo por aquela caixinha motorizada chamada ônibus. Quiçá nós possamos manter tal beleza acesa dentro de nós mesmos, encontrando oportunidades que nos façam pensar, sentir e fascinar-se, saindo de um mundo vazio para vê-lo em toda sua beleza, profundidade e verdade – ou, pelo menos, no máximo que nos é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 5: No metrô, as pessoas, muito próximas umas das outras, sequer se olhavam. Permaneciam em seus mundos particulares. Algumas liam. Outras tentavam dormir. Outras olhavam para frente, mergulhadas em algum lugar indecifrável. De repente, um bebê que estava no colo de uma mulher sentada no banco cinza, começa a sorrir para a mulher ao lado. Ela então começa a brincar e interagir com o bebê. Logo em seguida, outras duas mulheres entram na brincadeira, elogiando a mãe pelo lindo sorriso do bebê. As quatro mulheres começam a conversar, motivadas pelo sorriso do bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 6: Ainda no metrô, mas em outro dia, a porta se abre na estação do Paraíso. Após todo o fluxo de gente que saiu e entrou pela porta, uma mulher com um carrinho de bebê tenta entrar no metrô. No entanto, a roda do carrinho se prende no vão entre o vagão e a plataforma. Ela tentar, desesperadamente, tirar o carrinho e fazê-lo adentrar o vagão. Sem saber o que fazer, começa a gritar: “Ei!! Me ajudem, pelo amor de Deus!” Mas consegue logo em seguida fazê-lo entrar. A mulher, exasperada, após sentar-se, começa a reclamar com todos os que estão a sua volta, reclamando da passividade absurda das pessoas, que o coração dela estava a mil, que o bebê dela podia até morrer! E uma mulher disse: - “É assim mesmo! O mundo está perdido. As pessoas não olham para as outras!” Então a mãe fala que esta educação foi o que sua mãe lhe ensinou, e algo que ela procurará ensinar para seu filho. E que achava o cúmulo ninguém tê-la ajudado!! A mãe repetia a mesma conversa com todas as mulheres que entravam. E todas concordavam que era um grande absurdo tudo isso. “Como as pessoas podiam ser assim?” – diziam elas, indignadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 7: Outro dia, estava no MAC (Museu de Arte Contemporânea) para fazer um trabalho para a faculdade. Era um trabalho sobre a fenomenologia da arte. Tinha de anotar e registrar todos os detalhes de alguma obra em especial e tudo o que eu sentia e passava pela minha cabeça durante este passeio. Quando estava fazendo a descrição do quadro escolhido (um do Alfredo Volpi chamado Reunião à Mesa, um quadro onde 12 pessoas estão em torno de uma grande mesa, cada uma entretida com seu grupo particular ou mesmo imersas em si mesmas – enquanto a figura principal permanece atônita, no centro do quadro, olhando em nossa direção), percebia atrás de mim um grupo de pessoas que passavam rapidamente por cada obra, sendo conduzidas por um monitor, que fazia a descrição, expunha os elementos principais e o signficado da obra. Tudo muito rápido, a fim de passar por todo o acervo no período estipulado. Então, algo surpreendente aconteceu: o segurança, de terno e gravata, chegou ao meu lado, afirmando que gostava bastante do quadro que estava vendo, que era um dos seus prediletos. Começamos a conversar e ele me disse que “gostava bastante de arte, pois a arte fazia com que as pessoas tivessem uma opinião”. E ele apreciava ficar admirando também por um bom tempo os quadros que gostava (pois eu, devido ao trabalho, estava a mais de uma hora e meia diante deste quadro). A opinião do segurança, diante do grupo conduzido pelo monitor, pareceu-me tão interessante que fiz questão de abrir uma sessão no trabalho de fenomenologia da arte para falar do ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 8: Uma mulher chega berrando no balcão antes de uma palestra de Fritjof Capra na Livraria Cultura. A moça do balcão disse que não sabia nada a respeito do que a mulher estava falando. A mulher, irritada, retruca dizendo que sabia sim, pois foi ela mesma que a atendeu há algumas horas. Então a moça diz: - “Senhora, eu sou a tradutora e acabei de chegar aqui! Por favor, tenha calma!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 9: Em um hospital psiquiátrico, conduzem os psicóticos para o jardim, a fim de que eles tomem sol. Entretanto, um deles foge, pulando o muro. Fazem uma busca dele, mas não o acham nas redondezas. Após uma semana, o homem retorna e é rapidamente preso. E ele diz: - “Vocês não podem mais me prender!! Eu já fugi. Só vim buscar minhas coisas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 10: Na praça João Mendes, as pessoas passavam apressadas, algumas descendo em direção à Igreja da Sé, outros subindo de lá, alguns entrando nos sebos ou mesmo em outros locais. Um homem de terno, apressado, passa a frente de uma prostituta que estava parada. Ela então faz algum tipo de provocação ou proposta, e o homem passa rápido. Uma senhora que estava diante de mim, balança a cabeça como se não concordasse. A prostituta então faz algum tipo de comentário, rindo. E a mulher sai escandalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação 11: Diante do Shopping Paulista, as pessoas saem com sacolas e mais sacolas de dentro do ambiente iluminado e colorido do Shopping. E no chão, misturada com as sombras da noite fria, uma mulher tem uma criança ao colo que chora. Lá dentro em algum lugar está o Papai Noel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-2713773567831671747?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/2713773567831671747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=2713773567831671747' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2713773567831671747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2713773567831671747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/12/ateno-alguns-fragmentos.html' title='A atenção - alguns fragmentos'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SUAkkRLndFI/AAAAAAAAAkk/ZaG9ZmhcPYE/s72-c/paint_infinate-eye.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-6204047707591324752</id><published>2008-07-16T13:00:00.003-03:00</published><updated>2008-07-16T13:07:58.307-03:00</updated><title type='text'>O verdadeiro progresso</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_C_UQEUSwXLM/SH4bKpUeiyI/AAAAAAAAAUU/urvkFfaz1RI/s1600-h/Krishna+e+balan%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223642487500737314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_C_UQEUSwXLM/SH4bKpUeiyI/AAAAAAAAAUU/urvkFfaz1RI/s400/Krishna+e+balan%C3%A7a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Os que estão repletos do meu espírito e cheios de confiança, praticam essa doutrina, encontram redenção por meio das obras, as quais, nesse caso, são obras minhas. Todavia, aquele que, cheio de ego-complacência, despreza a lei e a mim, que julga trabalhar muito e age sem fé nem compreensão - este é insensato e acabará na perdição."&lt;br /&gt;Krishna em Bhagavad Gita (3.31-32)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito comum nos dias de hoje, tempos de grandes transformações tecnológicas e sociais, considerar elementos como o desenvolvimento científico (medicina, informática, etc.) ou ainda o desenvolvimento econômico (PIB, nível tecno-industrial, etc.) como indicadores de um tão almejado progresso. No entanto, visto o problemático contexto global em que vivemos, composto em maior ou menor grau por crises ecológicas, violência e conflitos urbanos, problemas na educação, corrupção em larga escala, má distribuição de renda, sensacionalismo abundante, exploração trabalhista, intolerância étnica e cultural, disputas geopolíticas no campo internacional; frente a tudo isso e muito mais, surge diante de nossos perplexos olhos a questão: podemos mesmo falar em progresso, em desenvolvimento humano, tomando como referência questões meramente técnicas e econômicas? Até quando continuaremos a crer neste “progresso”, enquanto nossos corações choram e se desesperam diante de notícias cada vez mais tristes e alarmantes, notícias estas que apenas jogam muitos de nós para um micro-mundo de frustração, desesperança e impotência diante de uma realidade cada dia maior e mais complexa? Correndo o perigoso risco de perdermos a nós mesmos diante disso tudo, encantados com uma idéia de progresso que nosso coração não pode aceitar em hipótese alguma – ao menos como ela hoje se encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, quem neste mundo gostaria de arrancar um dente com um alicate, quando atualmente temos um aparato instrumental e um conhecimento cirúrgico muito mais sofisticado, além da anestesia? Ou, pelo contrário, quem gostaria de despertar pela manhã e ouvir que uma bomba H foi detonada sobre alguma cidade enquanto dormíamos? A questão que fundamentalmente se nos coloca é com que sentido vamos nos relacionar com todo este universo que se afigura ao nosso redor? Pois a existência humana é constituída por um mundo de valores e concepções que nos relaciona a tudo o que existe. Hoje se vê muitas pessoas acompanhando os progressos científico e econômico como se eles tivessem vida própria e independente, deixando de lado pessoas que necessitam de uma maior atenção social e institucional. E, indo mais longe, deixando muitas vezes de lado os nossos próprios sentimentos, sonhos e ideais, como se tudo o que nos restasse fosse apenas os progressos técnico e econômico. Nunca vivemos um tempo mais rico, do ponto de vista científico; mas talvez também nunca nos sentimos tão solitários, indivíduos em uma multidão, anônimos que muitas vezes se entregam de mãos atadas a um consumismo alienante e egocêntrico – lugar este onde estamos todos separados e sozinhos, apesar de quase todos sentirmos uma idêntica falta no âmago de nosso ser, e quem sabe uma idêntica aspiração: a de um mundo melhor, mais justo e razoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a ética que nos faz humanos. Ética para com os outros, e para consigo. Um valor ético pode salvar vidas, como também sua falta pode transformar um homem em um escravo ou em um mero recurso para fins alheios. Em termos globais do que constitui nossa existência no mundo, não é possível falar em progresso sem que o campo ético esteja centralizado neste complexo universo de relações, a fim de que os seres humanos, os seres viventes para ser mais exato, não sejam ofuscados pelo brilho ocasionado por outras áreas humanas – áreas subalternas que compõem as nossas vidas e o nosso cotidiano, e não o contrário. Ser ético é agir em prol da vida, consciente de que toda ação reverbera tanto na natureza e sociedade, das quais fazemos parte, como também em nossos mais sutis valores culturais – transformando inclusive nossos sentimentos e concepções do que é afinal a humanidade e de qual é a nossa responsabilidade diante desse imenso e rico cenário mundial. O conhecimento gera poder, mas é a ética que faz nascer a sabedoria. E o mundo clama por essa sabedoria, a qual se irmana com a própria poesia do viver, com a possibilidade de um mundo mais belo e humano – repleto de sentido. É aqui que mora o núcleo do verdadeiro progresso, de onde tudo o mais pode vir como bom ou mau acompanhamento. Lugar onde a vida, em suas múltiplas e diversas manifestações, se vê profundamente reconhecida e venerada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-6204047707591324752?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/6204047707591324752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=6204047707591324752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6204047707591324752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6204047707591324752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/07/o-verdadeiro-progresso.html' title='O verdadeiro progresso'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_C_UQEUSwXLM/SH4bKpUeiyI/AAAAAAAAAUU/urvkFfaz1RI/s72-c/Krishna+e+balan%C3%A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-2606766014302766872</id><published>2008-06-29T21:00:00.000-03:00</published><updated>2008-07-01T23:37:58.473-03:00</updated><title type='text'>Em busca do Deus fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus (parte 3)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SGgjx2hfOtI/AAAAAAAAATk/hDWkGBH7wuk/s1600-h/sfranc2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5217459507665255122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SGgjx2hfOtI/AAAAAAAAATk/hDWkGBH7wuk/s400/sfranc2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;“Conhece-te a ti mesmo”&lt;br /&gt;Oráculo de Delfos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3ª Parte: Aspectos da Personalidade&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;Em busca de Deus como símbolo Sélfico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já não ouviu aquelas histórias que contam que no instante de um assalto, o homem ou a mulher, ao invés de reagir com ódio, raiva ou excessivo medo, diz apenas, enquanto entrega seus pertences: “Que Deus lhe abençõe, meu filho!” – e então o aparentemente vil assaltante, perplexo, como se não pudesse compreender ou crer no que se passa, ou ainda tomado por uma emoção tamanha que o transpassa e o envolve, cai no choro, como uma criança que, esperando pelo pior castigo, recebe a luz do amor e do perdão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil averigüar aqui o quão raras ou o quão comuns são tais histórias; o quão verídicas ou o quão fantasiadas... Mas não vejo porquê não acreditar que elas de fato existem. Quantos pais e filhos não convivem com silêncios forçados, com emoções reprimidas, com afetos abafados, criando assim suas próprias armadilhas, oferecendo ao outro formas de amor que não podem ser sentidas e/ou reconhecidas de todo? O pai, frio e distante por algum motivo desconhecido, apenas oferece seu dinheiro como forma de amor ao filho, quando tudo o que este sempre quis foi apenas um abraço e um “Te amo!”. O pai, por sua vez, entende como uma retribuição a todos os benefícios materiais que ele concede, uma vida regular e honesta. Mas o filho, este não se envolve em qualquer coisa do seu cotidiano: é um aluno relapso, um extravagante nos atos e nos gastos. O pai briga com o filho: não compreende suas "loucas atitudes, sua ingratidão"; o filho, por sua vez, também discute com o pai, não compreendendo aquele profundo ódio que sente dentro de si, e que, quando só, volta-se todo contra sua própria pessoa. O pai se sente profundamente sozinho; o filho deseja sua própria morte. Até um dia em que, exausto de si próprio e de sua vida, o jovem ultrapassa todos os seus limites, indo parar na delegacia. O pai, enraivecido, vai buscá-lo, preparado para dar uma surra "naquele moleque" ali mesmo. Mas então, quando se vêem - quando os dois realmente se vêem -, como até então nunca em suas vidas havia ocorrido, algo desperta em seus corações. O pai não vê um irresponsável inconseqüênte atrás das grades, mas sim um coração desejoso de amor, de afeto, carinho e compreensão. E o filho não vê mais um homem frio e distante, mas sim um homem que, apesar de ter suas limitações, sempre o amou, que sempre o teve como uma das jóias de sua vida, e que sempre procurou oferecer do melhor para si – aquilo que seu pai nunca teve... Quando os dois se olham, naquela noite, ambos fragilizados, sem máscaras, nus – tudo se revela, brilhante e resplandecentemente. O filho buscava em sua dispendiosa vida o amor que não podia sentir nas atitudes do pai; e o pai, distante emocionalmente mas pródigo financeiramente, buscava assim defender-se de sua relação ausente com seu próprio pai, mantendo uma frágil ponte financeira que ele compreendia como sendo de alguém que se importava, como sendo de alguém que queria o melhor para a vida do filho. Naquela noite, após toda essa tempestade, pai e filho conseguem aquilo que sempre buscaram mas nunca haviam conseguido: abraçaram-se entre lágrimas, confessando-se, um ao outro, o quanto se amavam. E então o filho se abre para o pai, explicando e compreendendo tudo o que até então fizera; e o pai se abre para o filho, buscando no seu passado a chave para abrir os segredos das origens da própria relação que criou com seu filho. Provavelmente, tal noite foi a mais importante e profunda de suas vidas – e, com certeza, um momento em que ambos abandonaram uma parte dessa pesada carga que todos carregamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, agora lhes pergunto: quanta raiva, quanto ódio, quanta indiferença, desprezo, apatia e intolerância, etc., não é apenas um reflexo, uma reação ao nosso desejo de mais e mais amor? Amor dos outros, amor do mundo, amor de nós para nós mesmos? Em essência, somos amor, puro e soberano amor. Nada mais. Mas, conforme vamos vivendo, vamos criando barreiras, abrindo fendas, levantando muros. Uma justiça sofrida, converte-se em dor, em mágoa, em ressentimento, até recair na amargura. Que, por sua vez, converte-se em um princípio de vida: “o mundo é injusto, sempre foi, sempre será”. Dessa maneira, a pessoa afunda em sua amargura e o seu coração é coberto de fel. E ela, a injustiçada de ontem, converte-se naquela que justamente cometerá a injustiça de amanhã, pois de sua amargura inicial (por falta de justiça, que é uma forma de amor, assim como a compreensão, o cuidado, a atenção, etc.), ela desenvolveu toda uma série de raivas, ódios, invejas, e por aí vai. Talvez tal pessoa consiga confessar-se para si mesma, em alguma noite solitária... em que tudo parece estar bem, apesar de seu coração pulsar sufocado dentro de seu peito. E então ela se pergunta: “como ser feliz?” Pois o fato é que ela acabou sendo enterrada viva por baixo de seus próprios sentimentos reativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande drama da vida é que muitos de nós só vamos aprender tais lições mais adiante, pois quando somos apenas crianças, pouco é o nosso controle espiritual sobre nós mesmos, sobre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos. A criança, ou melhor, a pessoa que ainda não se desenvolveu espiritualmente, que não possui ainda a posse de certa parcela de suas faculdades, torna-se muito suscetível ao ambiente externo. Crianças, filhos de pais separados, que passam a acreditar que foram elas próprias que causaram a “destruição da família”, tudo porque foram desobedientes e fizeram papai e mamãe brigarem... É óbvio que uma separação conjugal é a quebra de um estado de amor para a criança, e como ela talvez não possa compreender ainda as reais razões e causas para tal acontecimento, ela joga e impõe o peso da culpa sobre si mesma. Não “perdoa a si mesma”. E assim cresce com raiva e com ódio. Buscando no mundo, aquilo que no fundo encontra-se em seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas pessoas que não existem por aí que se apegam demasiadamente a cargos e funções, com tal força e de tal maneira que qualquer tentativa de mudança e transformação por terceiros, automaticamente é entendida como um ataque a si mesmas, a tudo o que fizeram e a tudo o que “sacrificaram”? Pessoas, em todos os lugares, se apegam a teorias, a sistemas, a cargos, a um status obtido, a um trabalho bem feito, tudo porque tais coisas, tais medalhas, diplomas, livros e papéis oferecem a eles algo para se orgulhar - algo que mostram a eles que são dignos de amor! “Veja como sou digno! Pago as contas e trabalho direitinho! Não sou igual a esses vagabundos que não fazem nada e ainda querem auxílio desemprego!” “Veja como sei do que estou falando. Já fiz tantos trabalhos, tenho tantos diplomas! Se minha mãe estivesse viva, certamente ela se orgulharia de mim, pois ela sempre gostou de pessoas estudiosas!” E então quando chega alguém e afirma que elas não são, realmente, tais coisas, tais teorias, tais sistemas, tais cargos e profissões, elas agridem, defendem-se com toda a força possível, com todos os argumentos que puderem enunciar. É o seu valor que está em jogo. É o amor que merecem, seja de quem for – Deus, pátria, família -, encarnada e estruturada nessas coisas: teorias, sistemas, funções, medalhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a arrogância é uma forma desesperada de defender uma posição tal que a pessoa possa aí achar-se digna de amor. Quando na verdade a luz e a chuva recaem sobre justos e injustos, indistintamente. A violência do assalto do garoto do início do texto era uma busca de amor, por mais paradoxal que isso possa parecer. A arrogância é o medo de perder aquilo que tal pessoa entende como essencial a sua vida – e ao que ela é –, inconsciente da verdade que só o amor pode constituir realmente alguém. E se a pessoa não encontra a fonte infinita de amor em si, inevitavelemente ela buscará fora, acompanhada de qualquer outro sentimento, sustentadada por qualquer outro princípio, manifestada por qualquer tipo de ato. É triste quando vemos alguém que acredita que se seu cabelo não está bem penteado e suas unhas bem pintadas e seus peitos bem erguidos, só por isso, não é mais digna de amor. Ela é feia, é desleixada, é descuidada – é uma porcaria mesmo que ninguém deveria olhar ou se importar... A busca por amor pode pintar-se com tintas verdadeiramente trágicas. Porque, como já foi dito nos textos anteriores, tenta-se apreender o inapreensível, segurar a água com os dedos da mão, manter para sempre aquilo que inevitavelmente irá escorrer, degenerar, transformar-se. Quando a pessoa passa a beber da fonte, ela se liberta de esperar a luz de um mundo que só pode oferecer ilusões. Aliás, é somente quando a pessoa passa a beber da fonte, que ela pode enxergar a vida tal como ela é. E foi isso o que fizeram os sábios e os santos de todas as tradições. Tomados pelo amor de Deus, destituídos da ilusão dos fenômenos e dos grilhões que nos prendem ao mundo, tais pessoas puderam enxergar todo este mundo de um lugar acima, apesar de ainda vivê-lo como um homem aparentemente comum. Mas com uma diferença essencial: a liberdade da auto-realização no amor os permitiam ir muito mais longe, fazer o que para os homens ainda presos aos conceitos, teorias, valores e ilusões da época social parecia impossível. Aquele que se vê inundado no amor divino se encontra bem acompanhado onde quer que esteja, no quer que esteja fazendo. Ele tomou para si o rumo de sua vida, pois não possui nada que o prenda e o direcione vindo do mundo. É claro que digo num plano ideal. Mas é que a diferença de atitude, de experiência e de sentimento de vida é tal, que seu posicionamento para aqueles que estão inseridos no mundo mais ordinário é de extremo distanciamento. No fundo, o que ocorre é que a pessoa liberta - ou em vias de libertação -, a pessoa que sustem-se com o amor que vem de seu coração, ganha a capacidade de ler, interpretar e usar cada símbolo, representação ou valor, conforme sua vontade e necessidade momentânea, pois ela não se prende a cada um desses objetos, ela vê além deles, seu olhar os atravessa. Usa-os não porque é dependente deles, mas porque a vida prática, no agir cotidiano, pede o uso de uma linguagem, de um objeto social, existente ou criado, que dê forma ao ato. Mas a pessoa que tem a fonte de amor interna aberta, não se apega a nada. Usa os objetos e os devolve calmamente. E como carrega a luz em seu coração, não possui a necessidade de aferrar-se possessivamente a qualquer coisa ou a qualquer pessoa. Pois sabe que tudo o que ela vive, tudo o que as coisas e pessoas signficam para ela, saiu emprestado, por assim dizer, de si mesma. Se alguém deixa de amá-la, ela não se sentirá um lixo por isso, pois ela sabe e ela se vivencia como amor. E então pode buscar com maior clareza as razões pelas quais alguma pessoa tenha deixado de amá-la... O que ela esperava ver, ter ou receber, que não foi satisfeito. E, quem sabe, como fazer com que tal pessoa veja, tenha e receba o que ela deveria buscar a princípio ou no fim em si própria, em seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São raros os bebês que não gostam de amor, de carinho, de afeto, de um sorriso - se é que há algum... Nascemos puros. Com a crença total de que receberemos amor, de que estamos imersos no amor. Mas como a vida é repleta de percalços, o novo ser vivo que veio ao mundo já cai num mundo de ilusões. E corre o risco de arrastar junto consigo toda uma parafernália daquilo que lhe serve de identidade exterior, formando-a ilusoriamente de fora para dentro, e não de dentro para fora, de seu coração para o mundo, de sua real necessidade e capacidade para um ambiente que o acolhe e o significa. No entanto, quanto mais maduros espiritualmente estamos, melhor podemos discernir o que é realmente do mundo e o que é de nosso coração - podendo assim fortalecer o que realmente somos, o que realmente devemos ou podemos ser. E quanto mais potencial interior tivermos, mais fortemente constituídos estaremos. Mais libertos, mais energizados, mais felizes. Mais plenos. O resto é um mar à deriva dos acontecimentos e dos fluxos da história. Sansara – o ciclo das ilusões. É claro que a coisa não é tão bipartida: aqui a liberdade, ali a escravidão. Vejo mais como um caminho, onde quanto mais próximo estamos de Deus, quanto mais próximos estamos daquilo que somos realmente, quanto mais próximos estamos de nossa realidade última ou primeira – que é o Amor - mais livres, mais fortes e iluminados nos tornamos. Creio que este seja o caminho para Deus – caminho que pode surgir e desabrochar por diferentes maneiras, através de diversos métodos. Mas uma coisa é certa: apenas o amor cria ou desvela mais amor, assim como apenas a luz finda com a escuridão. A evolução talvez termine quando pudermos reconhecer, sentir e viver todo o universo, ou, indo mais longe, a própria divindade dentro de nós. O amor que outrora estava encerrado e encapsulado em algum objeto ou algumas pessoas, em alguma teoria ou alguma posição social, retorna para sua origem, da mesma forma como as águas dos rios retornam para o oceano. Assim podemos ver tudo em nós e nós em tudo. Transcendemo-nos em nós mesmos pela ação do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois somos amor. Vivemos no amor. Somos transpassados pelo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, tudo é amor.&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o caminho para a busca de Deus como símbolo Sélfico. O qual representa e existe como a potencialidade latente de tudo o que poderemos manifestar no mundo. A busca amorosa por mais e mais amor constitui uma viagem infinita para o âmago do si-mesmo - e de tudo o que daí pode nascer. Permanecer aprisionado por conceitos, idéias, sentimentos e lembranças é resistir a esse divino chamado - que não apenas é o chamado pessoal, o dever que toda pessoa tem consigo mesma e com as demais, como também é aferrar-se a uma vida sem sentido, uma vida de lamento e auto-piedade, de ilusão e desordem, podendo chegar a níveis altíssimos de violência, até resultar na morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca de Deus como símbolo Sélfico nos torna mais livres, mais centrados, mais próprios. Senhores de nós mesmos, ganhamos sustentação suficiente para nos relativizarmos, e, assim, sempre transcender nossos próprios afetos e pensamentos. A busca de Deus como símbolo Sélfico, como a mais pura das Verdades Íntimas, traz para si capacidades cada vez maiores das demais buscas: como a busca da Verdade Absoluta e a busca do Todo. Pois quanto mais nos reconhecemos como amor, ou melhor dizendo, como Amor (livre e incondicional, auto-existente e puro), mais harmonizados e unos estamos, e mais harmonia e unidade desejaremos no mundo. Não a unidade do autoritarismo, mas sim a unidade de Deus, que apesar de transcender todo o Cosmos, ainda assim não atenta contra a liberdade de cada um de nós. Um amor de espera, de expectativa, de esperança, de abnegação, de compreensão, de busca, de desejo de mais luz. E também, quanto mais nos experimentamos como amor, mais livres nos tornamos dos elementos do mundo, podendo transitar por cada um deles, reconhecendo que no fundo não passam de um jogo de imagens a nos impulsionar para mais e mais amor - uma escada espiralada para o âmago de nosso ser - que é Deus -, que é o que há de mais Real em nossa alma e neste mundo, mesmo que alguns possam considerar Deus como apenas uma idéia. Trata-se aqui da mais pura e mais real das idéias, pois todas não passam de reflexo Dela e trajeto para Ela. Para que no final - e mesmo até antes - sequer necessitemos de seu aspecto como idéia para que possamos experimentá-La. Deus apenas é - antes e além de tudo o que podemos conceber, sentir ou imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem alcança a consciência da essência amorosa do seu Ser, não tem outra coisa a fazer neste mundo a não ser tentar mostrar aos demais a essência amorosa que os mantém, que os sustenta, que os constitui - e, por outro lado, todas as ilusões criadas e engendradas por medo de não terem esse amor que no fundo existe como um manancial em seus prórpios corações. As pessoas que se apegam guardam avaramente a chave de ouro que poderia abrir um infinito tesouro de luz e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ser mais exato, quanto mais próximos estivermos de nosso espírito, harmonizados com nossa essência - que nasce e se desenvolve gradualmente do amor ao Amor, passando por inúmeros tipos e gêneros de amor -, mais estaremos em conexão com o Todo, e mais e mais amorosamente estaremos envolvidos com o Mundo, buscando refletir no mundo exterior e em cada coração que passa por nossas vidas todo o potencial de amor e de harmonia que podemos manifestar. A evolução prossegue para o Amor e para a Harmonia em todos os âmbitos: no interno e no externo, no individual e no cósmico. Um santo quando se ilumina, desce de onde está para trazer um pouco de sua luz para os demais, um pouco de seu amor, um pouco de sua paz. Quanto mais a alma está desperta, mais ela age para despertar a consciência divina nos seus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim prosseguimos do relativo ao Absoluto, do particular para o coletivo (que não nega o particular, mas o afirma conjuntamente), dos diversos sentimentos para o Amor, dos vários princípios para aquele único que criou, que sustenta e que finalizará toda a ação do Cosmos, tanto o interno (o self), como o externo (o Self de Deus): que é o Amor. Quando chegar o momento em que todos estiverem no seio de Deus, tudo o que existirá será o Amor. Único e soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos é o que posso especular com a quantia de verdade que tenho nas mãos, e com o potencial de amor que posso traduzir em palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais é o Mistério - que também é uma forma de Amor. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-2606766014302766872?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/2606766014302766872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=2606766014302766872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2606766014302766872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2606766014302766872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/06/em-busca-do-deus-fenomenolgico-ou-sobre.html' title='Em busca do Deus fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus (parte 3)'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SGgjx2hfOtI/AAAAAAAAATk/hDWkGBH7wuk/s72-c/sfranc2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-2394154860784619829</id><published>2008-06-22T13:36:00.000-03:00</published><updated>2008-06-22T13:50:41.285-03:00</updated><title type='text'>Graciliano Ramos e o seu olhar sobre o mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SF5_14jVnXI/AAAAAAAAATU/hL2uMdDxe2Q/s1600-h/graciliano_ramos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214745982232010098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SF5_14jVnXI/AAAAAAAAATU/hL2uMdDxe2Q/s400/graciliano_ramos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;(Contra-artigo posicionando-se diante das afirmações do crítico Álvaro Lins que afirmava que, em suas obras, Graciliano Ramos não demonstrava interesse verdadeiro por seus personagens.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Há diversas maneiras de demonstrar estima e interesse por aqueles que nos rodeiam - porque há diversos tipos neste mundo, cada qual com seus limites e capacidades, seus anseios e desilusões... Alguns não sabem demonstrar interesse senão brigando com aquele por quem tem afeição: “Mas como você foi fazer isso?! Parece que não pensa no seu futuro!”; alguns preferem uma boa e franca conversa; outros só sabem demonstrar afeto oferecendo algo (como aquelas avós que nos querem fazer comer como se fôssemos sair viajando por uma semana inteira!); outros ainda, só sabem demonstrar o quanto gostam de alguém revelando-se completamente dependentes ou enchendo a sua paciência (como aqueles garotos que vivem a atazanar a menina que lhes roubam a atenção!); alguns ainda demonstram trazendo preás para os donos famintos; e outros, por sua vez, escrevendo – como é o caso de Graciliano Ramos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez alguém possa se indignar neste ponto, questionando: “Como você pode rebaixar o assunto a este nível? Estamos aqui discutindo se de fato Graciliano Ramos tinha ou não interesse verdadeiro por seus semelhantes e você vem com toda essa história de avós que dão docinhos ou meninos que puxam cabelos... Como você pode comparar uma ação política de alguém - como pode ser um texto literário - que pensa no futuro de uma parcela da população com a atitude esdrúxula de quem não sabe fazer outra coisa do que demonstrar dependência ao tal ser amado?...” Então responderia que realmente meu interlocutor está certo. O que quero com tudo isso não é comparar duas ações completamente diferentes, seja em termos emocionais e afetivos, seja em termos contextuais ou em quantos mais termos quisermos pôr nessa equação. O que quero com tudo isso é afirmar que as coisas, quando olhadas mais de perto, são extremamente complexas, havendo muitas vezes múltiplas faces com as quais devemos lidar, de tal modo que afirmar peremptoriamente que um autor da grandiosidade de um Graciliano Ramos escrevia apenas para rir de seus personagens, indiferente a eles ou ainda experimentando ódio e desprezo por eles – e por toda a humanidade –, parece-me uma grande e até ofensiva simplificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus todos aqueles exemplos no início do texto apenas para explicitar que qualquer atitude para o exterior está inevitavelmente interligada com algo que ocorre no interior do indivíduo, algo oculto a uma simples e rápida observação. Um Nietzsche que despreza a sua fraqueza irá desprezá-la em todos os demais, e talvez até sentirá ódio por eles, tudo para não se ver identificado com eles e com sua situação. A dureza que ele impõe para si será a dureza que ele irá impor para toda a humanidade. E talvez o ato mais generoso dele, tomando-o como ponto de partida, seja realmente essa sua dureza com relação à vida, já que foi ela que o constituiu – e a quem ele é muito grato. O que ocorre em meio à complexidade das relações humanas é que o que é bom, doce ou profundo para um pode ser mau, intolerável ou até ridículo para algum outro. Como afirmar, então, do alto o que é uma atenção verdadeira, um grande e nobre interesse ao semelhante? Eis a primeira questão a se problematizar. Um político ganancioso, que faz tudo em nome do seu ego, passando por cima dos demais sem quaisquer escrúpulos, mas que chegando ao poder faz algum bem para dada população – ele teve interesse verdadeiro por eles? Bem, se se perguntar aos próprios beneficiados, eles lhe dirão que sim. Se se perguntar a algum idealista da política, ele poderá lhe responder que tal homem não passa de um cachorro amoral que ludibria a todos que acreditam nele. Um outro exemplo: um homem que teve uma infância absolutamente severa e cheia de privações resolve fazer o completo inverso com seu filho, oferecendo-lhe - por amor - todas as regalias e liberdades. Nem é preciso dizer que tal ato, hoje em dia, seria muito questionado. Agora, no caso de Graciliano Ramos: um homem que, por qualquer motivo que seja (e ele os teve de sobra, é bom que se diga...), se vê imerso em um universo verdadeiramente sarcástico, onde tudo parece ser norteado por alguma lógica perversa, seja a miséria que oprime ou que faz oprimir, seja a forma como está estruturada toda a sociedade com seus valores ultrapassados e arruinados, seja o próprio entrechoque de naturezas diversas no cotidiano (e em menor grau, mas talvez até mais relevante e decisivo – a sua família de Infância); tudo isso, quase que inevitavelmente, faz com que se sinta um certo desgosto pela vida. Quero dizer, anulando aqui o eufemismo: ódio, desprezo, ironia, crueldade, niilismo, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que o escrever, assim como qualquer outra atividade humana, traz em si as marcas da personalidade daquele que escreve. Ninguém diria que foi casual o fato de Dostoiévski criar Raskólnikov, ou Stendhal Julien Sorel, ou ainda Clarice Lispector G.H. No fundo, só se pode criar algo com o que se possui alguma ligação, seja imaginando-o como igual ou semelhante (em pelo menos alguma característica), seja imaginando-o como tudo aquilo que não se quer tornar, pois em matéria de criação tudo sai à “imagem e semelhança” daquele que cria, apesar de todo o esforço contrário que se possa empreender. Mesmo havendo toda uma riqueza e complexidade humanas em cada romance, há determinadas características que acabam entremeando todo o enredo e toda a caracterização dos personagens, como se fossem um fio condutor utilizado pelo escritor, um eixo em torno do qual tudo gira e parece retornar, para então partir novamente. É este eixo que vai dar a cor e a tonalidade de cada história (e, às vezes, de todas as histórias...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, se é verdade que os romances de Graciliano Ramos são secos em matéria de sentimentos, e seus personagens seres baixos, com pouquíssima capacidade de qualquer transcendência, é por que foi tal sensação que mais forte se gravou em sua alma. Ele próprio, certa vez, chegou a confessar que não escrevia da maneira que mais lhe agradava, mas sim da maneira que lhe parecia estar mais de acordo com sua experiência de mundo. Isso me faz lembrar de um trecho de Infância onde Graciliano chega a confessar que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não me importava a beleza: queria distrair-me com aventuras, duelos, viagens, questões em que os bons triunfavam e os malvados acabavam presos ou mortos. Incapaz de revelar a preferência, resignei-me e agüentei as Baladilhas, o Romanceiro, outros aparatos elogiados, que me revolveram o estômago. Cochilei em cima deles, devolvi-os receando que me forçassem a comentá-los. Para mim eram chinfrins, mas esta opinião contrariava a experiência alheia. Julguei-me insuficiente, calei-me, engoli bocejos. Enquanto o dono da casa explanava a literatura encrencada, esforcei-me por entendê-la. Senti medo e preguiça. Não me arriscaria a controvérsia: acomodava-me a presença de uma autoridade." (Infância)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época ele era ainda um jovenzinho, mas é interessante esse abismo entre as suas preponderâncias literárias dos primeiros anos em relação com toda a forma e conteúdo com que ele acabou se fazendo um grande escritor. É interessante também compararmos os seus escritos literários com as primeiras cartas endereçadas à Heloísa. Cartas de amor, mas de um amor romântico e explosivo. Graciliano Ramos? Sim, Graciliano Ramos – um dos escritores mais secos que existem (?). Isso me traz à mente aquela lei da física em que se sente mais fortemente o frio da água gelada quanto mais quente estiver a sua mão. Talvez, então, se os seus escritos literários são tão secos, revelando uma vida tão exígua e degradada, personagens tão perdidos e descontentes, seja porque a vida, para o próprio Graciliano Ramos, foi-lhe tão fria, mas tão fria, que seria praticamente impossível ele não endurecer o seu coração e mesmo a sua percepção para que esse mesmo coração não se estilhaçasse frente à tamanha dureza. O fato não é que Graciliano vivia em um mundo em que todos fossem uns pobres de uns miseráveis que caminhavam desnorteados pelo mundo, mas que, por uma série de motivos, tal fato se mostrou a ele como algo quase que irrelevante. Em Infância, por exemplo, há alguns personagens bons e dignos, por quem ele até nutria viva simpatia e mesmo gratidão, como é o caso de D. Maria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquela brandura, a voz mansa, a consertar-me as barbaridades, a mão curta, a virar a folha, apontar a linha, o vestido claro e limpo, tudo me seduzia. Além disso a extraordinária criatura tinha um cheiro agradável. (...) Dominava os receios e a tremura, desejava findar a obrigação antes que estalasse a cólera da professora. Com certeza ia estalar: impossível manter-se um vivente naquela serenidade, falando baixo. A cólera não se manifestou – e explorei diversas páginas." (Infância)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais adiante, conclui sobre D. Maria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"D. Maria representava para nós essa grande ave maternal – e, ninhada heterogênea, perdíamos, na tepidez e no aconchego, os diferentes instintos de bichos nascidos de ovos diferentes.Nessa paz misericordiosa os meus desgostos ordinários se entorpeceram, uma estranha confiança me atirava à santa de cabelos brancos, aliviava-me o coração." (Infância)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, após esses minúsculos intervalos de paz, Graciliano tinha que retornar para sua casa, isto é, para sua mãe “de olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura”, e para seu pai, aquele pai dos terríveis e injustos casos do “Cinturão” e de Venta-Romba. Aliás, sobre este último episódio, faz-se necessário que se enfatize o quão comovente foi a narração de tal cena, que antes de apresentar pura e simplesmente um ódio ou desprezo, apresenta uma imensa tristeza pela condição humana aqui retratada. Nas palavras do próprio Graciliano: “desgosto, repugnância e vago remorso”, tanto pela fraqueza e limitação dos outros (a “indiferença” da mãe, a “fraqueza” autoritária do pai, a “curiosidade perversa” das crianças, o policial que cumpre seu dever apenas por cumprir...), como também pela sua própria, que assistiu a tudo calado, mesmo sabendo da inocência de Venta-Romba e do exagero sem maiores motivos a que tinha chegado toda a situação. A flácida e boa figura daquele homem, com todo seu espanto e incompreensão nas suas repetidas e reticentes perguntas: “Por quê, seu Major?”, fazendo contraponto com toda aquela constelação de figuras que nada se importavam com o que poderia ocorrer com aquele homem, que nada se importavam da arbitrariedade de todo o desenrolar de algo que eles próprios criaram e que eles próprios poderiam resolver, caso não se mostrassem tão frios e covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Venta-Romba sucumbiu, molhou de lágrimas a barba sórdida, extinguiu num murmúrio a pergunta lastimosa. (...) Fui postar-me na calçada, sombrio, um aperto no coração." (Infância)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ódio e o desprezo de Graciliano, acredito, se dirige muito mais a essa fraqueza e limitação, a essa covardia e mesmo estupidez, a essa indiferença e crueldade generalizadas que havia, em certo grau, tanto nele como nos demais – sentimentos que, por assim dizer, faziam a vida de todos extremamente mais seca e mais miserável. Um desprezo ao desprezo, um ódio ao ódio, uma crueldade a crueldade e a tudo a que isso leva: “absoluta negação e destruição”, nas palavras do crítico Álvaro Lins. Vendo a situação por esse modo, pode-se entender talvez a escrita como um meio de se redimir de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A faixa vermelha desaparecera, diluíra-se no azul que enchia o céu. Sinhá Vitória precisava falar. Se ficasse calada, seria como um pé de mandacaru, secando, morrendo. Queria enganar-se, gritar, dizer que era forte, e aquilo tudo, a quentura medonha, as árvores transformadas em garranchos, a imobilidade e o silêncio não valiam nada. Chegou-se a Fabiano, amparou-o e amparou-se, esqueceu os objetos próximos, os espinhos, as arribações, os urubus que farejavam carniça. Falou no passado, confundiu-o com o futuro. Não poderia voltar a ser o que já tinham sido?" (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma redenção repleta de ambigüidades, toda complexa e intrincada, onde se emaranha todo um conjunto muitas vezes contraditório de sentimentos e desejos, já que muito do escrever em Graciliano aparece como mágoa reprimida, ódio sufocado e uma profunda desesperança – mas uma desesperança que ainda guarda em seu interior algum germe de esperança, ou, melhor dizendo, de algo que tenderia a esse sentimento, mesmo que fosse sem fundamento algum, afinal, se todo o universo parece conspirar contra uma solução para a vida humana, ainda restam alguns momentos nos quais a vida parece retomar a cor e em que os seres (tanto humanos como animais) convergem para um ponto em comum, para alguma harmonia, mesmo que mínima, em meio a todo esse intrincado destituído de sentido que poderíamos chamar de vida humana (em Graciliano Ramos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desde esse dia tenho recebido muito coice. Também me apareceram alguns sujeitos que me fizeram favores. Mas até hoje, que me lembre, nada me sensibilizou tanto como aquele braço estirado, aquela fala mansa que me despertava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado Rosenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) chorava por causa da xícara de café da Rosenda..." (Infância)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores. O coração de Fabiano bateu junto do coração de Sinhá Vitória, um abraço cansado aproximou os farrapos que os cobriam." (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses personagens de Vidas Secas são incrivelmente oprimidos, seja pelo clima no qual se encontram, seja pelas relações de poder que os rodeiam (o soldado amarelo, o proprietário da fazenda), seja ainda pela própria brutalidade à qual foram reduzidos com o passar do tempo e de suas experiências. E, em certo sentido, quem de nós não se enxerga aqui, não em termos de forma (como retirantes), mas de conteúdo? Quem que não é também limitado por certas “arbitrariedades”, ora estando no mundo ao redor, ora estando em nós mesmos, que nos impedem muitas vezes de fazer aquilo que em algum grau desejávamos? Se fosse para arriscar algo sobre a obra de Graciliano, diria que ele não faz nela um culto ao nada, pregando uma filosofia da completa destruição, mas sim que ele aponta, da forma como pôde, tudo o que pode levar a tal sensação de mundo – e oferece a sua contribuição, mesmo que involuntária (nunca se sabe...), de como lutar, na medida do possível, contra toda essa adversidade. De fato, Paulo Honório e Luís da Silva, por caminhos opostos, um pela “ascensão” e o outro pela “decadência” moral, chegaram ao mesmo ponto, ao mesmo sentimento de invalidade da vida. Mas por quê? O que fez com que um Luís da Silva se tornasse o que se tornou, tendo a necessidade de cometer um crime para se auto-valorizar, torturando-se sadicamente com os ruídos das relações sexuais de sua vizinha, e não um Graciliano Ramos – mesmo que este ironizasse a sua própria condição? E a respeito de Paulo Honório, personagem fabuloso por sua imensa vontade e determinação em dobrar o mundo ao seu redor, saindo de uma posição miserável para alcançar a de proprietário da fazenda São Bernardo: foi forte o suficiente para submeter o mundo inteiro, mas falhou terrivelmente em dominar seus próprios impulsos. Sabia do valor de Madalena para ele. Mas deixou que seu sentimento de posse, seu ciúmes louco e descontrolado, conduzisse Madalena para o seu trágico final, para só no fim de sua vida, após ter arruinado tudo com suas próprias mãos, compreender o porquê daquilo tudo ter chegado aonde chegara. Eis a sua própria tragédia – e que também pode ser a nossa enquanto estivermos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins. (...) Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca enorme, dedos enormes. (...) Conforme declarei, Madalena possuía um excelente coração. Descobri nela manifestações de ternura que me sensibilizaram. E, como sabem, não sou homem de sensibilidades. É certo que tenho experimentado mudanças nestes dois últimos anos. Mas isto passa." (São Bernardo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As amabilidades de Madalena surpreenderam-me. Esmola grande. Percebi depois que eram apenas vestígios da bondade que havia nela para todos os viventes." (São Bernardo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, uma compreensão não da completa arbitrariedade, mas uma compreensão historicamente determinada. “Creio que nem sempre fui egoísta e brutal”. O que é tal frase senão uma luz de esperança – não para Paulo Honório, mas para a humanidade em geral, para todos os que lerem São Bernardo, para todos os que viverem posteriormente e, quem sabe, encontrassem um mundo menos injusto ou opressivo (como marxista que Graciliano era...)? Se ele acreditava nos homens é algo que dificilmente saberemos, mas que ele mostrou certas luzes a guiar o nosso comportamento, isso ele mostrou – ou, ao menos, revelou muito daquilo que torna a vida “despojada” de poesia e sentido, como é, em grande medida, a forma e o conteúdo de seus romances. E mesmo levando em consideração tudo o que há de mais opressivo e degradante, deixou implícito em meio a todo esse universo de secura, um motivo para se viver, um motivo para agir, por mais desolador e mesmo fatalista que ele possa parecer às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lembrou-se dos filhos, da mulher e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra." (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tragédia de Paulo Honório não foi a vida em si. Para esta ainda tinha ele alguma salvação. A sua tragédia foi ele ter destruído a pessoa que passou a dar sentido (ou algum sentido) a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.(...) E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que hora, até que, morto de fadiga, encoste a cabeça à mesa e descanse uns minutos..." (São Bernardo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando penso em Graciliano Ramos, vem-me a imagem de Fabiano. Afinal, o que é Graciliano Ramos (ou, melhor dizendo, uma boa parte dele) senão esse “cabra” preso no ciclo de escrever, escrever e escrever, fugindo da seca e só encontrando mais seca – e quando dá sorte, a sombra de um juazeiro, um riozinho quase que totalmente seco, um preá para não morrer de fome?... E por mais que ele queira, sabe que jamais conseguirá acabar com a seca, ou matar todas aquelas aves que cobrem o mundo de penas e esvaziam o açude. É tão impotente quanto Fabiano, com a grave diferença que nem sequer tem como consolo a crença em algum “pensamento mágico” e supersticioso. Tem profunda consciência que seus tiros de espingarda são pouco para pôr fim a todas aquelas aves, quanto mais em impedir a seca que está sempre a o ameaçar – a nos ameaçar. E o que é Graciliano senão esse “cabra” imperfeito e limitado, mas que luta bravamente contra a sua própria imperfeição – contra a imperfeição do mundo? Foi Carpeaux que disse que se pudesse Graciliano suprimiria o seu romance inteiro, o mundo inteiro, não foi? Pois é verdade. E talvez até neste ponto Graciliano tenha algo em comum com Fabiano. A imensa dificuldade de comunicação, de fazer-se compreensível e razoável. Por mais que se esforçasse, Graciliano tinha para si que nunca estaria perfeito, e muitas vezes alimentava até uma sensação completamente negativa por seus textos. Não adiantava alguém elogiá-lo, pois a desconfiança surgiria: “Será que estão zombando de mim?” – assim como acontecia com Fabiano entre os homens da cidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Começaram a discutir em voz baixa uma passagem obscura da narrativa. Não conseguiram entender-se, arengaram azedos, iam-se atracando. Fabiano zangou-se com a impertinência deles e quis puni-los. Depois moderou-se, repisou o trecho incompreensível utilizando palavras diferentes." (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O limite entre ser um homem e ser um animal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Você é um bicho, Fabiano.&lt;br /&gt;(...) Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta." (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, melhor dizendo, entre a humanidade e tudo aquilo que a destrói, entendendo humanidade aqui não como algo próprio dos homens, mas como algo que estes deveriam constantemente buscar, pois não é nada mais do que a esperança de algum mundo melhor, de algum mundo mais belo. E se este não passa de uma grande ilusão, de uma grande inocência, tal qual o sonho de sinhá Vitória no último capítulo de Vidas Secas, que se busque para si mesmo – para a sua própria (e pequena) salvação e daqueles que lhe rodeiam, dando-lhes a oportunidade de pelo menos viver mais alguns dias, mesmo que sofridos e absurdos, mas criando a possibilidade de algum momento de legítima felicidade, por menor e mais ínfima que ela seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um preá. Levantaram-se todos gritando. O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho. Sinhá Vitória beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensangüentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquilo era caça bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. E Fabiano queria viver. Olhou o céu com resolução. A nuvem tinha crescido, agora cobria o morro inteiro. Fabiano pisou com segurança, esquecendo as rachaduras que lhe estragavam os dedos e os calcanhares."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes." (Vidas Secas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A atenção é uma forma alta de generosidade" - Simone Weil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Ramos, Graciliano – São Bernardo – Editora Record – 46ª edição&lt;br /&gt;• Ramos, Graciliano – Angústia – Editora Record – 52ª edição&lt;br /&gt;• Ramos, Graciliano – Vidas Secas – Livraria Martins Editora – 30ª edição&lt;br /&gt;• Ramos, Graciliano – Infância – Editora Record – 23ª edição&lt;br /&gt;• Lins, Álvaro – Valores e Misérias das Vidas Secas&lt;br /&gt;• Carpeaux, Otto Maria – Visão de Graciliano Ramos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-2394154860784619829?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/2394154860784619829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=2394154860784619829' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2394154860784619829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2394154860784619829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/06/graciliano-ramos-e-o-seu-olhar-sobre-o.html' title='Graciliano Ramos e o seu olhar sobre o mundo'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SF5_14jVnXI/AAAAAAAAATU/hL2uMdDxe2Q/s72-c/graciliano_ramos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-6857767135683904410</id><published>2008-05-17T22:21:00.001-03:00</published><updated>2009-04-23T14:22:04.566-03:00</updated><title type='text'>Sede de Infinito</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SC-E6ipgblI/AAAAAAAAARc/byKRLY8cRoQ/s1600-h/Solar_View1280_1024-full.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201522235904388690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SC-E6ipgblI/AAAAAAAAARc/byKRLY8cRoQ/s400/Solar_View1280_1024-full.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;(Em função da publicação do livro Poemas Místico-Filosóficos, pela Editora Biblioteca 24X7, este texto, assim como outros publicados neste blog, estará limitado a apenas uma introdução! Obrigado pelo apoio e incentivo, amigos leitores!!)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ao fitar o mundo pela janela de meu apartamento&lt;br /&gt;Sinto-o distante, vazio e opaco&lt;br /&gt;Movimentos de silêncio&lt;br /&gt;Barulhos de inércia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu, reflexo de longínquas eternidades,&lt;br /&gt;Apenas me oferece algumas pálidas estrelas&lt;br /&gt;Por entre nuvens sombrias&lt;br /&gt;Sobre uma cinzenta atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto pareço estar vazio&lt;br /&gt;Mil sonhos dormem em meu seio&lt;br /&gt;Apenas aguardando o momento exato&lt;br /&gt;Para explodir em mil cores e formas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais apáticos que estejamos&lt;br /&gt;Por mais abatidos e derrotados&lt;br /&gt;A Morte é apenas a sensação de tempo perdido&lt;br /&gt;Entre aquilo que somos e a maneira como agimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos a Consciência do Universo&lt;br /&gt;O Diamante repartido em infinitos pedaços&lt;br /&gt;Quando pudermos nos unir – mesmo que em silêncio&lt;br /&gt;Formaremos um Sol a iluminar toda a galáxia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-6857767135683904410?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/6857767135683904410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=6857767135683904410' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6857767135683904410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6857767135683904410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/05/sede-de-infinito.html' title='Sede de Infinito'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SC-E6ipgblI/AAAAAAAAARc/byKRLY8cRoQ/s72-c/Solar_View1280_1024-full.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-3393723696400824498</id><published>2008-04-27T12:34:00.000-03:00</published><updated>2008-04-27T15:37:28.141-03:00</updated><title type='text'>Massacre na Praça Celestial</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBShyHr9kRI/AAAAAAAAARM/RjlVTI3CPdU/s1600-h/Massacre+da+Paz+Celestial.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193954152693993746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBShyHr9kRI/AAAAAAAAARM/RjlVTI3CPdU/s400/Massacre+da+Paz+Celestial.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais choca neste mundo não é a violência, &lt;br /&gt;mas sim a delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBShdHr9kQI/AAAAAAAAARE/baSKiwgIKbM/s1600-h/Jeff+Widener+(Associated+Press).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193953791916740866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBShdHr9kQI/AAAAAAAAARE/baSKiwgIKbM/s400/Jeff+Widener+(Associated+Press).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;(Jeff Widener - Associated Press)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em memória de todos aqueles que tiveram suas vidas ceifadas e suas almas caladas em função de um poder brutal. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-3393723696400824498?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/3393723696400824498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=3393723696400824498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3393723696400824498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3393723696400824498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/04/massacre-na-praa-celestial.html' title='Massacre na Praça Celestial'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBShyHr9kRI/AAAAAAAAARM/RjlVTI3CPdU/s72-c/Massacre+da+Paz+Celestial.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-6019409155956677125</id><published>2008-04-25T19:47:00.000-03:00</published><updated>2008-04-25T22:27:15.450-03:00</updated><title type='text'>As dimensões concreta e simbólica</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBJf6nr9kOI/AAAAAAAAAQ0/zExdwJm8S6g/s1600-h/Jesus+Cristo+-+Salvador+Dali.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193318781002027234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBJf6nr9kOI/AAAAAAAAAQ0/zExdwJm8S6g/s400/Jesus+Cristo+-+Salvador+Dali.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que somos e fazemos neste mundo possui no mínimo duas dimensões distintas, porém indissociáveis: uma dimensão concreta e uma dimensão simbólica. Isto é, tudo o que somos e fazemos reverbera e reflete no mundo tanto em um sentido mais prático e instantâneo, como também em um sentido mais simbólico, próprio do âmbito dos significados – campo este muito mais sutil e difícil de apreender em sua totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sentido concreto, todos nós somos seres altamente limitados, seja pelo próprio corpo, seja pela própria personalidade, ambos que muitas vezes nos impossibilitam de agir de alguma maneira desejada, seja ainda pelo contexto histórico e social, que nos oferece apenas alguns determinados meios específicos de ação, alguns caminhos mais ou menos traçados para percorrer, uma ou outra lacuna a partir de onde podemos intervir e transformar a realidade. Dessa maneira, muitas vezes nos vemos impossibilitados e impotentes diante deste mundo, que apesar de “tornar-se cada dia menor”, devido aos inúmeros meios de comunicação e transporte, cada vez mais avançados e evoluídos; converte-se também em algo cada vez mais “complexo e de difícil apreensão”, onde facilmente podemos nos perder diante de tantas informações, provenientes do mundo inteiro em tempo real, fato este que, obviamente, nosso corpo e nossa personalidade não permitem que sejam vistos e elaborados em sua totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, se pela sua faceta concreta, o ser humano caracteriza-se como ser limitado, independente de seu maior ou menor desejo pelo infinito, independente de seu maior ou menor interesse por cada um dos seres viventes; pela sua faceta simbólica, o ser humano se torna um ser ilimitado, uma espécie de ícone, encarnação viva de sentidos, sonhos e ideais, transcendente ao tempo e ao espaço vividos. Podendo servir de amparo, conforto e inspiração para qualquer um que venha a conhecer sua história e o que tal pessoa significou em sua época e em seu meio social – e que talvez continue significando, de acordo com a cultura em questão ou de acordo com a própria pessoa que vem a conhecer sua história, capaz de interpretar tal figura da melhor maneira que lhe aprouver. É neste sentido que não importa tanto para nós se, por exemplo, Jesus Cristo conversou com trinta, trezentas ou três mil pessoas (apesar de para tais pessoas provavelmente ter importado); o que mais importa para nós é tudo aquilo que sua vida significou, tudo o que ele representou em sua época, os novos valores que ele trouxe e que estiveram encarnados em sua pessoa, em seus atos e em suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de nós pode conhecer com toda certeza quem e como foi o Jesus concreto, mas podemos conhecê-lo em sua faceta simbólica – o que, por si só, já se constitui como de essencial e profunda importância espiritual e psíquica para nós que aqui vivemos. Pois sua figura serve de exemplo, reflexão, meditação, identificação, compreensão de mundo e de realidade, de homem e de vida, etc. Tudo isso e muito mais se encontra constelado na imagem e figura de Jesus Cristo, assim como de quaisquer outros, vivos ou não (do ponto de vista concreto), que estão por aí, agindo e vivendo para um determinado e específico meio, mas expandindo-se simbolicamente para todo o mundo e todos os seres que porventura o puderem conhecê-lo em sua história e vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüentemente, nossa responsabilidade enquanto seres humanos não se limita apenas à dimensão concreta, mas também à simbólica. Pois se a primeira possui efeitos mais imediatos e aparentemente de simples apreensão, a segunda transcende os limites físicos para transitar simbolicamente por meio e através da história, da cultura, da fala, do tempo e do espaço. É por tais razões que um personagem literário pode alterar drasticamente a vida de muitas pessoas, porque ele existe simbolicamente de um modo tão real quanto qualquer outra pessoa, viva ou não. Ele, em seu potencial simbólico, cria e institui na sociedade e no mundo sua realidade e concretude, tornando possíveis discussões e reflexões concretas, por parte de pessoas vivas, de aspectos filosóficos, éticos, morais, sociais, etc. Após a criação de Werther, por exemplo, personagem de Goethe de “Os sofrimentos do Jovem Werther”, várias e várias pessoas, profundamente identificadas com tal personagem e sua história, passaram a se vestir como ele, a falar como ele – muitas até tendo o mesmo fim dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre tais dimensões é de inestimável relevância para nossa vida de seres humanos, seres eminentemente simbólicos, relacionais e concretos ao mesmo tempo, seres que estão localizados a todo instante entre o eterno e o profano, ora mais para lá, ora mais para cá, procurando e almejando a todo momento uma maior ou menor síntese entre todos esses diversos aspectos. Permanecer apenas na faceta concreta, ou reconhecer uma preponderância de valor desta instância, pode facilmente nos conduzir a um pessimismo existencial sem limites, já que nos veremos em um mundo descomunal, repleto de problemas de toda espécie, e, em oposição, capazes de apenas algumas poucas ações e atitudes, de acordo com nossa disponibilidade, capacidade, criatividade e vontade. Permanecer preponderantemente na faceta simbólica é algo extremamente perigoso também, pois assim corre-se o risco de simbolizar o mundo inteiro em sua própria alma, arranjar-se entre símbolos e simplesmente esquecer que há um mundo concreto aí fora, ocupado por pessoas concretas, lidando e vivendo entre relações concretas, tomadas por sentimentos e sofrimento concreto. Algo parecido com Nietzsche, que certa vez disse que a única coisa que existia era a Vontade de Potência, sendo a humanidade e tudo o que ela “exige” de nós uma mera abstração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, todos nós que vivemos no mundo podemos influir sobre outros tanto de um ponto de vista concreto como simbólico, sendo que na verdade ambos confluem juntos na ação prática, seja ela uma doação de alimentos, uma conversa em uma praça ou ainda um texto escrito. Toda ação possui estas duas facetas, sendo que a concreta transcende-se pelo simbólico, e o simbólico constitui-se pelo concreto, existindo amalgamados no interior e exterior de cada ato. É extremamente difícil conceber o alcance real de uma única ação específica, já que ela atravessa os mundos simbólico e espiritual humanos. Um pai que maltrata seus filhos está fazendo muito mais mal, do ponto de vista simbólico, do que pode imaginar, não apenas para seus filhos (o que é evidente), mas também para aqueles que o rodeiam e sentem em si mesmos a ação deste homem. O nazismo, neste sentido, não fez mal apenas aos judeus; e os Estados Unidos não destruíram apenas Hiroshima e Nagasaki; eles agiram sobre uma série de símbolos, representações de mundo, concepções de vida, esperanças e desesperanças que habitam o coração de cada ser humano vivente, que pensou, refletiu, sentiu e se emocionou a respeito destes acontecimentos – o que reverbera em todos os campos possíveis e imagináveis da ação e existência humanas. Os responsáveis pela bomba atômica não mataram apenas pessoas – abalaram idéias e ideais, constelaram filosofias e concepções de mundo, de ser humano e de suas relações tecnológicas, éticas e sociais com a natureza e com outras sociedades e mesmo com o mundo inteiro. As bombas atômicas, assim como o nazismo, assim como o capitalismo vigente, fazem estremecer todas as almas humanas, moldando pensamentos, opiniões, sentimentos, isto é, pessoas concretas – que encarnam tudo isso em meio ao jogo de relações humanas que constitui a realidade social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o outro lado também é válido: uma vida digna e uma ação valorosa são muito mais do que uma simples vida ou uma mera ação – é a própria defesa e sustentação, por meio de um ato portador de sentido, da Vida, com tudo aquilo que estiver vinculado a tal idéia, em todas as dimensões e facetas que tal palavra possa comportar na realidade vivida. O mundo simbólico, o mundo dos sentidos, se configura como algo tão, mas tão importante, que não é à toa que quando alguém se vê com sua cultura completamente devastada – por uma ação exterior – ou desgastada – pela própria ação do tempo e do fluxo da cultura -, as possibilidades de adoecer se tornam cada vez mais preponderantes. Como acontece, por exemplo, com algumas populações indígenas, cuja cultura e valores foram profundamente distorcidos e violentados, o que acabou resultando em sua população uma maior taxa de violência, apatia, falta de sentido, desconcerto existencial, alcoolismo, suicídio, etc. – visto que tiveram sua terra simbólica, tanto quanto sua terra natal, invadida e dominada, em função de outros inúmeros fins. Vê-se aqui, clara e amargamente, que o símbolo encarnado pode tanto salvar vidas, como invalidar, calar, extingüir ou até matar outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fins práticos, em nossa sociedade, uma pessoa que toma como ação principal de sua vida pensar a respeito do ser humano não está em oposição a uma pessoa que toma como ação principal algo aparentemente mais concreto (na visão de alguns), como construir e cuidar de um orfanato, já que ambas as ações estão simbolicamente irmanadas. E, talvez, de um modo simplificado, nem há por que tais pessoas ficarem discutindo quem faz mais pelo ser humano, já que ambos estão lidando com aspectos relevantes e essenciais. “Nem só de pão vive o homem” – eis uma frase muito sábia. Mas qual seria a mais importante – alguns poderiam me perguntar? Ora, as duas! Afinal, se alguns poderiam dizer que sem o pão, sem o alimento, sequer seria possível para a pessoa “se dar ao luxo” de ficar pensando e abstraindo; da mesma forma, a falta deste último também pode vir a impedir que haja pão e alimento na mesa de uma parcela considerável da população. E mais, mesmo um simples pedaço de pão não deixa de se constituir como um símbolo, repleto de significados e sentidos para a pessoa que o come – assim como a falta dele também; e um texto mais teórico não deixa de se constituir como algo tão concreto como um pão, capaz de alimentar pessoas espiritualmente famintas de idéias e concepções mais libertárias e humanas, criando novas possibilidades para o desenvolvimento de novas ações e modos de vivência; ou, por outro lado, criando e fundamentando situações capazes de excluir, exilar, adoecer e mesmo matar pessoas concretas, como se vê em diversos momentos da história, seja em uma filosofia nazista ou em uma dada concepção econômica, política e ideológica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para bom entendedor, meia palavra basta, concreta e simbolicamente – ou melhor dizendo: humanamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-6019409155956677125?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/6019409155956677125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=6019409155956677125' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6019409155956677125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6019409155956677125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/04/as-dimenses-concreta-e-simblica.html' title='As dimensões concreta e simbólica'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SBJf6nr9kOI/AAAAAAAAAQ0/zExdwJm8S6g/s72-c/Jesus+Cristo+-+Salvador+Dali.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-1704023348939275230</id><published>2008-04-22T22:15:00.000-03:00</published><updated>2008-04-22T22:37:02.071-03:00</updated><title type='text'>O sentido da vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SA6OOXr9kMI/AAAAAAAAAQk/Q2k1AH3CRMI/s1600-h/krishna11.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192243797932478658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SA6OOXr9kMI/AAAAAAAAAQk/Q2k1AH3CRMI/s400/krishna11.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Se alguém me perguntasse qual é o sentido da vida, eu diria que é identificar-se com o universo inteiro, ou melhor, identificar-se com o Amor Universal, sentir o Amor Universal, ser o Amor Universal - em suma, transcender o ego. Experimentar em si a profunda realidade que somos apenas um. E a inevitabilidade plena, mesmo do ponto de vista físico, de uma distinção absoluta entre nós. Alimentando a intuição de que o desinteresse de um americano quanto ao futuro de seu país, afeta direta e indiretamente minha vida aqui, afeta a sua vida, afeta talvez tudo o que há sobre esta Terra - e mesmo para além dela. E que assim é com tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ter a certeza que cada ação é um ato universal faz com que possamos salvar o mundo através de cada atitude e pensamento nosso, amalgamando em nosso ser e em nossa existência um sentido mais profundo e superior - um sentido espiritual.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-1704023348939275230?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/1704023348939275230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=1704023348939275230' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1704023348939275230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1704023348939275230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/04/o-sentido-da-vida.html' title='O sentido da vida'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SA6OOXr9kMI/AAAAAAAAAQk/Q2k1AH3CRMI/s72-c/krishna11.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-2149680653218065716</id><published>2008-04-16T17:44:00.005-03:00</published><updated>2008-11-19T10:01:20.004-02:00</updated><title type='text'>Elogio à Akiane</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAZq4mRUsDI/AAAAAAAAAQI/k-1mhINrcWU/s1600-h/Akiane.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189953141169500210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAZq4mRUsDI/AAAAAAAAAQI/k-1mhINrcWU/s400/Akiane.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;Qual não foi minha infinita alegria e admiração ao me deparar pela primeira vez com esta jovem artista chamada Akiane! Artista notável em todos os sentidos, começou a receber visões aos quatro anos de idade. Afirmando visitar belos lugares celestiais, provenientes de outras dimensões, entrou em contato com infinitos mundos, com milhares de centenas de cores nunca dantes imaginados por nós – aqui da Terra. Aos seis anos, então, Akiane pôs-se a pintar em detalhes todos os lugares nos quais esteve. Recebia inspirações em sonhos, as quais logo encontravam expressão na tela de pintura. Pouco a pouco, foi adquirindo cada vez mais habilidade e revelando o seu estupendo dom artístico. Com obras profundamente espirituais, de um realismo e uma vivacidade fora do comum, Akiane nos encanta com todo o seu talento e espiritualidade. Dotada de grande maturidade e sabedoria, também escreve poemas e agora já começa a compor também suas primeiras músicas. Contemplar suas obras de arte me fazem quase chorar de emoção e felicidade! Pois ela, em toda sua exuberância criativa e em todo o seu domínio espiritual, revela-se tão além de nosso mero cotidiano, que, inevitavelmente, nos conduz à regiões onde as simples explicações do dia-a-dia não podem adentrar, tampouco arriscar um palpite sem correr o risco de desfazer-se diante de tanta beleza e poder artístico. Contemplando suas obras de arte, nossa mente aquieta-se, em paz ou em profunda admiração, como se intuísse que está diante de algo que apenas o silêncio mais pleno pode conceber e abarcar – sabendo que está a pisar num universo onde magia, realidade e espiritualidade se fundem em imagens impregnadas de mistério, beleza e profundidade. Bem, mas como uma imagem vale mais do que mil palavras, então que cada qual tire suas próprias conclusões, quando a luz do encanto e a perplexidade do espanto diminuir, deixando à mente a escolha de buscar reconstituir este quebra-cabeça de mil mundos, cores e formas – inspirado por Deus. (Conceito, aliás, que nunca havia sido discutido em sua família, até o momento de seus sonhos!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena entrevista e apresentação -&lt;br /&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=PCpN4Nsfz-s"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=PCpN4Nsfz-s&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Site profissional - &lt;a href="http://www.artakiane.com/"&gt;http://www.artakiane.com/&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-2149680653218065716?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/2149680653218065716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=2149680653218065716' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2149680653218065716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/2149680653218065716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/04/elogio-akiane.html' title='Elogio à Akiane'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAZq4mRUsDI/AAAAAAAAAQI/k-1mhINrcWU/s72-c/Akiane.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-4438448332790274851</id><published>2008-04-12T10:22:00.001-03:00</published><updated>2009-04-23T14:20:49.437-03:00</updated><title type='text'>O ponto secreto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAC5b1L3l3I/AAAAAAAAAPw/I-lz44RiS8o/s1600-h/06-brahma.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188350658515277682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAC5b1L3l3I/AAAAAAAAAPw/I-lz44RiS8o/s400/06-brahma.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;(Em função da publicação do livro Poemas Místico-Filosóficos, pela Editora Biblioteca 24X7, este texto, assim como outros publicados neste blog, estará limitado a apenas uma introdução! Obrigado pelo apoio e incentivo, amigos leitores!!)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“O lugar da alma é onde se tocam o mundo interior e o&lt;br /&gt;exterior. Porque ninguém se conhece, a si mesmo, se é&lt;br /&gt;só ele mesmo e não também o outro, ao mesmo tempo.”&lt;br /&gt;Novalis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já sentiram, bem lá no fundo de suas almas,&lt;br /&gt;Na região mais difícil de se alcançar,&lt;br /&gt;Algum minúsculo ponto dourado,&lt;br /&gt;Que ao tocarmos tudo se reveste de encanto e magia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto de extrema e profunda densidade,&lt;br /&gt;Como se em si estivessem todos os segredos,&lt;br /&gt;Do universo e da alma humana,&lt;br /&gt;Da vida e da bem-aventurança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já sentiram este ponto,&lt;br /&gt;Este ponto que nos queima como fogo ardente,&lt;br /&gt;Tornando-nos um com todo o mundo,&lt;br /&gt;Um com toda a vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-4438448332790274851?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/4438448332790274851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=4438448332790274851' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/4438448332790274851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/4438448332790274851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/04/o-ponto-secreto.html' title='O ponto secreto'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/SAC5b1L3l3I/AAAAAAAAAPw/I-lz44RiS8o/s72-c/06-brahma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-1104594211755248607</id><published>2008-02-19T14:15:00.000-03:00</published><updated>2008-02-24T15:12:45.252-03:00</updated><title type='text'>A ilusão do materialista reducionista ou ainda: 1+1=3</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/R8Dy_tWc0OI/AAAAAAAAAO4/TCndkwz6-rw/s1600-h/626459-2793-ga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170399548540768482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/R8Dy_tWc0OI/AAAAAAAAAO4/TCndkwz6-rw/s400/626459-2793-ga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;"O todo é maior do que a soma das partes"&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Psicologia da Gestalt) &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;O materialista reducionista é alguém bem peculiar, que faz coisas altamente incompreensíveis, enquanto se considera a própria sensatez encarnada. Pois tudo é lógico e simples para o materialista reducionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acredita que sua posição social revela quem ele é. “Você não sabe com quem está falando!” – é uma das frases prediletas do materialista reducionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastando saber quem ele é, o materialista reducionista também sabe o que todos são. O materialista reducionista adora apontar o dedo e dizer o que todos os outros são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista tem todas as respostas antes mesmo de formuladas as perguntas. E se surpreende com a indecisão e confusão dos outros. Pois tudo é plenamente certo para o materialista reducionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acredita piamente que a ciência (materialista reducionista) oferece subsídios morais e éticos para uma vida plena e significativa. Ele crê completamente que é produto único e exclusivo dos nutrientes que consome. E que se comer tomate (em algumas semanas) e não comer em outras (dependendo das reviravoltas científicas), ele deixará de ter um câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se porventura o materialista reducionista tiver um câncer, achará que o universo foi injusto com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista despreza Deus, julgando-o um simples delírio coletivo. E se ele acredita em Deus, trata-o como uma coisa que pode jogar em cima dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista troca algumas bases nitrogenadas de um mísero micróbio e sai por aí dizendo que já pode criar vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não se importa de estar girando em uma bola no meio de um espaço infinito para todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não se importa sequer com essa bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista se sente em paz absoluta quando conquista o seu status desejado: casa, comida, sexo e um hobby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não compreende, apenas analisa, quebrando e dividindo as coisas em partículas cada vez menores, desconectando o universo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acredita que a psicologia é redutível à biologia, que é redutível à química, que é redutível a física, que é redutível a algo infinitamente minúsculo – e simples de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista simplesmente entende e ponto final.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;O materialista reducionista vê inimigos em toda parte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;O materialista reducionista analisa pessoas como quem separa as peças de um Maria-Fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não enxerga seres humanos: vê números e cifras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acha que a humanidade é uma abstração. E crê que o que vê em sua TV é mais real do que a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não consegue enxergar que a palavra realidade é uma das palavras mais abstratas que existe, senão a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acredita que não precisa se responsabilizar pelas ordens que recebe “de cima”. Tampouco pelos filmes que encenam ou pelas peças que reproduzem nos cinemas e teatros da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista, apesar de poder ir à igreja, julgaria Jesus um louco se o visse cara-a-cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acha que sabe muito, porque não aprendeu o bastante para ver a dimensão de sua ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acha que não precisa dos outros para sobreviver. Acredita que a fruta nasce na fruteira, a água é criada na torneira, que sempre houve luz elétrica, que o mundo é assim porque assim sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista consegue assistir televisão com a maior calma do mundo. Ele cala-se ao ver uma notícia sobre crianças que “morrem de fome a cada tantos segundos”; em seguida, meio minuto depois, já está comemorando os gols da seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista tem a consciência de um peixinho dourado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acha que os filhos pertencem aos pais, e que todo investimento tem que dar lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista só enxerga a si mesmo no mundo, ou outros iguais a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista manda matar pessoas e manda outras para o manicômio, com a maior facilidade científica possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acha que nada vale mais do que ele encostar sua cabeça no seu travesseiro à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista adora conjugar com pronomes possessivos (principalmente o primeiro do singular).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista se entristece com o tratamento dado aos animais, mas come com a maior naturalidade do mundo, como se nada tivesse a ver com nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista acredita que pobre é vagabundo e desleixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista talvez nunca tenha olhado alguém nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista se acha muito inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista muitas vezes é orgulhoso, arrogante e zombeteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista não consegue entender por que às vezes ele sente alguma grande e profunda tristeza, tão indefinível – já que ele tem tudo o que sempre sonhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O materialista reducionista ama de paixão escrever livros de como se tornar rico e bem-sucedido em uma semana ou em dez passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa o desabafo, mas é duro tolerar um materialista reducionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente posso ver que o materialista reducionista também carrega em si o inefável e o indizível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senão até eu seria aqui um materialista reducionista!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-1104594211755248607?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/1104594211755248607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=1104594211755248607' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1104594211755248607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/1104594211755248607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2008/02/o-delrio-do-materialismo-reducionista.html' title='A ilusão do materialista reducionista ou ainda: 1+1=3'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/R8Dy_tWc0OI/AAAAAAAAAO4/TCndkwz6-rw/s72-c/626459-2793-ga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-6058843952796693494</id><published>2007-11-17T19:07:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T16:27:49.254-02:00</updated><title type='text'>Em busca do Deus Fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus (2ª parte)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rz9Zgin7LUI/AAAAAAAAAEQ/ZroCM1iPn2w/s1600-h/tierra1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133920515810602306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rz9Zgin7LUI/AAAAAAAAAEQ/ZroCM1iPn2w/s400/tierra1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;2ª parte: Aspectos cósmicos&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;Em busca de Deus como síntese do Todo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;"Isto és tu"&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Literatura Védica&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Aqui será tratado mais um aspecto de Deus, que é justamente a dimensão de Deus como síntese do Todo, imagem do Absoluto, de tudo o que há, houve e haverá. Contudo, para tal texto nos será suficiente apenas as medidas mais humildes do presente, as quais em termos históricos bem que poderiam ser vistas como uma fusão e condensação de um passado que desemboca nos dias atuais, trazendo uma confluência de elementos para um presente que, por sua vez, revela-se como portador das sementes e possibilidades do amanhã. É claro que quanto mais amplitude e profundidade determinada consciência puder alcançar, ou, em outras palavras, quanto mais desenvolvido estiverem os seus olhos espirituais, mais e mais tal pessoa poderá transitar do presente para o “eterno” e do “eterno” para o presente, podendo enxergar que tal divisão possivelmente sequer existe, sendo apenas uma arbitrariedade criada em função de uma necessidade imposta pela vida prática. Pois o presente, quando desvinculado dos demais tempos, nos dá apenas uma visão pobre e parcial do que realmente está ocorrendo, a não ser que o presente aqui seja tomado como ponto de encontro do passado com o futuro. Pois quanto menor forem as lentes utilizadas para enxergar a realidade, quanto menor for o seu poder de alcance e amplitude, maiores serão as chances de que o resultado obtido se mostre mais parcial e mais superficial, distante daquela verdade maior que comporta múltiplas facetas, estratos e dimensões, formando uma colossal estrutura que possui e que faz relações para todos os lados, muitas vezes comportando verdades em múltiplos níveis e que, por incrível que pareça, quando tomadas em separado ainda podem guardar certa eficácia e potencial de explicação e de alcance. Quanto mais complexo for o fenômeno estudado ou visto, mais difícil se torna uma explicação meramente causalista, onde A explica o aparecimento de B, ou onde de B podemos deduzir a existência de um hipotético A; quanto maior for a complexidade existente em algum acontecimento ou fenômeno, maiores serão as confluências constituintes de tal fenômeno, de tal modo que toda tentativa teórica e de conhecimento se configure como uma simplificação, um hipotético arranjo de uma possível verdade maior, no sentido aqui de complexidade e amplitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As áreas humanas de conhecimento já haviam se apercebido disso há muito tempo. Nelas, mais do que em qualquer outra área, o conhecimento instituído é sempre um claro recorte, uma apresentação de uma realidade imensamente complexa por meio de alguns dados e elementos que, relacionados entre si, guardam um sentido maior. A compreensão de toda teoria ou visão, sem exceção, se expande para além dos limites das suas páginas e letras para sempre recair no mundo e na pessoa que o criou. É por essa razão que apreendemos melhor aquilo que se afasta no tempo, pois podemos ter uma visão mais abrangente, mais totalizante, como se estivéssemos mais distantes do olho do furacão. Porém, ainda assim será uma opinião, uma verdade relativa, trazendo e pondo à tona algo do fenômeno em questão, algo da pessoa que constrói a opinião ou teoria e algo do mundo em que ela vive. Nesse sentido, qualquer afirmação humana traz algo de político e influi, sim, na vida de outros seres humanos, refletindo como ondas que podem ser transmitidas e/ou amplificadas para múltiplos lados, ganhando novos tons, outras interpretações, correndo pela superfície do mundo inteiro, passados de coração a coração, de consciência a consciência, podendo decidir o destino de muitos, plasmar visões de mundo, construindo e alterando realidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como então buscar uma orientação e um posicionamento nesse imenso e misterioso planeta, sem cair num fatalismo existencial de que a humanidade não passa de um descomunal e trágico jogo de telefone-sem-fio, no qual não se pode crer na veracidade de nada, como se todos falassem o tempo inteiro apenas com o intuito de enganar e de seduzir, sem que daí se possa retirar nada de bom, nenhum trigo desse imenso mar de joio, como se todas as pessoas fossem mal-intencionadas, farsantes, iludidas, ou mesmo simplesmente ignorantes? Essa disposição niilista de mundo, na qual toda fala e opinião se configura como um perverso jogo de poder, só faz levar a pessoa que assim pensa ao mais completo desespero e imobilidade. Pois a vida para tal pessoa deixa de ser séria para tornar-se algo ridículo e casual. Passa a agir mecanicamente – e de uma mecanicidade que sempre a nega e a machuca. Um niilista nunca acredita de todo no que diz, de tal modo que ao fim e ao cabo só lhe resta conviver com um amargo sentimento de desprezo à humanidade, à vida e a si mesmo. (No entanto, há algo de profundamente misterioso na figura do niilista, pois, em essência, só é niilista aquele que se decepcionou com tudo e com todos justamente porque esperou demais de tudo e de todos; talvez, no coração de todo niilista habite o maior dos idealistas – pois no fundo só descrê aquele que um dia precisou muito crer e se frustrou... Talvez isso seja estranho para muitos, mas há algo de extremamente divino no niilismo, mas de um divino, no meu modo de ver, não plenamente desenvolvido, como se esta fosse uma fase necessária para algo maior e mais próprio, e não o fim e desembocadouro do coração humano). Quanto mais tal pessoa vai perdendo a perspectiva, esse pensamento das alturas, das estrelas e dos cumes, mais ela vai estrangulando sua consciência em um cotidiano cada vez mais estreito e asfixiante, pois se uma pessoa já pôde vislumbrar, nem que seja somente por uma única vez, a visão de um todo maior, mais ela terá a necessidade de buscar uma experiência de vida que comporte tal amplitude, seja por uma busca intelectual, seja por uma experiência poética (o céu, o horizonte, o oceano, vastas planícies, ou, por outro lado, o infinito mistério e complexidade de uma flor, de um pássaro, da relação entre eles, a beleza de uma gota d’água atravessada pela luz, etc.), seja ainda pelo contato com o religioso. Eis algo que pode se tornar verdadeiramente trágico na vida de alguém: para quem já experimentou a visão das alturas ou a experiência do profundo, o gosto do raso e do superficial se vê muito mais diminuído. Para aqueles que puderam sair da caverna e vislumbrar o que há para além dela, ser obrigado a voltar para a escuridão é um verdadeiro suplício, de tal modo que algo na pessoa sempre vai pedir esse contato com o maior, com o mais pleno, com Deus... Aquele que teve a oportunidade de ouvir a música dos céus jamais se contentará novamente com o bater de pedras... E de fato há algo de trágico nisso, mas que muitos transformam em uma busca pelo sublime – o que por si só já traz algo de belo e de heróico. Torna-se um trabalho extremamente difícil crer, no que quer que seja, para aquele que teve a ousadia, a coragem ou a ambição de escalar em busca de algo maior, mais belo e mais verdadeiro. É um trabalho que se constrói dia a dia, com minúcia e estudo, com paciência e atenção. Ouvir o que o outro tem para dizer e lhe dar uma chance de que ali pode estar algo de bom e de sincero é mesmo um ato de grande generosidade. Quantas e quantas pessoas ouvem sem ouvir, crêem sem pensar a respeito, concordam apenas para agradar... Ouvir alguma pessoa, um pássaro, uma chuva, se trata de ação tão difícil e profunda que se precisa alcançar um estado de verdadeira prece para entrar em contato com tais experiências. Aliás, seja por qualquer via perceptiva, faz-se necessário buscar esse estado de prece e de meditação, como se buscássemos auscultar aquilo que se quer conhecer por todos os lados, através de todos os modos e atravessando todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem possível que a forma de conhecimento que se aproxime mais daquilo que podemos almejar é uma integração mais ou menos harmoniosa entre nossas sensações, intuições, sentimentos e intelecto, onde cada uma dessas modalidades amplia e pede uma complementariedade e uma integração dos demais fatores. Entretanto, pode-se ter uma grande inteligência ou uma grande capacidade intuitiva e, ainda assim, não conseguir formular nada de altamente profundo ou complexo. Pois a compreensão de algo pede esse amor de compreensão, esse estado de prece, onde a pessoa abandona a si mesmo, desapega-se relativamente de algumas de suas crenças anteriores para contemplar da maneira mais totalizante possível aquilo que impressiona o seu ser. Pois a intuição, quando desenvolvida e liberta, atrai o intelecto para cima, como que o instigando a buscar verdades cada vez maiores e mais abrangentes, ao passo que as sensações e os sentimentos, e mesmo o intelecto, quando não bem compreendidos, podem puxar a consciência para baixo, fazendo-a se concentrar no impulso que se sente ou nos elementos que provocam a sensação, ou ainda na minúscula idéia que explica o objeto. As pessoas que buscam compreender o mundo por desejos mesquinhos distorcem sua experiência para que encontrem no mundo a complementariedade daquilo que buscam. Assim sendo, um homem, por exemplo, que é obcecado por sexo, pode restringir sua experiência com as mulheres apenas a esse critério, e tudo que daí advém. Um latifundiário que pretenda escrever a sua versão da história também pode fazê-la a partir do seu desejo de conservação social. Qualquer idéia ou teoria, no fundo, está relacionada com certos desejos, manifestos e latentes, declarados e escondidos, conhecidos e desconhecidos. Porém, quanto mais nos aproximamos desse amor de compreensão, esse amor que muitas vezes nos faz renunciar os nossos desejos menores, em certo sentido, mais próximo podemos estar da eterna busca de uma imagem mais clara e límpida, com a menor quantidade de distorções... Trata-se se um trabalho imensamente difícil e delicado. E que no fundo vai sim tocar o impossível, pois somente a Deus é possível enxergar algo da maneira mais perfeita possível, integrando todos os níveis relativos dentro do absoluto. Às vezes a intenção pessoal pode ser das melhores, mas pode-se facilmente resultar em um resultado completamente diferente do imaginado. É difícil conceber e prever os profundos e múltiplos efeitos de algo no mundo social – e em qualquer outro âmbito também. São tantas e inúmeras as possibilidades que, quando alguém o faz, logo recebe a alcunha de profeta, mesmo que o faça por métodos nem um pouco sobrenaturais. No entanto, infelizmente existem pessoas que vivem uma vida inteira e só vão se tocar de que não entraram em contato com nada no final de suas vidas, momento esse que são obrigados a ver a vida por uma outra perspectiva – a perspectiva da morte. Então caem na mais absurda angústia, tomando consciência de que desperdiçaram uma vida inteira em bater pedras, enquanto julgavam estar criando a 9ª Sinfonia de Beethoven! Isso se chegarem a tomar consciência disso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre conhecimento e desejo é de tão vital importância que não é à toa que muitos sistemas espirituais coloquem o conhecimento divino e espiritual em oposição ao mundo dos desejos ditos mundanos. Como se dissessem que para a consciência poder se aproximar da Verdade Absoluta, faz-se necessário que ela não seja influenciada e sempre chamada a agir em função de um ou outro desejo específico. Tal relação talvez nos ensine algo sobre a relação que cada um de nós possui com outras pessoas, seja uma comunidade, seja algo que poderíamos chamar aqui de sociedade, estado, ou mesmo a própria humanidade. Por exemplo, existem certos acontecimentos que são absolutamente absurdos, porém muitos parecem não se dar conta disso, ou, se dão conta, não se importam ao ponto de fazer alguma coisa. Um desses acontecimentos é o trânsito urbano ou mesmo o crescimento populacional. A lógica é bem simples: 1. a cada ano que passa cresce cada vez mais o número de pessoas nos centros urbanos; 2. as cidades, com toda sua infra-estrutura, não acompanha esse ritmo; 3. um grande número de pessoas deseja ter um carro pessoal e compra mais e mais carros; 4. muitos reclamam diariamente do trânsito e do quão insuportável é viver em uma cidade grande; 5. repetição exponencial dos quatro primeiros itens. Bem, agora surge a questão: por que as pessoas preferem continuar a se frustrar e a reclamar ao invés de pensar no problema de uma maneira mais abrangente? Dizer que as pessoas não têm capacidade intelectual para relacionar esses quatro primeiros tópicos é uma imensa simplificação. A grande maioria das pessoas têm capacidade intelectual de sobra para fazer tais relações. O que ocorre aqui é claramente uma questão de apego pessoal. A pessoa pode até saber que o trânsito da cidade está insuportável, que a cidade não comporta um número maior de carros, entretanto quem disse que esse é um problema dela? E aqui surgirão diversas desculpas: ah, a culpa é do estado que deveria fazer a cidade crescer; a culpa é de quem cuida dos outros meios de transporte, porque se estes não fossem tão precários e lotados, ela até que poderia pensar em ir ao trabalho de ônibus, etc. Eis um grande problema da mentalidade atual, dois aliás: entender o estado, o país, ou o que quer que seja, como algo separado e que funciona autonomamente e do qual não somos responsáveis; e manter uma certa cultura da reclamação, onde muitos reclamam de tudo e parecem realmente se satisfazer com isso, para voltar a reclamar no dia seguinte, e assim indefinidamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que quanto mais objetivo for um conhecimento ou quanto mais abrangente, amplo e abstrato ele for, mais difícil torna-se à consciência restrita, altamente apegada a seus desejos pessoais e crenças endurecidas, manter, sustentar e buscar agir em função desse conhecimento maior. É quase como se fosse um sistema de forças da física clássica: quanto maior o apego pessoal, ocasionado por algum desejo egoísta, menos a consciência vai poder se afastar do centro de seus interesses, de tal modo que uma pessoa muito aferrada a determinado desejo, digamos, um grande capitalista que adora o dinheiro acima de qualquer coisa, pode, por meio da distorção que esse desejo lhe provoca, deixar de ver a humanidade daqueles que trabalham para ele, como se tal palavra fosse a mais absurda e distante das abstrações, chegando muitas vezes a passar por cima de todo ou qualquer sentimento que os seus trabalhadores possam ter, podendo até chegar a acreditar, de maneira abominável, que ele até faz um bem para eles... É óbvio que na vida real as coisas se revelam muito mais complexas do aqui está descrito. Muitas pessoas possuem uma consciência intelectual que as faz muito conscientes de tudo isso, mas, como o desejo egoísta predomina, organizam em si todo esse conhecimento com a intenção de fazer dele um uso perverso e ideológico. Quantos e quantos empresários e governantes não jogam com os interesses dos grupos sociais apenas para conquistarem os seus interesses? Quanta gente só “vê” que muitos passam fome, que muitos não tem hospitais e escolas só quando isso lhes é conveniente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase como se os vários conhecimentos, as várias e múltiplas idéias, estivessem circulando por aí, algumas aqui, outras ali, mais outras acolá, apenas aguardando um estado de consciência que as possa captar. Quantas pessoas não vêem o valor da vida apenas quando vivem uma experiência de quase-morte? Como se recebessem um chacoalhão que faz a pessoa passar em revista todos os seus velhos valores, analisando e diferenciando aquilo que realmente lhe é importante daquilo que lhe é dispensável. É por essa razão que o simples conhecimento de algo não necessariamente vai tornar as coisas melhores... Nossa humanidade de hoje está repleta de situações absurdas e cretinas como aquela lógica do trânsito urbano. Temos uma produção alimentícia tão grande que ninguém nesse mundo precisaria passar fome, entretanto, devido ao interesse mesquinho de alguns, ao complexo e intricado mercado financeiro, a todo esse jogo de poderes, mais da metade do mundo vive em situações da mais completa miséria! Mais da metade! Só não vou aqui escrever o número para não dizerem que estou sendo sensacionalista... Outro exemplo é a descomunal exploração humana dos recursos naturais. Não precisa ser nenhum gênio para saber que caminhamos para o total colapso das forças naturais. Entretanto, muitos ainda continuam a agir naturalmente, talvez até contentes pelo fato de que alguns concorrentes diretos já começam a demonstrar uma preocupação ambiental, fato esse que irá encher mais o bolso daqueles que nada fazem a não ser agir a seu bel-prazer. Tais pessoas, donas desse egoísmo tão absurdo, só vão promover alguma mudança na configuração do contexto mundial quando tiverem algum outro motivo egoísta para tal, como quando se depararem que elas poderão adquirir um câncer ou que a cidade em que está o seu complexo industrial pode ser completamente inundada daqui dez anos... Os outros, que possuem um desejo pessoal que não é doentio como daqueles, já começam a pensar em medidas para atenuar ou reverter tais processos. Mas outros ainda apenas começarão a fazer algo quando o mal estiver sobre as nossas cabeças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que nunca se faz necessário reconhecer esta outra faceta de Deus, aqui tomado como síntese e representação do Todo. Ele seria Aquele para o qual todos os desejos humanos deveriam apontar, parâmetro e estruturador de nossa experiência no mundo enquanto humanidade. Afirmar que o mundo é de Deus é apenas uma maneira, das tantas possíveis, de dizer que o mundo não pertence simplesmente aos homens - quanto mais a um pequeno grupo de homens! -, e que estes não têm o direito de fazer o que bem entendem com tal mundo, usufruindo-o de maneira irresponsável e destrutiva. Afirmar que o mundo é de Deus é o mesmo que dizer que o mundo é igualmente de cada ser humano existente neste planeta, de cada animal, de cada planta – ou seja, o mundo é de todos e de cada um. Deus aqui surgiria como um símbolo que unifica a vida e a humanidade de tudo o que existe neste mundo. E é preciso que cada ser vivo neste planeta valha como uma representação desse todo, como se cada ser vivo fosse uma própria personificação da Vida. Deus, como síntese do absoluto, símbolo da vida na Terra, existe então como abstração e em cada um de nós; porém não se trata de mera abstração teórica: o desrespeito a esse Deus fará com que os seres humanos colham a conseqüência daquilo que estes mesmos plantaram. Deus, portanto, é a síntese de um processo imenso e de difícil apreensão. Mas um processo real e que se desenrola em nosso cotidiano, sejamos conscientes ou não dele – um processo que vêm ocorrendo desde os princípios dos tempos e que ocorrerá até o seu final, estejamos aqui ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais, tanto quanto nós, possuem uma experiência própria de mundo, um saber particular, um estilo de vida, e devem, por isso, ser respeitados em suas idiossincrasias. Eles possuem, tanto quanto nós, uma consciência, e se isso for difícil de provar, possuem certamente sentimentos bastante semelhantes aos nossos, tais como medo, angústia, solidão; eles podem passar fome, frio, podem sentir-se desamparados, desenraizados, etc. Atualmente vêem-se diariamente florestas inteiras serem destruídas, mares inteiros seres intoxicados, tráfico de animais e plantas, espécies inteiras serem fatalmente dizimadas, predatismo cego e voraz sem qualquer preocupação ambiental e com o futuro das espécies, que são todas inter-relacionadas, e toda uma lista de crimes que, por si só, já daria um enorme trabalho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se isso vale para os animais, o que se dirá dos seres humanos! De fato, não se pode falar em um mundo civilizado onde seres humanos passam fome, onde seres humanos não possuem as mínimas condições de vida e de desenvolvimento, onde seres humanos não têm escolas, hospitais, locais de recreação, de troca cultural, etc. Não se pode falar em mundo civilizado onde metade das pessoas sobrevivem na miséria como se isso fosse algo simplesmente normal. Não se pode falar em mundo civilizado onde alguns poucos países detém muito, desperdiçam e exploram, e onde outros são abandonados à própria desgraça, o que longe de ser uma fatalidade do destino, é também muito bem explorada por empresas oportunistas, tais como as de armas, as farmacêuticas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão de que o Deus que se venera em todas as religiões é o mesmo. A compreensão de que a sociedade que se quer preservar, o meio ambiente que se quer proteger, a humanidade que se quer saciar, não passam de gradações contidas nessa idéia de Deus, síntese do Todo vivo, síntese do planeta inteiro, poderia - por que não? - gerar uma revolução na humanidade e na relação deste com o restante do planeta. É claro que não espero aqui criar uma utopia global, como se de um dia para outro, isso pudesse se tornar realidade; no fundo, tal texto é muito mais um esforço para a integração de uma realidade cada vez maior de um todo que nos atravessa e nos ultrapassa, porém sem nos negar. Isso é importante, pois não estou aqui fazendo apologia de entidades monstruosas que poderiam ocupar o lugar de Deus, lançando ordens e arbitrariedades para todos os que estão submetidos a “Ele”. Faço aqui um esforço de sacralização da Vida e de tudo o que há sobre este planeta e, quem sabe, de tudo o que há também para além dele. Faço aqui um esforço para revitalizar a idéia de Deus, para que Este não acabe como um conceito vazio ou como um velho que nos ama e que fica apenas sentado sobre uma nuvem por toda a eternidade... Faço aqui, enfim, um esforço na contra-mão do individualismo mesquinho, que não consegue enxergar relações em mais de duas sentenças, por medo de desfazer-se ou questionar os seus “sagrados” interesses e direitos pessoais... E faço aqui também um esforço na contra-mão do totalitarismo que reina sob este planeta, onde grandes multinacionais e poderosos estados se julgam acima da Vida, acima da lei, acima de tudo o que há, passando por cima de tudo e de todos como um trator que submete e subjuga com uma voracidade e uma monstruosidade talvez mais perversa da que se via nos tais tempos não-civilizados, nos tais tempos bárbaros... Ao menos, em tais tempos não se escondia a violência! Hoje sequer tal “dignidade” podemos reivindicar. Atualmente, atrás de todo assassino há sempre uma equipe de limpeza e assepsia e uma outra para criar uma versão oficial... Tristes tempos os nossos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, vivemos sob nacionalismos esdrúxulos, e sob uma idéia de competitividade que é verdadeiramente selvagem. Neste mundo em que impera soberanas as formas mais baixas de poder e as mais deslavadas hipocrisias, é aberto por um lado fendas terríveis sobre a superfície da Terra, separando e apartando os homens uns dos outros, e por outro cria-se cisões e feridas profundas no coração humano. O mundo torna-se, então, falso e dissociado. O trabalho torna-se alienado e degradante. O pensamento e a palavra, desvitalizados e vazios, perdem o seu caráter transcendente, tornando-se concretos, pesados, atrasados, fragmentados. Vivemos em um mundo em que qualquer idéia bela provoca-nos um misto de tristeza, ironia e amargura, como se tudo cheirasse a ideologias toscas e ingênuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mundo que tem o belo como falso, a verdade como mito, o real oculto por trás de relações sociais dirigidas por valores tais como o amor ao lucro, a primazia da fama, da aparência e da imagem, a busca por um sucesso fácil e a qualquer custo, mesmo que às custas de outras vidas e de muitas lágrimas – tudo isso dirigido e manipulado por uma entidade monstruosa e demoníaca denominada ora de Capital, ora de Mercado Financeiro... Enquanto os homens padecem de solidão e desesperança, aprisionados por um contexto que os esmaga e os tornam cada vez mais perdidos, a humanidade reza amedrontada e assiste atônita a variação dos “humores” dessa terrível divindade que, caso desperte um dia de mau-humor, pode fazer um país inteiro quebrar e naufragar como se fosse um barquinho de papel – barquinho esse que guarda em seu bojo alguma cifra monetária e alguma estatística populacional! Convenhamos, que mundo ridículo o nosso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em função de tudo isso – corrupção, miséria, crise econômica e ambiental, ameaças atômicas e nucleares, conflitos civis e políticos, etc. – faz-se necessário uma nova concepção de mundo, um novo conceito de civilização, de humanidade, de natureza e de Deus. É preciso criar idéias cada vez mais totalizantes e integradoras, idéias que não segreguem os seres humanos, lançando-os uns contra os outros, de maneira cega, perversa ou irracional; é preciso que as grandes e mais poderosas civilizações não explorem e pisoteiem as menores, aproveitando-se oportunamente das mais diversas situações, independentemente do que poderá ocorrer na cultura, nos seres humanos e no contexto ambiental existente em tais lugares; é preciso, enfim, que a humanidade não se veja como senhora absoluta da natureza terrestre, prostituindo-a e abandonando-a a sua própria sorte. A idéia de Deus como síntese do Todo, longe de ser fruto de uma mente fanática, é apenas uma forma de dizer que fazemos parte, sim, tanto física como espiritualmente, de um contexto de infinitas relações, materiais e simbólicas, que nos atravessam, nos determinam, nos influenciam e nos oferecem os subsídios necessários a fim de que tenhamos uma vida plena e digna ou destituída de qualquer sentido e valor – aqui entendidos em um sentido mais amplo e profundo, já que, por pior que esteja a situação, não se pode falar em ausência absoluta de sentido e valor, pois isso é próprio e intrínseco do ser humano e de seu existir no mundo: mesmo um escravo possui socialmente um sentido negativo contra o qual ele pode se rebelar, ou ainda uma cultura própria que, por mais machucada que esteja, ainda assim pode oferecer-lhe uma dignidade espiritual frente às adversidades de seu dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, não importa se chamaremos tal idéia de Deus, Gaia, humanidade, planeta Terra, etc. Os nomes aqui podem ser os mais variados, e as gradações, múltiplas e versáteis. O importante é que eles não se anulem uns aos outros, que eles não destituam outros nomes que são praticamente equivalentes e promotores de um efeito semelhante. Como seria belo um mundo em que cada um dos seres vivos existentes pudesse ser tomado como uma representação total, um símbolo vivo do infinito mistério do Todo! A natureza é tão complexa que não se pode sequer conceber os efeitos ambientais de um único beija-flor que é retirado de seu contexto ambiental. Não se pode conceber quase nada – eis a verdade! A totalidade da vida e do mundo, a totalidade do universo é algo tão imenso, tão colossal, de proporções tão fora de qualquer medida, que, como bem disse Simone Weil, uma pessoa que se ajoelha diante de Deus, diante de tudo isso, está muito mais próximo da verdade e da sabedoria do que alguém que deseja pôr o mundo inteiro em sua cabeça – e o pior, que acredita piamente que tem o mundo inteiro dentro de sua cabeça! A Vida é inesgotável e infinita! O Todo não tem limites e não nos dá alternativa para representá-lo de modo fidedigno que não seja considerando-o como algo muito maior do que nós, cuja presença nos deveria suscitar respeito e humildade, amor e veneração. Qualquer esforço em busca de uma verdade que nos oriente deve ser feita com todo o cuidado, ou, ao menos, com toda humildade e consideração. Mas o que se vê são homens e mulheres donos dos comportamentos os mais torpes e primitivos: acumula-se dinheiro e agarra-se a teorias científicas como uma criança egoísta e mimada que não quer largar a chupeta ou abandonar o brinquedo. Bem, em uma criança isso ainda é desculpável, mas em um adulto... Há algo de terrivelmente infantil, no sentido mais negativo da palavra, em muitos seres humanos. Deseja-se dominar o mundo inteiro e conquistar uma pretensa verdade universal, mas não se tem paz suficiente, maturidade e generosidade para saber que tudo o que se faz em vida é apenas um passo ou um degrau para algo que está muito além de nossa imaginação. Em vida, desceremos apenas um trecho do rio da Vida. Quem quiser agarrar e tomar toda a água para si, guardando-a nos bolsos ou dentro de sua barriga, apenas estará construindo sua própria tragédia; e aquele que quiser derrubar todos os demais do barco, fazer uma barragem, desviar o curso do rio, cobrar pedágio, torná-lo depósito de excrementos e lixo industrial... esse, meu Deus, não passa de um facínora criminoso – o mais baixo dos seres! Aquele que perdeu de vista tudo aquilo que há de mais valioso neste mundo. Aquele que, além de não reconhecer sua profunda humanidade, destitui os demais de seus valores, tornando-os simples objetos para o seu usufruto e interesse. Este homem, que existe tanto fora como dentro de nossos corações, é a própria personificação de tudo o que de pior e mais detestável há no ser humano, fazendo oposição direta com a própria idéia, mais generalista e universal, de Deus. Aquele que quiser buscar Deus em seu coração, identificando sua vida com Ele, terá que aprender a abandonar ou a trazer sob um domínio espiritual maior tudo aquilo que há de mais demoníaco e destrutivo em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com dificuldade e sacrifícios pessoais que se ganha pouco a pouco amor à idéia de Deus. Bem sei que o que escrevo aqui é um pólo extremamente idealizado que faz oposição a certos estilos de vida e modos de governo e de economia, cujas presenças hoje estão bastante cristalizadas. Porém, afirmo que são os pequenos, mas não insignificantes efeitos na consciência daquele que vive tais conceitos que se constituem como o objetivo de tal texto. Vejo a idéia de Deus como síntese do Todo como uma maneira de se estar buscando com a consciência, sempre e em todo momento, uma compreensão e uma vivência mais amplas e profundas. Nesse sentido, Deus como síntese do Todo não existe apenas no alto do planeta Terra, envolvendo hiper-estruturas econômicas, complexos contextos políticos, imensas e profundas configurações culturais e religiosas, etc., mas existe também em qualquer coisa ou idéia que almeje sair do indivíduo e do estabelecido, fazendo-o buscar algo que está sempre para além dele ou para além de sua compreensão imediata. Deus como síntese do Todo, portanto, existe em cada ser vivo, em cada relação, em cada família, em cada comunidade, em cada país, em cada continente, etc. Se o que aqui está escrito ajudar as pessoas a lidar melhor seja consigo, seja com sua família, seja em seu ambiente de trabalho; se algo nessa pessoa se abrir no que diz respeito às condições de vida de outros seres vivos, de sua comunidade, de sua cidade ou país, entendendo aqui como algo que esteja orientado sempre para mais além, e não no sentido de exclusão e competição entre grupos – tal texto terá cumprido a sua função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se é verdade que há em nós desejos que nos fazem almejar a posse de pequenas “verdades”, como se fossem verdades absolutas, e de alguns “objetos”, como se eles existissem justamente para estar sob nosso domínio, também há no fundo de nossas almas o desejo pelo Absoluto e pelo Todo. E o preço dessa infinita busca por algo que está sempre para além de nossa capacidade exige de nós esse desapego, essa calma em saber que a água estará sempre correndo e, por mais que desejemos, sempre escorrerá por nossos dedos, voltando ao seu eterno fluxo. Eis aqui a diferença básica e essencial entre alguém que age em função do poder pessoal e outro alguém que age por amor a algo que é maior do que ele próprio. A sensação de poder gera esse profundo apego às coisas do mundo, seja uma idéia, uma teoria, uma grande empresa, etc. O amor, por outro lado, já nos atrai para o contato cada vez mais próximo com aquilo que amamos. A pessoa que ama sempre quer se aproximar mais e mais do seu ideal, nunca julgando o degrau em que está situado como o destino último da humanidade. Sempre haverá mais degraus. E quanto mais próximo se está do objeto amado, quanto mais próximo do cume, mais alegria e entusiasmo tal pessoa sente, e mais ela busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse pouco de tempo que nos é concedido viver já é o suficiente para nos preencher de muita vida e experiência. Todo aquele que tiver a coragem de desapegar-se, portanto, de suas posses no mundo poderá tornar-se um sábio e alcançar uma certa paz e quietude, apesar de ainda possuir plena capacidade de indignar-se e de revoltar-se quando necessário. Por outro lado, aquele que quiser dominar o mundo e ter para si todo o conhecimento e toda a verdade, terá uma grande possibilidade de levar uma vida de total frustração diante de suas expectativas, seja no campo material, seja no campo espiritual. A vida não foi feita para corações duros, mentes inflexíveis e mãos fechadas... Tais características apenas acentuam os conflitos, a desordem e o ódio. E cria situações que, se formos analisar em sua faceta ideal, são bastante estranhas. Por exemplo: como pode protestantes e católicos na Irlanda brigarem nas ruas com paus e pedras, se ambos os grupos ajoelham-se toda semana e rezam para um homem que pregou que o outro é nosso irmão e que deveríamos amar o próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas? Porque, por diversos fatores históricos e espirituais, o próximo para muitos deles vai até os limites de seu grupo religioso, e a graça de Deus apenas paira sobre a cabeça dos integrantes de seus pares. Antes do próximo ser um irmão, filho do mesmo Pai, e portanto digno de amor, o que é uma concepção extremamente universalizante e integradora; o próximo é um católico ou um protestante, portanto, um inimigo mortal. Se a condição original era ser filho de Deus, passou a ser vista pela ótica mais estrita dos valores e concepções frutos do contexto social. O outro, ao invés de ser valorizado por uma “ética divina” e que tende ao eterno e universal, é (des)valorizado por preconceitos locais e efêmeros – tomando aqui uma ética mais integradora como a base moral original ou final que caberia ao ser humano resgatar ou alcançar em sua vida. É claro que sobre tal exemplo poderíamos levantar várias outras questões, porém, é fato que muitos se apegam mais aos grupos, excluindo os demais, do que às palavras e ideais exaltados. Se Jesus se encontrasse com Buda, alguém acharia que eles sairiam brigando? Não importa que as palavras sejam diversas; o que importa é que a idéia e o coração que comporta tal idéia seja semelhante, senão até idêntico. Se Buda se encontrasse com Jesus, eles conversariam por horas e horas. Eles adorariam se encontrar! Assim como qualquer um que ame mais profundamente o seu espírito divino do que algumas denominações sociais ou interesses políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclui-se então que o mais importante e relevante é o cultivo de uma nova consciência que realmente busque amar e preservar a vida, o mundo, e todos aqueles que nele vivem. Que busque integrar tudo sob uma ética que valorize a opinião e o ser total do outro. Que promova estilos de vida cada vez mais conscientes do ambiente que nos entorna, devolvendo ao público a sua condição própria de algo que é para todos e não de algo que é de ninguém. Pois o público atualmente anda tão abandonado e tão desprezado, que se vê literalmente pessoas saindo à porta de suas casas para jogar papel na rua, ou jogando embalagens inteiras pela janela dos ônibus, ou a injustiça mais evidente que cada um finge não ser com ele. Talvez nunca o homem foi tão sozinho no meio de uma multidão como o é hoje. Tudo é banalizado e naturalizado, como se todos que chegassem em suas casas, após o expediente de trabalho, já esperassem a sua cota diária de favelas pegando fogo, soterramento de crianças, mendigos nas calçadas, rios poluídos transbordando, engarrafamentos quilométricos, violência e agressão urbana, escolas sem aula, hospitais lotados, corrupção generalizada, burocracia estúpida e enlouquecedora, etc., etc., etc. Sem saber o que fazer, vítima desse mundo que parece que é de ninguém, a pessoa desiste de viver, desiste de pensar. Fecha-se toda dentro de si, satisfazendo suas frustrações espirituais com um consumismo cada vez mais exacerbado e inconseqüente. Deixa de encontrar relações entre as coisas mais óbvias. Perde as causas entre os múltiplos efeitos do dia-a-dia. Reclama da enchente, mas não consegue perceber que o papel que jogou no bueiro pode ter relação com isso. Reclama dos “assassinatos gratuitos”, mas não consegue perceber que a venda de armas nas lojas pode ter influência nisso, como se vê em alguns lugares nos Estados Unidos, mas não só. A pessoa fica sozinha, consumindo um noticiário repetitivo e que só faz mostrar como estamos de “mãos atadas” diante de tal realidade – isso se tal noticiário não mascarar completa e intencionalmente o mais essencial. Depois, tal pessoa não conseguirá enxergar que a raiva que ela sente de vez em quando, ou sempre, a vontade de destruir tudo, pode ter sido causada por esse mundo absurdo em que ela vive, que nós construímos para nós mesmos. Tudo se torna dissociado e desintegrado. Cada ação parece não ter nada a ver com as demais. A pessoa vive com medo de sofrer um assalto, enfrenta um trânsito interminável, viaja duas horas nos ônibus e metrôs lotados ao lado de pessoas que parecem mais estranhos do que outros cidadãos, convive em uma cidade que tem em muitos pontos uma aparência lastimável, carrega sempre consigo a sombra do desemprego, e quando surge um surto de raiva, simplesmente não entende por que assim está se sentindo. Vai e toma um remédio como se fosse um doente dos nervos ou um estressado devido ao trabalho, se não arranjar uma outra situação específica para responsabilizar como promotora de sua raiva: - “Eu já disse para minha esposa que odeio quando ela tira os meus chinelos do lado de minha cama!”. E, enquanto isso, a maquinaria social continua a girar, continua a abrir fendas cada vez mais profundas entre as pessoas, distanciando-as umas das outras, dissociando o seu agir do seu sentido e das suas conseqüências de longo prazo e mesmo, em alguns casos, das suas conseqüências imediatas. Todos sabem que deixar a janela aberta numa noite de frio e caminhar descalço no piso gelado da cozinha pode nos trazer um resfriado; mas, infelizmente, muitos não conseguem fazer tais relações quando o organismo é algo maior, como a sociedade ou o planeta em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ponderando, faz-se necessário aqui dizer que muitos sabem sim, que muitos agem cotidianamente para a promoção de um mundo mais consciente e mais saudável, um mundo mais belo e mais humano. Tais pessoas são verdadeiros heróis! E merecem todo o aplauso. É importante não perder isso de vista a fim de que não sejamos levados pela correnteza da desesperança e do “não tenho nada a ver com isso...” Cada qual tem um gosto específico, uma característica própria, algum talento especial, algo que possa oferecer para os demais, ao mesmo tempo em que satisfaz o seu coração, algo que alargue as fronteiras, que aproxime os homens, que revele outras alternativas, outros modos de viver, uma nova concepção de arte, uma inovadora filosofia na maneira de governar, de gerenciar uma empresa ou uma escola, etc. Mesmo que seja dedicando-se dia-a-dia a mostrar o absurdo aos nossos olhos, se este absurdo for trabalhado a fim de criar algo positivo, de chamar a atenção seja dos responsáveis, seja da população, pode configurar-se como uma atitude responsável e digna, que busca tirar as pessoas da letargia e da indiferença em que todos podemos cair vítimas – e talvez não haja nada mais triste do que isso. Quanto mais distante a pessoa estiver do sentido de seus atos, mais distante ela estará de si mesma e dos demais. E maiores serão as chances de que ela possa cair vítima dos seus “obscuros” sentimentos e emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o ser humano não acolher uma concepção mais ampla de humanidade, algo que envolva o máximo de relações, o máximo de seres e condições de vida; se o ser humano não fizer isso por bem, chegará o dia em que certamente terá que o fazer por mal – e não é necessário ser nenhum profeta para afirmar isso. O efeito estufa, as crises ambientais, as acentuadas alterações climáticas, as catástrofes naturais, as espécies em extinção, a violência generalizada, as calamidades públicas... Tais fenômenos aparecem diariamente em nossos jornais e revistas como que nos alertando sobre o nosso agir sobre o mundo. Trata-se aqui de uma “nova cultura” para essa nossa tão cega civilização, que, coincidentemente ou não, já vinha sendo profetizada desde os tempos mais remotos, por povos que sequer poderiam conceber, por vias normais pelo menos, a tal ponto de complexidade cultural e tecnológica chegaríamos na virada para o terceiro milênio; mas que, no entanto, tinham pleno conhecimento das perigosas relações que o ser humano pode gerar no ambiente em que vive. Tais povos até podiam ter os seus defeitos, como é bem possível que os tinham (não cabe aqui idealizá-los completamente), contudo sabiam que tudo o que existe é divino e não se encontra separado do existir espiritual humano. Em níveis profundos de nossa alma, tocamos e vivemos nesse âmbito do Todo, quer tenhamos consciência disso ou não. E quando o homem souber que tudo é sagrado e está em relação consigo próprio, então ele talvez comece a tratar tais coisas com o amor e o cuidado que elas merecem, seja um grão de areia, uma planta, uma flor, um animal, uma pessoa, uma casa, uma cidade, um país, o universo. Em verdade, Humanidade, Natureza e Vida são diferentes nomes de Deus no reflexo do mundo material e fenomênico. Por que então não os amar como de fato devem ser amados? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-6058843952796693494?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/6058843952796693494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=6058843952796693494' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6058843952796693494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/6058843952796693494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2007/11/em-busca-do-deus-fenomenolgico-ou-sobre.html' title='Em busca do Deus Fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus (2ª parte)'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rz9Zgin7LUI/AAAAAAAAAEQ/ZroCM1iPn2w/s72-c/tierra1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-7670456001551512901</id><published>2007-10-11T16:04:00.003-03:00</published><updated>2008-12-05T18:53:03.736-02:00</updated><title type='text'>Em busca do Deus Fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rw_iAIkVhCI/AAAAAAAAAD0/QgdRMqi6puk/s1600-h/TA17.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120559793271309346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rw_iAIkVhCI/AAAAAAAAAD0/QgdRMqi6puk/s400/TA17.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;"Mestre não é quem ensina&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;mas quem de repente aprende"&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Guimarães Rosa - Grande Sertão Veredas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Irei discorrer aqui sobre alguns aspectos de Deus. Tal texto pode ser compreendido como um esforço de aproximação consciente em direção a Deus e de alguns efeitos que tal aproximação nos provoca. Como aqui não será possível comprovar a veracidade metafísica de tais palavras, o texto pode ser fundamentalmente compreendido tanto pelo lado psicológico e filosófico como também por um lado mais ético e moral. No entanto, faz-se necessário que se diga que o esforço aqui é direcionado numa perspectiva espiritual, ou seja, um esforço que atravessa e cruza os mundos físico, psicológico e metafísico, integrando-os e relacionando-os em suas diversas especificidades. Como toda tomada de consciência, sobre o que quer que for, é algo positivo e esclarecedor, em certa medida, resolvi então escrever esse texto a fim de dar uma pequena contribuição para tal assunto. E também tendo a intenção de mostrar que a idéia de Deus, longe de ser uma excentricidade ou um simples delírio psicológico, fruto de alguma carência de ordem patológica, trata-se, na menor das hipóteses, de um conceito extremamente rico e de altíssima amplitude, capaz de estruturar a experiência humana, como se ela aqui fosse vista por olhos muito mais distantes que os habituais ou então por olhos muito mais profundos - olhar esse que, como um grande espelho cósmico, nos revela a nossa verdadeira dimensão, abrindo-nos à experiência do absoluto, sem perder o contato com a fugacidade da vida, integrando em si as diversas facetas do contato humano com o mundo, como se fosse o vértice que unifica os lados e as arestas de uma pirâmide. Existindo realmente ou não, e independente do que Ele seja e de Suas formas de expressão, a idéia de Deus, mesmo que surgindo com outros nomes, configura-se como uma idéia arquetípica para a consciência humana, a qual necessita sempre de um outro, real ou imaginário, para servir-lhe de parâmetro às suas idéias e concepções - à sua experiência de mundo e de realidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;1ª Parte: Aspectos Intelectuais e Cognitivos&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ou&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em busca de Deus como Verdade Absoluta&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Deus, sendo a Verdade Absoluta, configura-se como Aquele que está para além de toda e qualquer verdade relativa. Ele é o ser que se localiza no ponto mais alto ou no ponto mais central, de onde pode abarcar, ver e compreender todas as infinitas verdades relativas. Deus, então, por estar situado para além de todos os fenômenos, pode compreender a todos os seres e objetos que se localizam abaixo e dentro Dele, de tal modo que cada uma das infinitas verdades relativas possa ser posicionada em algum ponto em relação à Verdade Final – esta que, longe de estar meramente localizada no fim, atravessa gradativamente a todas as verdades relativas, unificando-as e estruturando-as em um grande espaço cósmico de infinitas e múltiplas perspectivas. Cada uma de tais verdades pode, então, ser compreendida como um degrau que tem como meta final a Deus, que é a Verdade que está para além de nossos falhos sentidos e de nosso precário intelecto. Ou, em outras palavras, é bem possível que cada verdade relativa carregue em si algo da Verdade Absoluta, porém jamais a tocando em sua total e profunda completude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, Deus torna-se o alvo e o objetivo de todo filósofo, pesquisador e inquiridor, independente de sua natureza e espécie, e independente se Deus existe como uma entidade consciente ou simplesmente como uma verdade psicológica. Poderíamos perguntar: o que é uma árvore? Ou então, o que significa a palavra árvore em relação com o objeto que tal palavra pretende representar? No fundo, a palavra árvore não passa de um super-reducionismo cognitivo. A palavra árvore não passa de um mero nome para indicar e trazer à mente algo que está muito além de poder ser apreendido com os nossos sentidos ou com o nosso intelecto. No âmbito da Verdade Absoluta, ninguém pode saber o que de fato é uma árvore, ou o que existe para além e ao cabo de tal palavra. A não ser Deus, obviamente, ou alguém que possa ter uma experiência de realidade semelhante à Dele, tudo o que podemos fazer é criar aproximações do que de fato seja uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso for válido para um objeto como a árvore, que apesar de sua imensa complexidade e riqueza ainda é algo de consistência bem física, o que dirá para realidades mais etéreas como o mundo psicológico ou mesmo o mundo espiritual! O fato é que em termos humanos não existe qualquer tipo de Verdade Absoluta que possa ser apreendida ou interpretada em sua totalidade e amplitude. Podemos alcançar apenas algumas verdades relativas. As quais, longe de serem desprezíveis, configuram-se a nós como de extrema importância. Não é possível chegar à Verdade Absoluta do que seja uma árvore ou a Verdade Absoluta de um crime praticado, porém pode-se ao menos alcançar verdades bastante úteis e benéficas a respeito de tais coisas, e que, por conseguinte, se aproximam em certa medida da Verdade Absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo nessa mesma linha de raciocínio, faz-se necessário aqui dizer que, assim como a Verdade Absoluta é um ideal de todo inatingível para a mente e a percepção humanas, todos os demais conceitos absolutos também o são. Não existe na humanidade Justiça Absoluta, Opinião Absoluta, Gozo Absoluto ou mesmo um Cristão Absoluto, um Existencialista Absoluto, um Cínico Absoluto, a não ser que estes sejam seres ideais, criados na imaginação de um povo ou provenientes de uma "realidade supra-humana", que está muito além de nossa compreensão. Falar sobre Krishna, Jesus Cristo, Buda, etc., é visualizar e discorrer sobre esferas de entendimento que estão muito além de nossa vaga experiência. Em essência, tais seres são inapreensíveis, mais do que qualquer outra coisa neste mundo. São inefáveis e incompreensíveis. Personificam em si mesmos todo o imenso e infinito mistério da Vida e do Universo. Interpretar, portanto, tais seres como pessoas normais, e suas palavras como meros conceitos ideológicos, é roubar e extrair Deles e de Suas palavras todo o profundo conteúdo místico e espiritual ali contidos. Não se pode compreender em termos absolutos Krishna, Cristo e Buda; pode-se apenas experenciá-los da maneira que nos é possível e permitida. Krishna, Cristo e Buda são um alvo localizado no infinito, tomando como ponto de partida nossas capacidades e possibilidades perceptivas. E é bem possível que a busca por Deus seja eterna e constante, tanto neste como também em outros mundos e realidades, apesar Dele nos permear e nos acompanhar em cada um de nossos passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, ou a Verdade Absoluta, está sempre conosco. E é próprio da alma humana almejá-Lo em seus diversos e múltiplos níveis. Somos por natureza insatisfeitos com relação ao meramente parcial, imperfeito e provisório. Desde que a consciência humana não se torne rígida em algum ponto, enovelando-se como uma cobra peçonhenta em torno de alguma idéia ou visão de mundo, em torno de algum objeto qualquer, a busca pela Verdade Absoluta se faz e se desenrola, mesmo que ela receba mil nomes diferentes ou apenas a simples classificação de um certo rigor epistêmico. É bem possível que sejamos mesmo uma dialética infinita em direção a Deus, onde cada etapa tende a ser revista e ampliada, em sucessivas teses, antíteses e sínteses, cada qual sempre mais abrangente, complementando-se e abrangendo as antigas, como que localizada em um ponto cada vez mais alto e mais amplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a criança que quer saber de onde veio, até o sábio que olha as estrelas questionando-se sobre a origem dos seres, passando por todo tipo de conhecimento que se possa conceber... Tudo, tudo mesmo, pode ser compreendido como uma busca por Deus. É próprio do ser humano buscar a Verdade e a Perfeição. É claro que tal afirmação não se reflete de maneira equânime para todas as pessoas. Para cada época, para cada grupo social, para cada fase da vida uma forma ou outra pode ser privilegiada. Mas em todas as áreas pode-se ver isso: o cozinheiro que tenta criar a mais saborosa receita, o pintor que tenta pintar a mais sublime obra, o poeta que tenta escrever o mais belo verso. E, também, em oposição complementar, aqueles que concebem no imperfeito e nos deslizes humanos a mais completa verdade sobre a existência: a obra que tenta mostrar a mais decadente imperfeição, a mais angustiante confusão, o maior desamparo, a verdade da ausência de toda e qualquer verdade possível e imaginável, onde o pobre ser humano possa ancorar o barco de sua consciência. Não são poucos os que neste mundo cultuam a imperfeição e a mentira, seja por ignorância mesmo, seja por simples má-fé e vontade de poder, no lugar de promover uma busca eterna ao âmago da realidade, buscando sempre e em todo momento a transcendência de nossa própria condição e consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, a busca por Deus não pode estar aliada a um desejo de posse, de controle e de poder. Quem se acha dono da Verdade Absoluta, da Teoria Mais Perfeita, do Comentário Final, caiu vítima de sua própria pretensão e arrogância. E possivelmente será ridicularizado ou negado, seja pela vida, seja pelos outros, seja ainda pela própria consciência nos momentos de descrença. A vida humana, em termos de busca, exige ou nos ensina o exercício da humildade. Não no sentido pejorativo que muitos concedem a tal palavra. Mas no sentido de que a eterna busca pela sabedoria está sempre em oposição a qualquer apego demasiado, orgulhoso e enrijecido a alguma informação ou conhecimento adquiridos. É bem possível mesmo que a natureza real da alma humana seja semelhante à de um rio, configurando-se como um fluxo contínuo ao grande e largo oceano divino. Quando tal lei é desrespeitada, o vício do orgulho, da pretensão e da arrogância, o ódio, a violência e o medo se fazem cada vez mais presentes. Pois tudo o que é duro teme ser quebrado. E antes de imaginar tal possibilidade, a pessoa, vítima de tal estado psicológico, atenta contra o próximo, em uma eterna busca de destruição, tingida pelo medo mais vivo e pelo ódio mais envenenado. A vida dessa pessoa torna-se um eterno conflito. Seu cotidiano, um imenso campo de batalha. As horas e os minutos, um verdadeiro suplício. Pois a Vida muitas vezes se revela psicologicamente como uma constante negação daquilo que é extremamente rígido e imutável. A Vida exige movimento e mudança. Exige crescimento e aprendizado. É claro que categorias se fazem necessárias também, assim como um rio precisa de suas margens, porém categorias amplas o suficiente para abarcarem o móvel e o contínuo fluxo da percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, nas imagens de Deus, ou na busca pelo Deus abstrato, portador da Verdade Absoluta, o esforço se faz permanente, mas a compreensão e experiência de Deus é sempre diversa. Em Deus pode-se visualizar toda a Verdade Absoluta, não no sentido intelectual, mas no sentido de que podemos, por meio de tal imagem ou concepção, buscar constantemente algo a mais, algo para além, pois apenas podemos intuir uma Verdade Absoluta, cabendo a nossa consciência buscar, pelos meios que lhe forem possíveis, algo que a aproxime daquela incomensurável Verdade que pode ser vagamente intuída pela visão das imagens divinas ou pela meditação na idéia de Deus. Quanto mais forte e intensa se torna a experiência do Deus vivo dentro de si, mais a consciência, portanto, tenderá a buscá-Lo, como que tomada por um amor incondicional à Verdade, isto é, a Deus. Tal amor, longe de nos apartar da experiência cotidiana, nos aproxima dela. Pois no fundo é somente a rigidez que nos afasta dos outros e de nós mesmos. Uma pessoa de concepções rígidas e verdades miúdas sempre desejará destruir e anular aquele que lhe faz oposição, aquele que, mesmo que não intencionalmente, nega o seu minúsculo mundo psíquico – essa sua caixinha de riquezas, em torno da qual todo seu ser tomado de avareza se estabelece. Uma pessoa que sabe em seu coração que a Verdade Absoluta não se encontra no mundo dos homens, mas sempre na busca eterna e constante de Deus, tanto como entidade, como também como Verdade que há em cada coisa e aspecto do universo, ou ainda como sendo um desejo meramente psicológico; uma pessoa que vivencia algum desses aspectos, ou todos eles conjuntamente, tenderá a abraçar toda a humanidade, validando assim o saber não apenas dos demais seres humanos, como também até o saber experiencial de outras espécies de vida. Pois, partindo do princípio de que a ninguém nesse mundo cabe a Verdade Absoluta, só possuindo-a em sua totalidade o próprio Deus, toda opinião e todo saber, toda verdade relativa, se não for utilizada como meio de fuga, pode ser um passo a mais que se dá em direção a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal fato, maravilhosamente, torna cada encontro entre dois seres vivos como uma possibilidade de aprendizagem e encontro com o divino. Deus se torna mais próximo de todos aqueles que abrem seus corações para os demais, buscando compreender-lhes em sua essência mais imperceptível e misteriosa, isto é, no Deus, símbolo do mistério absoluto e indizível, que há em tudo e em todos. No fundo de cada alma há Deus; em cada relação há Deus; em toda busca sincera e autêntica há Deus. É nesse sentido que o amor a Deus e o reconhecimento de nossa posição cósmica, isto é, o reconhecimento das possibilidades reais de apreensão de nossa consciência, abre-nos para o mundo e para os outros, abre-nos para cada encontro, tornando-o algo verdadeiramente sagrado. Porque, no final das contas, cada encontro é uma oportunidade que o universo nos dá de chegar mais próximo de Deus: Deus Ele mesmo e Deus que há em cada partícula e ser desse universo. Uma pessoa que diz conhecer Deus, mas renega algum semelhante, e faz sofrer algum animalzinho, conhece menos Deus do que uma pessoa que, em sua bondade simples e pura, lança seu olhar amoroso sobre toda a Criação, mesmo que não pense tanto na idéia de Deus. Em outras palavras, tal pessoa vive a idéia de Deus em seu coração em cada encontro e oportunidade que a vida lhe oferece. É claro que não cabe aqui ficar hierarquizando ou atribuindo mais valor a um modo ou outro de vivenciar Deus. Porém, acredito que quem ama seu semelhante, quem ama cada ser vivo e cada grão de areia desse planeta, pode experimentar Deus de uma maneira mais agradável do que aquele que O busca apenas intelectualmente. No entanto, aquele que busca Deus de todas as maneiras possíveis, esse, parece-me, pode experimentá-Lo de uma maneira mais completa e abrangente – e assim estar mais próximo Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, então, longe de ser um mero símbolo religioso, pode ser compreendido também como uma verdade psicológica, uma verdade filosófica e uma verdade científica. Pois Deus enquanto símbolo está contido em cada canto e cada átomo desse Universo, norteando dessa maneira as nossas consciências para sempre adiante, como um rio que flui. Deus está contido desde a mais micro das realidades, até o mais macro dos cosmos. Está contido em nosso corpo e em nossa alma. Está contido em cada uma de nossas vontades e desejos. Está contido em cada uma das religiões, filosofias e ciências. E cada uma destas está localizada em determinado ponto em relação a Ele. Nesse aspecto, o pecado, longe de ser alguma ação específica, muitas vezes determinada pelo tempo histórico, é apenas o apego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo apego a algo que imobiliza e corta o fluxo da consciência é um pecado. Apegar-se a qualquer um dos mínimos e fragmentados aspectos da realidade fenomênica torna-se um crime para a alma, que deseja sempre o movimento. E o apego, longe de ser algo que pode ser medido exteriormente pelos outros, só pode ser constatado pela própria pessoa ou por alguém que busca sinceramente enxergá-la tal como ela é, ou seja, alguém que nutra por tal pessoa esse amor de compreensão, que longe de julgar verticalmente e lançar pedras, procura sempre e antes de qualquer coisa compreender tal ação em sua completude, em sua verdade mais ampla e espiritual. Pois cada ação, longe de ser um simples apego, carrega em si algum sentido, algum significado, algum medo, algum anseio, alguma coisa. Buscar compreender uma pessoa, em todo seu mistério e imensidão, é trabalho para uma vida inteira, podendo frutificar apenas onde há grande amor (no sentido espiritual do termo). Buscar compreender o próximo é almejar atingir o Deus que nele habita. E, por essa razão, buscar compreender o próximo é uma ação sagrada, pois é como se fosse o encontro do Deus-em-mim com o Deus-nele, pois tanto um como o outro, como também a relação que nos une, são portadores do divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver tais palavras, o mínimo que seja, torna-nos tão mais atenciosos e respeitosos, tão mais ponderados e conscientes, calmos e pacíficos, humildes e sábios... pois sabemos que sempre estamos em Deus, com Deus e em busca constante de Deus. E sabendo disso, nada mais nos falta. Tornamo-nos completos em nossa busca eterna por Ele, pois paradoxalmente já O temos, ou melhor, já O somos. Tudo se vê revestido e imerso no sagrado, de tal modo que podemos até visualizar o eterno como base e palco de cada situação, momento e opinião vivida. Nada é solto ou fragmentado. Pelo contrário, cada opinião, cada verdade relativa, cada impressão e sensação de nossa alma e de nosso corpo estão localizadas em algum ponto dessa imensa e descomunal estrutura cósmica que tem como corpo e finalidade o próprio Deus. E Ele tudo compreende, tudo vê e tudo enxerga, pois tem dentro de si todo o Universo experienciável e sabe-se lá mais Deus o quê... Deus, portanto, não é somente um ideal existente fora de nós, mas também um ideal posto dentro de nós mesmos e existente em cada relação - um ideal de abrangência de consciência, de conduta e atitude espiritual. É não só uma filosofia, como também é uma ciência e uma religião, uma ética e uma moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui uma breve e simples pincelada de alguns dos aspectos mais intelectuais e cognitivos da idéia de Deus e daquilo que tal realidade cria e provoca em nós. Do que significa estar com os olhos Nele, em busca Dele, e do que significa virar-Lhe as costas. Do que significa, enfim, estar apartado Dele e da realidade maior do mundo, e do que significa buscar comungar a todo instante a realidade mais divina que há desde a superfície de cada coisa até o seu âmago de mistério e profundidade... lugar onde poderemos encontrar, assim esperamos, Deus em toda sua glória e esplendor.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;São Paulo, 11 de outubro de 2007 – 15h33min&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-7670456001551512901?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/7670456001551512901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=7670456001551512901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/7670456001551512901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/7670456001551512901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2007/10/sobre-o-deus-fenomenolgico-ou-sobre.html' title='Em busca do Deus Fenomenológico ou Sobre a Idéia de Deus'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/Rw_iAIkVhCI/AAAAAAAAAD0/QgdRMqi6puk/s72-c/TA17.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-3972256332496520382</id><published>2007-09-23T13:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-23T13:35:52.317-03:00</updated><title type='text'>Amma - a santa dos abraços</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RvaUb53PatI/AAAAAAAAACU/AUSLm8hnx-E/s1600-h/amma_red.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113437634035673810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RvaUb53PatI/AAAAAAAAACU/AUSLm8hnx-E/s400/amma_red.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;"Todo o Universo se revelou como uma pequena bolha dentro do Ser."&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Amma Sudhamani&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;A Mãe veio a esse mundo com um sorriso radiante em Seu rosto, como se fosse uma profecia da alegria e bem-aventurança que iria fazer conhecer a tantas pessoas em todo o mundo. Nascida em uma pequena aldeia em Kerala, Índia, no dia 27 de Setembro de 1953, Seus pais deram-Lhe o nome de Sudhamani, que significa: 'Jóia Suprema'. Eles somente vieram a entender sua grandeza espiritual muitos anos depois. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nascida Divina, Sudhamani passou os anos de sua infância e adolescência em intensa prática espiritual de maneira a dar um exemplo vivo ao mundo. Mesmo quando criança, ela era freqüentemente encontrada absorta em meditação profunda, totalmente esquecida do que se passava ao seu redor. Aos cinco anos de idade, ela já havia começado a compor músicas de devoção ao Senhor Krishna, que transbordavam de comovente saudade e, freqüentemente, carregavam profunda introspecção mística. Ela abria seu coração e sua alma nessas melodias, em extremo esquecimento de si, e sua doce voz tornava-se fonte de imensa alegria para os aldeões. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Quando Sudhamani tinha nove anos de idade, sua mãe ficou muito doente e todo o trabalho doméstico e de cozinha caíram sobre seus ombros, forçando-a a largar o colégio. Sudhamani fazia o trabalho extenuante, sem sombra de queixa, alegremente oferecendo cada momento de suas longas horas de trabalho e preces ao Senhor. Ela aceitava de bom grado todo obstáculo, cada maltrato que recebia de sua família, e encontrava refúgio em seu amado Sri Krishna. Mesmo com seu dia de trabalho terminando à meia noite, ao invés de cair no sono, ela passava o resto da noite meditando, cantando e rezando. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Outra qualidade que era claramente manifesta em Sudhamani nessa tenra idade era seu amor e compaixão pelos seres humanos. Como parte de seus afazeres domésticos, Sudhamani freqüentemente visitava as casas da vizinhança para coletar restos de comida para as vacas da família. Ali, ela escutava pacientemente as narrativas de desgraças contadas especialmente pelos mais idosos, que freqüentemente eram maltratados pelos filhos e netos. Através das histórias deles, Sudhamani observava que as mesmas pessoas que quando crianças haviam rezado pela saúde e longevidade de seus pais, passavam a maldizê-los quando velhos e enfermos. Ela via que o amor terreno sempre tinha um motivo egoísta subjacente e era volúvel e limitado. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser apenas uma criança, Sudhamani fazia o que estava ao seu alcance para aliviar o sofrimento de seus vizinhos idosos. Ela os banhava, lavava seus pertences e trazia para eles comida e roupa de sua casa. Esse hábito de dar as coisas de sua família deixou-a em apuros. Entretanto, nenhum castigo fora capaz de evitar o florescer de sua compaixão inata. Sudhamani dizia a seus pais: "O próprio propósito de meu nascimento é o de sofrer pela ignorância dos outros." &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Ao alcançar a puberdade, o amor de Sudhamani pelo Senhor tomou proporções indescritíveis. Seus humores extáticos tornaram-se mais e mais freqüentes; ela dançava e cantava em bem-aventurança, intoxicada de Deus e totalmente esquecida do mundo. Aos olhos de Sudhamani, Krishna permeava todo o universo. Não demorou muito até que entrou em união mística profunda com seu Senhor, união tão completa, que ela não era mais capaz de distinguir entre Krishna e ela mesma. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ela teve uma visão gloriosa da Divina Mãe do Universo (Devi). Essa experiência seguiu-se de um estado sem fim de intoxicação de Deus de tal intensidade, que dia e noite ela ficava afogada de desejo pela união com a Divina Mãe. Sua família e muitos dos aldeões ficavam completamente perplexos ao tentar entender os estados sublimes da Sudhamani e começaram a atormentá-la de todas as maneiras possíveis. Finalmente, ela foi forçada a deixar sua casa e passar seus dias e noites ao relento. O céu tornou-se seu teto e a terra, sua cama; a Lua, sua lâmpada e a brisa do mar, seu ventilador. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Quando a própria família de Sudhamani e os aldeões a rejeitaram, foram os pássaros e outros animais que se tornaram seus amigos leais e fizeram-na companhia. Com amor, os animais traziam comida para ela e faziam o que podiam por ela. Uma vaca esperava que Sudhamani terminasse sua meditação todos os dias para então lhe oferecer leite, que ela bebia como um bezerro, direto de suas tetas. A vaca recusava-se a pastar ou alimentar seu próprio bezerro antes que Sudhamani estivesse satisfeita. Um cachorro preto e branco agia como seu atendente, servo e amigo. Muitas vezes, quando ela ficava profundamente absorta em meditação, uma cobra grande deslizava sobre ela para trazê-la de volta à consciência exterior. Enquanto cantava canções à Divina Mãe, pombos e papagaios ficavam à sua frente, e abrindo suas asas, dançavam em júbilo ao som de sua música. Se Sudhamani chorasse, eles também derramavam lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sudhamani submergiu por meses a fio em práticas espirituais das mais rigorosas e austeras. Todo o seu Ser queimava de amor e desejo ardente pela Deusa. Ela beijava a terra e abraçava as árvores, percebendo a Divina Mãe em tudo. Ela chorava ao toque da brisa, percebendo-a como um carinho da Divina Mãe. Muitas vezes foi encontrada imersa em samadhi por longas horas.&lt;br /&gt;Sua sadhana (prática espiritual) culminou com a total dissolução de seu 'eu' pessoal na Divina Mãe do Universo. Em um de seus bhajans, a Mãe retrata essa experiência da seguinte maneira: "Sorrindo, a Divina Mãe tornou-Se um corpo de luz que fundiu-Se a mim. Minha mente floresceu e foi banhada pela luz de vários tons da Divindade. Daí em diante, eu nada reconheci como separado do meu próprio Ser." &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Ela realizou que: "Todo o Universo se revelou como uma pequena bolha dentro do Ser." &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;A vibração primordial que a tudo permeia, "Aum" ou "OM", espontaneamente brotou de dentro de seu Ser. Sudhamani agora vivenciava todas as formas de Deus como manifestações do Atman único. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Apesar da Amma constantemente residir na Verdade Suprema, por compaixão, ela vive no nosso nível para nos elevar. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://www.ammabrasil.org/" target="_blank"&gt;http://www.ammabrasil.org/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-3972256332496520382?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/3972256332496520382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=3972256332496520382' title='65 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3972256332496520382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/3972256332496520382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2007/09/amma-santa-dos-abraos.html' title='Amma - a santa dos abraços'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RvaUb53PatI/AAAAAAAAACU/AUSLm8hnx-E/s72-c/amma_red.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>65</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3670096680714780253.post-5974266611445589368</id><published>2007-09-08T15:13:00.000-03:00</published><updated>2007-09-08T15:46:45.326-03:00</updated><title type='text'>Carece de ter muita coragem...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RuLtVL4NIAI/AAAAAAAAACM/EdcADyorjz8/s1600-h/23-Krsna%26Arjun.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107905875613130754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RuLtVL4NIAI/AAAAAAAAACM/EdcADyorjz8/s400/23-Krsna%26Arjun.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Enche-te de coragem contra teus&lt;br /&gt;inimigos e sê o que realmente és!”&lt;br /&gt;disse Krishna para o indeciso e confuso Arjuna...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;“Carece de ter coragem, carece de ter muita coragem...” – é o que diz o Menino em meio à travessia do Rio São Francisco para o pequeno e medroso Riobaldo. Eis uma das passagens mais belas e profundas do livro “Grande Sertão: Veredas”; passagem esta que selaria para sempre o seu misterioso envolvimento com Diadorim, figura ambígua em todos os aspectos que se possa imaginar, trazendo em si todo um universo de opostos, reunindo os extremos de um modo que desafia a razão e deslumbra nosso ser; “derramando pelas páginas do livro uma ambivalência que torna tudo possível” e insuflando na vida de Riobaldo algo que a aproxima de um verdadeiro mistério religioso. Diadorim é o ponto de apoio em torno do qual gira toda a história de Riobaldo; núcleo gravitacional que modifica tudo o que há no mundo, como se tudo existisse em relação a Diadorim – desde o pequeno manuelzinho-da-crôa, passando por Otacília, por Hermógenes e pelo próprio ser de Riobaldo, em suas múltiplas e variadas formas. Diadorim converte-se então em símbolo da completude, daquilo que é inteiro, uno, que sabe o que quer e não teme coisa alguma; canalizador do destino e da ligação de Riobaldo com o mundo sertanejo dos Gerais, como se fosse o caminho predeterminado do curso de um rio – desse rio chamado Riobaldo, que traduz tal situação para si mesmo pela expressão “amizade mandante”. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Com relação a esse aspecto da inteireza, Riobaldo se posiciona no pólo oposto: ser indeciso, medroso, pusilânime, herói falho, que titubeia, que não consegue encontrar a unidade entre seu ser interior e seu ser exterior, isto é, entre o pensar e o agir; nele sempre sobra ou falta algo, ora contemplando e meditando sobre o mundo, ora agindo sobre este mesmo mundo; mas nunca inteiro num único lugar; funcionando como um pêndulo que vai de um extremo a outro, sem poder parar em qualquer ponto que seja. Aliás, pára sim, pára com o coração em Diadorim. Se ele, Riobaldo, passeia pelos extremos – o “jagunço letrado” –, Diadorim é o centro imóvel e fixo; Diadorim é a certeza contra a confusão do mundo. Entretanto, não poderia haver certeza mais incerta para nosso herói! Diadorim, como personificação da multiplicidade do universo, do “unificadamente diverso” como disse Fernando Pessoa, torna-se a certeza da mais absoluta incerteza de tudo o que há e também do que aparentemente não há. Diadorim é a suspensão de todas as certezas, a subversão de todas as aparências. Diadorim é a o sagrado dentro do profano ou o eterno dentro do instante. É a completa certeza do princípio mais incerto: “você sabe do seu destino, Riobaldo?” &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Diadorim é alvo e meio ao mesmo tempo: o “amor de ouro”, o amor destinado, o amor que abarca e carrega de sentido a vida inteira, como se Riobaldo ganhasse forças para ser Riobaldo, para transformar-se em Riobaldo, não somente por ele, mas principalmente para ela – para Diadorim: o ela que se mostra como ele... “Diadorim é a minha neblina”; “Sabendo dele o senhor sabe tudo de mim”. Aliás, o próprio nome Diadorim revela-se ambíguo, não sendo nem masculino nem feminino – “é nome de passarinho?” Seu nome de batismo era Maria Deodorina; e há quem diga que a partícula “Deo” faz referência a Deus; da mesma forma que se poderia dizer que a partícula “Dia” faz referência ao Diabo... Não há como saber ao certo. “Tudo é e não é”. No universo de Grande Sertão, importa menos a conclusão final do que aquilo que se sente durante a travessia, pois é ali que está “o real”. Talvez se Riobaldo não estivesse tão certo de Diadorim ser um homem, ele pudesse reconhecer a verdade... E só para concluir os paradoxos: se Deus, na tradição cristã, é onisciente, onipresente e onipotente, então Ele próprio criou e perpassa o Diabo; ou seja, os dois convivem misturados: “O diabo na rua, no meio do redemunho”. A diferença é que Deus é a afirmação do todo; ao passo que o Diabo é aquele que divide. Diadorim, então, como portadora do divino, faria oposição a Hermógenes, portador do diabólico – homem de índole perversa, tido como pactário, responsável pela morte de Joca Ramiro, pai de Diadorim, e da conseqüente cisão do grupo. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;E como reage Riobaldo diante de toda essa conjectura? Por “procurar encontrar aquele caminho certo, eu quis, forcejei; só que fui demais, ou que cacei errado. Miséria em minha mão”. Quer dizer: ele pactua com o próprio Diabo. Mas jamais sabe se de fato pactuou ou não, já que o mesmo não apareceu à noite na encruzilhada das Veredas Mortas. “O diabo não existe, não há, e a ele eu vendi a alma”, fazendo referência talvez ao “diabo que vige dentro do homem”. O motivo, certeiro, para o pacto, não se diz; e é bem provável que não se diz porque realmente Riobaldo não saiba. Tudo neste mundo é muito misturado. “E pão ou pães, é questão de opiniães”. Pode-se aqui apenas tracejar alguns motivos (proteção de Diadorim, morte do Hermógenes, desejo de comandar e de se destacar do resto dos jagunços, desejo de ser mais forte, mais destemido); no entanto, jamais chegaríamos ao âmago da questão. Mesmo se Riobaldo dissesse, ele provavelmente erraria; ou, melhor dizendo, não acertaria de todo – acabaria dando apenas a sua versão dos fatos, pois “a vida não é entendível”. E é bem capaz que, apesar da culpa pela morte de Diadorim, Riobaldo tenha se associado ao Diabo de uma maneira semelhante a que se ligou com o Menino – em meio à bruma, em meio à neblina, sem saber ao certo o porquê (ou porquês) de tal ato, atraído por essa fantástica figura – o “sem-nome”; com a enorme diferença que em um o fator determinante foi o interesse, e no outro o encanto, o fascínio - o amor. Talvez não houvesse outra alternativa para ele: “Essa vida nem é nossa mesmo” – como disse certa vez Diadorim. E apesar da culpa pela morte da companheira e amada, e do receio pelo fato de ter vendido ou não sua alma; se ele não o fizesse, o grupo não atravessaria o Sussuarão, Hermógenes não seria aniquilado e Diadorim continuaria homem, sedento por vingança, tendo como objetivo principal de sua vida o assassinato daquele que matou seu pai. Se ele fizesse o oposto nada garantiria que Diadorim se salvasse; pelo contrário, talvez até sofresse mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Eis a lei dos “futuros antanhos”, do “destino preso”, constituindo uma metafísica onde os homens só podem ser aquilo que já estava escrito para eles serem; e por mais que se debatam querendo a sua vida por seu próprio querer dominado, sempre haverá a contrapartida do acaso, e a atração de desejos aos quais não cabe ao homem compreender-lhes a essência (“uma inexaurível tensão entre o que há em nós e o que existe para mais além”). Trata-se aqui de um universo que faz lembrar os destinos trágicos daquelas famosas peças gregas, onde a vontade do herói é apenas mais um artifício, mais uma linha manipulada pelas forças cósmicas para a direção de sua “própria vida”. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a questão aqui não é culparmos ou não Riobaldo pelo pacto, como ele mesmo o faz afirmando que “forcejou” demais; mas buscar saber se o pacto seria ou não remediável, ou, em outras palavras, se o pacto fazia ou não parte dessa galeria de “ações certas” conforme o destino projetado de cada um. “Você sabe do seu destino, Riobaldo?” Talvez, a grande diferença entre o pacto de Riobaldo e o pacto de Hermógenes seja que para o primeiro Diadorim teve um peso considerável, enquanto que para o segundo o pacto ocorreu por puro interesse – sem amor algum no coração. Talvez, o encontro com o Diabo fosse premissa obrigatória para o seu “estreito” caminho – a mais dura das provas, a aliança com o mal para bater o mal. Todos sabem que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. E quanto a um pactário que mata outro pactário? Será que o destino é o mesmo? E mesmo que seja, o que viria após os tais cem anos? É uma pergunta interessante – e aparentemente sem resposta... &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, quando Diadorim e Hermógenes morrem, o sentido da vida jagunça, da vida heróica de Riobaldo, se desfaz, levando consigo a poesia do sertão, que outrora estava encarnada em Diadorim. O mundo mítico e fantástico finda-se, exaure-se: não há mais por que lutar. A vida de ouro se apaga, restando apenas sua vida de prata – vida sem o brilho da primeira, vida burguesa, de dono de fazenda que só tem que cuidar da manutenção de seu cotidiano. Consolida-se então o pensar sobre o agir; a busca do sentido daquilo que ele viveu. “Você conheceu Diadorim?” Pois Riobaldo conheceu. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Aqui sou obrigado a retificar o meu próprio comentário, pois nada indica que a vida de prata (sua vida não aventureira, simbolizada na figura de Otacília) possa ser entendida como algo menor ou mais vil que a primeira fase de sua vida – a fase guiada por seu amor de ouro. Pois da mesma forma que o pacto de Riobaldo foi diverso do pacto de Hermógenes, o Riobaldo fazendeiro significa outra coisa do que, por exemplo, o fazendeiro Seu Habão, capitalista de corpo e alma. Ou seja, talvez tal vida seja tão importante quanto a primeira, apenas em um sentido diferente; um contínuo de um viver que está muito além dele e de qualquer um compreender de todo. Afinal, se não fosse pelo Riobaldo fazendeiro, sequer haveria o “Grande Sertão: Veredas”, que não é apenas produto de acontecimentos de sua vida, mas também de suas reflexões empreendidas na fazenda que antes era de Selorico Mendes. E quem poderia lançar pedras contra o narrador de um presente desses?... De fato, “viver é muito perigoso”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3670096680714780253-5974266611445589368?l=comentariosmisticos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/feeds/5974266611445589368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3670096680714780253&amp;postID=5974266611445589368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/5974266611445589368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3670096680714780253/posts/default/5974266611445589368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comentariosmisticos.blogspot.com/2007/09/carece-de-ter-muita-coragem.html' title='Carece de ter muita coragem...'/><author><name>Marcel Cervantes de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17404285274442582019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/S31i3noLMJI/AAAAAAAAAvo/ON-H39XSMU8/S220/Foto+Marcel+Cervantes.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_C_UQEUSwXLM/RuLtVL4NIAI/AAAAAAAAACM/EdcADyorjz8/s72-c/23-Krsna%26Arjun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
