Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Poemas Místico-Filosóficos - o Livro



Sinopse

Uma mística e transcendente viagem para o âmago da realidade, desde o momento da difícil decisão do indivíduo abatido e solitário, imerso em brumas de ilusão e de sonho, desconectado de si e do mundo, até o seu vôo final, digno e altaneiro, repleto de vida, poesia, amor e devoção. Um verdadeiro abraço às forças cósmicas, tanto às internas contidas no corpo e na alma, como também às externas existentes no mundo e no universo. Pois é do casamento entre todas as dualidades que poderá surgir uma nova humanidade, mais amorosa, mais compreensiva; uma humanidade que acolhe e aceita a todos, independente de suas crenças e valores, intuindo e constatando que a energia, a força anímica que organiza e impele a criação e a manutenção de todas as culturas e mesmo o movimento da humanidade em si, é uma só - e que está contida igualmente em cada corpo humano e em cada espécie animal e vegetal, o que torna tudo sagrado e repleto de sentido e significado.

Diante deste novo milênio que se inicia, a humanidade, altamente tecnológica e em crise, nos múltiplos âmbitos da vida e da sociedade, terá de aprender a integrar e a harmonizar seu coração com o mundo que o rodeia. Eis um momento de criação de pontes, de resgate do essencial que anima e vivifica todas as culturas, desde o começo dos tempos. Eis o momento do casamento cada vez mais pleno entre cultura e natureza, a fim de que possamos viver uma vida mais rica, criativa e sustentável.

Escrito em um estilo de alta voltagem poética, trata-se de um grito de liberdade, de um mergulho nas recônditas regiões da alma e do cosmos onde sonho e realidade, claro e escuro, vida e morte se buscam e se amalgamam como que tomados de um intenso desejo de um místico abraço, dando origem a uma transcendência real e viva, orgânica e cotidiana, que irrompe do coração para o mundo.

Marcel Cervantes, o autor, é escritor e poeta; tem 24 anos e é formado em Psicologia pela USP.

Buscar a Deus é buscar a humanidade, a natureza, o universo e além.

http://www.biblioteca24x7.com.br/

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

A Arte e a Esperança


- Mas, o que o ser humano conquistou até hoje nunca será perdido, pois... pois, essa conquista sempre poderá ser renovada, sempre poderá renascer a cada geração. A raça humana é como um rio: se ela for cuidada como realmente deve ser cuidada, o próprio tempo se encarregará de purificar esse rio e... e toda a poluição se dissolverá no imenso oceano da memória, onde estará apenas como uma triste lembrança... mas ao mesmo tempo rica de experiência do quão infinito pode ser o ser humano. É necessário que sempre haja arte, ela é a prova mais linda do quão profundo podemos ser, da nossa essência mais íntima... É a forma mais completa de nos conhecermos, de nos tornarmos belos e livres. Sim, pois a arte liberta o ser humano. Liberta e modifica. Ela é o alimento de nossa alma; o que não a faz definhar nesse mundo seco e cheio de miséria em que vivemos. Eu sei que o mundo não dá realmente o valor que ela deveria ter... eu sei que esse mundo muitas vezes apenas a usa como forma de descarregar emoções que por algum motivo foram abafadas, apenas para manter..., apenas para manter essa ordem doentia que reina atualmente..., mas..., mas é imprescindível que ela exista senão... senão esqueceremos do nosso lado belo, de nosso lado digno... E aí sim será a maior tragédia para o ser humano, quando esquecermos que o ser humano pode se elevar para lugares infinitamente altos. Afinal, todo ser humano pode ser um herói!

Mateus em "O Mundo como Fantasia"

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

O Mundo como Fantasia


"Se há um caminho para o Melhor,
ele exige um olhar demorado sobre o Pior."
Thomas Hardy

A Sombra da Humanidade

Eis que quem fala aqui é a Sombra – a Sombra da sociedade de nossos tempos, a Sombra de minha alma – com tudo o que ela possui de luz e de trevas, de amor e de ódio, de reto e de torto. Trago-a aqui como veio ao mundo – em sua forma bruta, corrida, não lapidada, grotesca quase. Trata-se aqui de uma explosão da Natureza. Ame, portanto, de todo o seu coração estes personagens, os seus pensamentos e os seus sentimentos – e até o narrador. Não os rejeite a priori; tampouco se submeta a eles. Procure reconhecer o porquê de seu estado de espírito, o porquê do tormento de suas almas. Mas busque apreender também o que deve ser transformado, lapidado, sublimado. Colha os tesouros que encontrar – e os distribua conforme manda o seu coração. Este é o meu desejo. Amém.

O Mundo como Fantasia

Escrevi este texto no princípio de meu 18º ano de vida. E ele marca o início de meu “aprofundamento místico”, uma espécie de morte egóica num sacrifício de fogo, a fim de que renascesse um ser maior, de mais luz e compreensão, de mais força e amor. Amar a Luz é simples, fácil, um bem que cada um faz a si próprio. O grande desafio mesmo é amar, acolher, compreender e integrar a Sombra. E, acreditem, quando se consegue tal proeza, quero dizer, quanto mais vamos integrando os aspectos de nossa Sombra, da Sombra dos outros, da Sombra do Mundo, vamos nos tornando mais íntegros, mais plenos, como o herói das antigas histórias que, ao matar o dragão e beber o seu sangue, se vê fortalecido e revigorado em sua espiritualidade maior. A integração da Sombra é de essencial importância não apenas para cada um em particular, como para todos nós enquanto humanidade. Pois é esta Sombra que, quando rejeitada e desprezada, expulsa de Casa à ponta-pés, oculta-se por baixo do véu de nossa existência e retorna para arrebentar, para destruir e matar – seja a nós, seja aos outros. A Sombra é o nosso Filho Pródigo. Deveríamos fazer uma grande festa quando ela retorna ao Lar, com todo o seu conhecimento, com toda sua experiência, independente do que for. Aquele que conseguir amar e integrar sua Sombra torna-se um bem-aventurado, ganha paz de espírito, aproxima-se do santo – pois aprendendo a perdoar a si, aprendendo a converter o que há de mais tenebroso em ouro espiritual, este homem e esta mulher se tornam ricos, adquirem sabedoria e humanidade, se aproximam de Deus. E, consequentemente, aproximam-se de toda a Humanidade e de toda a Vida – em tudo o que possuem de Luz e de Trevas, de Amor e de Ódio, de Ordem e de Caos. E, adquirindo o conhecimento verdadeiro de ambos, ganha soberania sobre eles, vence a dualidade do mundo, transcende as diferenças, aprofunda-se no mistério cósmico, habita o Uno Essencial.

"107. Disse Jesus: O Reino é semelhante a um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas se extraviou, e era a maior de todas. Ele deixou as noventa e nove e foi em busca daquela única até achá-la. E, depois de achá-la, lhe disse: eu te amo mais do que as noventa e nove."
Evangelho Apócrifo de São Tomé

http://omundocomofantasia.blogspot.com

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

A atenção - alguns fragmentos


Situação 1: Em um elevador, duas pessoas, uma olhando para o alto, a outra olhando para o chão. Em seguida, a que estava olhando para o alto põe-se a admirar-se no espelho. Permanecem assim por um certo tempo. O elevador então chega no destino do primeiro. A pessoa sai, portanto, do elevador, sem dizer palavra alguma.

Situação 2: Na avenida dos Bandeirantes, estou como passageiro de um carro. De repente, na ponte que há na entrada para a 23 de maio, um grande caminhão sofre um acidente. Ele estava carregando uma espécie de objeto envidrado, porém, quando foi passar pela ponte, a altura não foi o suficiente e o objeto trincou. O caminhão então permaneceu ali, parado, nem indo adiante, nem retornando. E os carros começaram a buzinar. A motorista do meu carro começou a xingar o motorista do caminhão de burro. “Como ele não viu que não dava para passar!! Agora vou me atrasar para o trabalho!!” As buzinas só aumentavam!! E eu olhando para o caminhão, pensei no quão caro devia ser o objeto que foi trincado, e como o pobre motorista devia estar se sentindo!! Será que jogariam a culpa nele? Será que havia algum seguro que poderia cobrir isso? O que aconteceria com o emprego deste homem? Será que ele tinha família? Mas as pessoas apenas buzinavam, impacientes e irritadas, enquanto passavam com maior lentidão pelo local do acidente.

Situação 3: Quando era mais jovem, estava passando de carro ao lado de uma favela que ficava na lateral de uma grande avenida. Ao fitar a favela, vi que havia uma criança observando a avenida, estática, com o olhar perdido. Fiquei pensando o que esta criança buscava no passar dos carros, o que ela sentia naqueles momentos. Sonhos? Tristeza pela sua vida? Desejo de uma vida melhor? Por que ela, uma criança, ao invés de brincar, estava ali, na janela, contemplando o fluxo interminável da avenida? E, quando o carro voltou a andar, para o meu espanto, vi que havia mais outras duas crianças olhando a avenida, em outras duas casas de alvenaria sem pintura.

Situação 4: Um dia eu estava no ônibus e apareceu um homem. Um homem bem velho. Ele não estava pedindo dinheiro, nem nada. Apenas entrou e começou a falar sobre a Bíblia, sobre a importância de amarmos uns aos outros, de prestarmos atenção naquilo que nos rodeia, de vivermos com responsabilidade. As pessoas, como quase sempre fazem, sequer o olharam. Se incomodaram com a fala daquele homem, como se no fundo tivéssemos muito mais a fazer em um ônibus lotado e apertado - e não pudéssemos prestar atenção em alguém por alguns poucos minutos.

Pergunto-me às vezes: - Será que a vida deles é tão fantástica e envolvente assim?

Quando o homem desceu do ônibus, ele agradeceu aqueles que o ouviram, e ao motorista, por não ter lhe mandado calar a boca. Ele era um homem velho, de roupas gastas, terno surrado, faces vincadas e enrugadas. Mas quando o fitei, disse a mim mesmo: - "Eis um homem belo!" Foi aquele homem que atraiu o meu coração e os meus olhos. Pois há poucas coisas mais asquerosas neste mundo do que a indiferença e o desprezo... E é isto o que mais existe neste mundo. No entanto, o esforço daquele homem fez com que eu voltasse a mim - e deixasse de assistir passivamente o mundo por aquela caixinha motorizada chamada ônibus. Quiçá nós possamos manter tal beleza acesa dentro de nós mesmos, encontrando oportunidades que nos façam pensar, sentir e fascinar-se, saindo de um mundo vazio para vê-lo em toda sua beleza, profundidade e verdade – ou, pelo menos, no máximo que nos é possível.

Situação 5: No metrô, as pessoas, muito próximas umas das outras, sequer se olhavam. Permaneciam em seus mundos particulares. Algumas liam. Outras tentavam dormir. Outras olhavam para frente, mergulhadas em algum lugar indecifrável. De repente, um bebê que estava no colo de uma mulher sentada no banco cinza, começa a sorrir para a mulher ao lado. Ela então começa a brincar e interagir com o bebê. Logo em seguida, outras duas mulheres entram na brincadeira, elogiando a mãe pelo lindo sorriso do bebê. As quatro mulheres começam a conversar, motivadas pelo sorriso do bebê.

Situação 6: Ainda no metrô, mas em outro dia, a porta se abre na estação do Paraíso. Após todo o fluxo de gente que saiu e entrou pela porta, uma mulher com um carrinho de bebê tenta entrar no metrô. No entanto, a roda do carrinho se prende no vão entre o vagão e a plataforma. Ela tentar, desesperadamente, tirar o carrinho e fazê-lo adentrar o vagão. Sem saber o que fazer, começa a gritar: “Ei!! Me ajudem, pelo amor de Deus!” Mas consegue logo em seguida fazê-lo entrar. A mulher, exasperada, após sentar-se, começa a reclamar com todos os que estão a sua volta, reclamando da passividade absurda das pessoas, que o coração dela estava a mil, que o bebê dela podia até morrer! E uma mulher disse: - “É assim mesmo! O mundo está perdido. As pessoas não olham para as outras!” Então a mãe fala que esta educação foi o que sua mãe lhe ensinou, e algo que ela procurará ensinar para seu filho. E que achava o cúmulo ninguém tê-la ajudado!! A mãe repetia a mesma conversa com todas as mulheres que entravam. E todas concordavam que era um grande absurdo tudo isso. “Como as pessoas podiam ser assim?” – diziam elas, indignadas.

Situação 7: Outro dia, estava no MAC (Museu de Arte Contemporânea) para fazer um trabalho para a faculdade. Era um trabalho sobre a fenomenologia da arte. Tinha de anotar e registrar todos os detalhes de alguma obra em especial e tudo o que eu sentia e passava pela minha cabeça durante este passeio. Quando estava fazendo a descrição do quadro escolhido (um do Alfredo Volpi chamado Reunião à Mesa, um quadro onde 12 pessoas estão em torno de uma grande mesa, cada uma entretida com seu grupo particular ou mesmo imersas em si mesmas – enquanto a figura principal permanece atônita, no centro do quadro, olhando em nossa direção), percebia atrás de mim um grupo de pessoas que passavam rapidamente por cada obra, sendo conduzidas por um monitor, que fazia a descrição, expunha os elementos principais e o signficado da obra. Tudo muito rápido, a fim de passar por todo o acervo no período estipulado. Então, algo surpreendente aconteceu: o segurança, de terno e gravata, chegou ao meu lado, afirmando que gostava bastante do quadro que estava vendo, que era um dos seus prediletos. Começamos a conversar e ele me disse que “gostava bastante de arte, pois a arte fazia com que as pessoas tivessem uma opinião”. E ele apreciava ficar admirando também por um bom tempo os quadros que gostava (pois eu, devido ao trabalho, estava a mais de uma hora e meia diante deste quadro). A opinião do segurança, diante do grupo conduzido pelo monitor, pareceu-me tão interessante que fiz questão de abrir uma sessão no trabalho de fenomenologia da arte para falar do ocorrido.

Situação 8: Uma mulher chega berrando no balcão antes de uma palestra de Fritjof Capra na Livraria Cultura. A moça do balcão disse que não sabia nada a respeito do que a mulher estava falando. A mulher, irritada, retruca dizendo que sabia sim, pois foi ela mesma que a atendeu há algumas horas. Então a moça diz: - “Senhora, eu sou a tradutora e acabei de chegar aqui! Por favor, tenha calma!”

Situação 9: Em um hospital psiquiátrico, conduzem os psicóticos para o jardim, a fim de que eles tomem sol. Entretanto, um deles foge, pulando o muro. Fazem uma busca dele, mas não o acham nas redondezas. Após uma semana, o homem retorna e é rapidamente preso. E ele diz: - “Vocês não podem mais me prender!! Eu já fugi. Só vim buscar minhas coisas!”

Situação 10: Na praça João Mendes, as pessoas passavam apressadas, algumas descendo em direção à Igreja da Sé, outros subindo de lá, alguns entrando nos sebos ou mesmo em outros locais. Um homem de terno, apressado, passa a frente de uma prostituta que estava parada. Ela então faz algum tipo de provocação ou proposta, e o homem passa rápido. Uma senhora que estava diante de mim, balança a cabeça como se não concordasse. A prostituta então faz algum tipo de comentário, rindo. E a mulher sai escandalizada.

Situação 11: Diante do Shopping Paulista, as pessoas saem com sacolas e mais sacolas de dentro do ambiente iluminado e colorido do Shopping. E no chão, misturada com as sombras da noite fria, uma mulher tem uma criança ao colo que chora. Lá dentro em algum lugar está o Papai Noel.

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

O verdadeiro progresso


"Os que estão repletos do meu espírito e cheios de confiança, praticam essa doutrina, encontram redenção por meio das obras, as quais, nesse caso, são obras minhas. Todavia, aquele que, cheio de ego-complacência, despreza a lei e a mim, que julga trabalhar muito e age sem fé nem compreensão - este é insensato e acabará na perdição."
Krishna em Bhagavad Gita (3.31-32)

É muito comum nos dias de hoje, tempos de grandes transformações tecnológicas e sociais, considerar elementos como o desenvolvimento científico (medicina, informática, etc.) ou ainda o desenvolvimento econômico (PIB, nível tecno-industrial, etc.) como indicadores de um tão almejado progresso. No entanto, visto o problemático contexto global em que vivemos, composto em maior ou menor grau por crises ecológicas, violência e conflitos urbanos, problemas na educação, corrupção em larga escala, má distribuição de renda, sensacionalismo abundante, exploração trabalhista, intolerância étnica e cultural, disputas geopolíticas no campo internacional; frente a tudo isso e muito mais, surge diante de nossos perplexos olhos a questão: podemos mesmo falar em progresso, em desenvolvimento humano, tomando como referência questões meramente técnicas e econômicas? Até quando continuaremos a crer neste “progresso”, enquanto nossos corações choram e se desesperam diante de notícias cada vez mais tristes e alarmantes, notícias estas que apenas jogam muitos de nós para um micro-mundo de frustração, desesperança e impotência diante de uma realidade cada dia maior e mais complexa? Correndo o perigoso risco de perdermos a nós mesmos diante disso tudo, encantados com uma idéia de progresso que nosso coração não pode aceitar em hipótese alguma – ao menos como ela hoje se encontra.

Afinal, quem neste mundo gostaria de arrancar um dente com um alicate, quando atualmente temos um aparato instrumental e um conhecimento cirúrgico muito mais sofisticado, além da anestesia? Ou, pelo contrário, quem gostaria de despertar pela manhã e ouvir que uma bomba H foi detonada sobre alguma cidade enquanto dormíamos? A questão que fundamentalmente se nos coloca é com que sentido vamos nos relacionar com todo este universo que se afigura ao nosso redor? Pois a existência humana é constituída por um mundo de valores e concepções que nos relaciona a tudo o que existe. Hoje se vê muitas pessoas acompanhando os progressos científico e econômico como se eles tivessem vida própria e independente, deixando de lado pessoas que necessitam de uma maior atenção social e institucional. E, indo mais longe, deixando muitas vezes de lado os nossos próprios sentimentos, sonhos e ideais, como se tudo o que nos restasse fosse apenas os progressos técnico e econômico. Nunca vivemos um tempo mais rico, do ponto de vista científico; mas talvez também nunca nos sentimos tão solitários, indivíduos em uma multidão, anônimos que muitas vezes se entregam de mãos atadas a um consumismo alienante e egocêntrico – lugar este onde estamos todos separados e sozinhos, apesar de quase todos sentirmos uma idêntica falta no âmago de nosso ser, e quem sabe uma idêntica aspiração: a de um mundo melhor, mais justo e razoável.

É a ética que nos faz humanos. Ética para com os outros, e para consigo. Um valor ético pode salvar vidas, como também sua falta pode transformar um homem em um escravo ou em um mero recurso para fins alheios. Em termos globais do que constitui nossa existência no mundo, não é possível falar em progresso sem que o campo ético esteja centralizado neste complexo universo de relações, a fim de que os seres humanos, os seres viventes para ser mais exato, não sejam ofuscados pelo brilho ocasionado por outras áreas humanas – áreas subalternas que compõem as nossas vidas e o nosso cotidiano, e não o contrário. Ser ético é agir em prol da vida, consciente de que toda ação reverbera tanto na natureza e sociedade, das quais fazemos parte, como também em nossos mais sutis valores culturais – transformando inclusive nossos sentimentos e concepções do que é afinal a humanidade e de qual é a nossa responsabilidade diante desse imenso e rico cenário mundial. O conhecimento gera poder, mas é a ética que faz nascer a sabedoria. E o mundo clama por essa sabedoria, a qual se irmana com a própria poesia do viver, com a possibilidade de um mundo mais belo e humano – repleto de sentido. É aqui que mora o núcleo do verdadeiro progresso, de onde tudo o mais pode vir como bom ou mau acompanhamento. Lugar onde a vida, em suas múltiplas e diversas manifestações, se vê profundamente reconhecida e venerada.